Reiki é uma religião? - 29/11/2016 - por: Eduardo Fonseca


Essa é uma pergunta comum entre aqueles que desconhecem a terapia Reiki, mas não exclusiva, pois a confusão é grande em diversas terapias complementares e integrativas.


Reiki não é uma instituição ou organização religiosa, e sim um sistema natural de harmonização e reposição energética. Também não é necessário acreditar nele para que faça efeito. O Reiki adapta-se a qualquer cultura, credo ou raça, e não utiliza nenhum instrumento auxiliar. Inclusive, os praticantes mantêm suas próprias crenças e religiões.


Mikao Usui nasceu em 15 de agosto de 1865, na aldeia de Taniai (província de Gifu). Sua religião era o Jodo Shu (Budismo Terra Pura). Em abril de 1922, fundou a Usui Reiki Ryoho Gakkai. Essa associação não era uma seita ou comunidade religiosa; nela, a saúde dos praticantes era trabalhada de forma disciplinada.


No período Meiji (1868-1912), o governo japonês adotou o xintoísmo como religião oficial, reprimindo o budismo e outras religiões. No período Taisho (1912-1926), a situação política se acirrou. No início dos anos 1920, o governo japonês proibiu quaisquer técnicas de "cura espiritual"; apenas terapeutas e médicos formados em academias oficiais podiam exercê-las. A associação fundada por Mikao Usui não praticava nem ensinava seitas suspeitas; alguns dos professores de Reiki eram oficiais da Marinha japonesa, o que contribuiu para que a Usui Reiki Ryoho Gakkai permanecesse ativa. Se o Reiki fosse uma religião, os praticantes sofreriam severas perseguições, e a terapia não teria se expandido no Japão. Mikao Usui faleceu em 9 de março de 1926 em Fukuyama. Na época, mais de 2 mil pessoas haviam aprendido Reiki com Usui Sensei, existindo 40 sucursais da Usui Reiki Ryoho Gakkai. O sucessor de Mikao Usui foi Juzaburo Ushida.


É compreensível tamanha confusão, tanto naquela época quanto atualmente, especialmente no ocidente. Muitos agrupamentos religiosos trabalhavam com cura espiritual; algumas técnicas terapêuticas tinham nomes como “seiki” (energia vital), “reiki” (cura espiritual ou mental), “reiho” (técnica espiritualista), entre outros. Mikao Usui chamou seu método de Usui Reiki Ryoho para diferenciá-lo. No ocidente, é conhecido apenas como Reiki, o que pode causar interpretações indevidas devido à tradução dos kanji e à existência de outros métodos. Na época de Usui Sensei, a palavra “Reiki” significava “energia espiritual”, podendo também significar “estado de espírito”, “energia oculta”, entre outros. Atualmente, a palavra “rei” é imediatamente associada a “fantasmas”.


Mikao Usui criou o conceito “Shin Shin Kaizen Usui Reiki Ryoho”, que significa “Método de cura de Usui, por meio da energia espiritual, para curar o corpo e o espírito”. Novamente, uma interpretação equivocada pode ocorrer ao ler “energia espiritual”: não se trata da energia de um espírito, mas sim de algo além da matéria, uma energia sutil e elevada.


Os praticantes de Reiki são livres para seguir suas próprias crenças. Tornam-se canais da energia salutar do Reiki sem a necessidade de meditação, oração, adoração ou qualquer prática religiosa. Existem princípios e regras de conduta que funcionam como um fundamento ético, pilares para a saúde espiritual e, consequentemente, física. São eles: “Somente hoje: não se zangue, não se preocupe, seja grato, cumpra seu dever e seja bondoso”. Os praticantes de Reiki seguem esses princípios, uma forma disciplinada de elevação, valores universais que se encaixam em diversas culturas sem qualquer conotação religiosa.


É importante também que o praticante e/ou professor de Reiki saiba separar suas crenças e religião do método Reiki, respeitando a linhagem e permitindo-se crescer como indivíduo e perseverar como aprendiz.


Entre muitas diversidades, a energia do Reiki permanece acessível, sem restrições ou atributos específicos. Reiki é amor; promove a expansão da consciência, atuando no íntimo de cada um e contribuindo para uma vida melhor.