Tempo para vivenciar o Reiki - 30/10/2015 - por: Eduardo Fonseca
Como quase tudo no Japão, o Reiki também possui uma organização. Os discípulos eram divididos em graus ou classes. Tradicionalmente, o ensino era regular, utilizando o Reiki-ho para formar o caráter e purificar o coração, onde os praticantes se esforçavam para integrar o Gokai no dia a dia.
Usui Sensei ensinava o Reiki em três graus diferentes: Shoden, Okuden e Shinpiden (Shihan-Kaku, Shihan). Dentro desses graus, existiam subdivisões, proporcionando mais tempo para o praticante aprender — muito mais voltado ao estado de iluminação do que atualmente. Vinte e uma técnicas tradicionais eram ensinadas ao longo dos níveis.
Além disso, existiam encontros semanais chamados "Reiju-Kai". Nesses encontros, recitavam-se poemas do Imperador Meiji e o Gokai, treinavam-se técnicas, realizavam-se meditações e recebia-se uma sintonização como reforço. Experiências eram compartilhadas, fortalecendo o aprendizado.
O praticante só podia realizar o segundo nível após compreender o primeiro e dominar o Byosen. O terceiro nível era uma autorização para ensinar. O discípulo não possuía o direito de solicitar tal promoção, que era oferecida pelo shihan com grande honra.
Mikao Usui teve cerca de 2.000 discípulos até sua morte, dos quais formou pessoalmente 20 shihan (professores). Entre eles, o mais jovem era Chujiro Hayashi, então com 47 anos. Fumio Ogawa contou que, em 1996, apenas 6 membros, de um total de 500 da Usui Reiki Ryoho Gakkai, foram promovidos a shihan. Tradicionalmente, existiam cuidados que hoje, fora da Usui Reiki Ryoho Gakkai, estão sendo ignorados. O pretendente tornava-se um assistente com permissão limitada, e o shihan observava atentamente se a nova posição não alimentava o ego e se o praticante continuava irradiando cada vez mais amor e compaixão.
Atualmente, existem diferentes níveis de ensino, variando em número conforme o sistema e/ou a escola. Na maioria das escolas ocidentais, o Reiki é ensinado em três níveis distintos, existindo um nível suplementar para quem deseja ensinar. Há variações no ensino conforme o professor ou os “mestres” — termo utilizado no Ocidente. Os intervalos entre os níveis também variam.
Portanto, o professor de Reiki pode criar subdivisões, aumentar a carga horária ou estabelecer pré-requisitos de vivência em determinado nível antes de permitir o avanço para o seguinte. Tudo isso visa à assimilação do conhecimento e à obtenção da experiência necessária. O professor tem o livre-arbítrio quanto à sua forma de ensinar, desde que respeite o aluno, a egrégora do Reiki e os shihan anteriores, representados na linhagem. Deve-se evitar misturar outras energias ou métodos ao Reiki.
Em contato com diversos professores de Reiki ao longo dos anos e acompanhando as redes sociais, percebe-se que isso nem sempre é respeitado. Estão sendo oferecidos, em toda parte, cursos rápidos, sem qualquer tipo de exigência. Isso transforma esse maravilhoso sistema de amor e compaixão em algo comercial, movido por um marketing frenético, onde o suposto “mestre” alimenta a fama, a ganância e muitas práticas temerárias, que podem ser danosas. E essa "bola de neve" está crescendo, pois “mestres” despreparados estão propagando o método sem preservar seu ideal mais precioso.
Quanto àqueles que estão em busca da realização do curso de Reiki, é compreensível a pressa — sempre desejando que tudo aconteça rapidamente. Porém, como apressar algo que não pode ser apressado? Veja o exemplo da vida que nos antecede: quanto tempo é necessário para uma árvore frutífera crescer e dar frutos? O curso de Reiki começa nesse ponto, deixando claro que tudo se baseia na sintonia e no trabalho interior.
Quanto tempo é necessário para a cura mental ou espiritual? Quanto tempo é necessário para vencer a si mesmo? Qual a quantidade de tempo necessária para compreender o nível cursado do Reiki? Em paz mental, ouvindo o coração, a resposta virá.
É necessário compreender e “dominar” o nível atual antes de querer realizar o próximo, analisando sempre a necessidade e o propósito. Especialmente para o terceiro nível, em que o trabalho interior é intensificado. Por esses motivos, não existe um tempo determinado: os percursos diferem para cada indivíduo. O praticante precisa aprender a trilhar com o Gokai no coração.