Reiki Ocidental e Oriental - 29/10/2015 - por: Eduardo Fonseca


Segundo o sistema, escola e/ou professor, podemos encontrar algumas diferenças no ensino do Reiki. No entanto, essas diferenças não determinam sua qualidade. Muito depende de quem ensina, já que cada um tem o livre-arbítrio para aplicar sua própria forma de transmissão do conhecimento.


Neste artigo, citarei algumas diferenças entre o Reiki Ocidental e o Reiki Oriental (Japonês). Não estou afirmando que o método oriental é melhor que o ocidental, ou vice-versa. Afinal, tudo depende da abertura do próprio coração.


O próprio nome inicial da associação fundada por Mikao Usui Sensei, em abril de 1922 — Shin Shin Kaizen Usui Reiki Ryōhō Gakkai ("Associação do Método de Cura de Energia Espiritual de Usui para a Melhora do Corpo e da Mente") — já sugere algumas distinções importantes. Como muitos sabem, no conceito oriental, mente e coração são um todo indivisível. Já na cultura ocidental, tendemos a separar tais conceitos. Convenhamos: como é possível curar a mente em um único “curso de fim de semana”? Tradicionalmente, o ensino era contínuo e visava à formação do caráter e à purificação do coração, utilizando o Reiki-ho como caminho. Os praticantes se esforçavam para integrar o Gokai (os cinco princípios) no dia a dia. No Ocidente — embora não de forma generalizada — o Reiki é, em muitos casos, abordado com foco mais terapêutico, muitas vezes dissociado de seu componente espiritual (ainda que sem vínculos religiosos).


Tradicionalmente, o ensino era oral, com exceção do manual Usui Reiki Ryōhō Hikkei, que continha o Gokai, instruções para o público, um guia do método de cura e 125 poemas na forma waka do Imperador Meiji.


Inicialmente, o Reiki-ho não possuía símbolos. Somente mais tarde, três símbolos foram incorporados ao método tradicional, com a intenção de facilitar o acesso dos praticantes a determinadas vibrações. Esses símbolos eram ensinados apenas no segundo nível e aprendidos de memória, sem cópias, de forma sigilosa e respeitosa. Na verdade, nem todos são símbolos — alguns são kotodamas (palavras-som com energia própria) —, mas esse é um tema tratado especificamente no curso de segundo nível.


No Reiki Ocidental, foi introduzido um quarto símbolo, ensinado no nível que antecede o de mestre. Hawayo Takata, responsável por trazer o Reiki ao Ocidente, ensinava que os símbolos eram sagrados, e cópias não eram autorizadas. A propagação indiscriminada dos símbolos de Reiki ocorreu apenas após sua morte, de forma muitas vezes desrespeitosa.


Os níveis do Reiki tradicional tinham subdivisões, permitindo mais tempo para o aprendizado e amadurecimento do praticante. Vinte e uma técnicas tradicionais eram ensinadas ao longo dos níveis. Além disso, havia encontros semanais chamados Reiju-kai, nos quais se recitavam os poemas do Imperador Meiji e o Gokai, praticavam-se técnicas, realizavam-se meditações e era recebida uma nova sintonização como reforço. As experiências também eram compartilhadas, fortalecendo o aprendizado.


No Reiki Oriental Japonês, existiam três níveis. O último conferia autorização para ensinar, mas o discípulo não podia solicitar essa promoção — ela era oferecida quando o mestre considerava que o aluno estava pronto. Inclusive, o praticante só podia acessar o segundo nível após demonstrar compreensão profunda do primeiro e domínio do Byosen. Já no Reiki Ocidental, o ensino deixou de ser contínuo. Um novo nível foi adicionado antes do nível de mestre, e alguns professores ensinam mais de um nível no mesmo dia ou em dias consecutivos, muitas vezes sem acompanhamento posterior. Outros estabelecem um intervalo de alguns meses entre os níveis, mas, em sua maioria, não há exigências rigorosas.


Tradicionalmente, o Reiki possuía apenas cinco posições de mãos — todas na cabeça. No entanto, as mãos não eram limitadas: o Reiki podia ser transmitido também pelos olhos, pelo sopro, por percussão, deslizamentos, entre outros. O foco principal do tratamento era a cabeça; em seguida, a atenção era direcionada às áreas com desequilíbrios, seguindo o Byosen. O sistema terapêutico baseava-se na medicina tradicional chinesa.


No Reiki Ocidental, são utilizadas posições fixas das mãos, e o tempo em cada posição depende do nível do praticante — o que influencia diretamente a duração da sessão. As técnicas e o método terapêutico ocidental se baseiam nos chakras, segundo a medicina tradicional indiana.


Existem muitas outras diferenças, mas não me estenderei neste artigo. Para aqueles que agora se questionam sobre qual método é o melhor, adianto: é aquele em que você utiliza o coração — sem limitar o amor e com plena paz mental.