Gemini da Google e Francisco Quiumento
Dentre as conjecturas que já foram feitas sobre a natureza do tempo, existe o caminho de se considerar que ele se ramifica, produzindo mais e mais "linhas" cada uma com seus "destinos". Na versão mais extremada desse tipo de pensar sobre o tempo, cada comportamento de cada partícula do universo, ao seguir certa mudança de sua trajetória, produz todo um universo novo, com sua história e preparando as fundações de um futuro alternativo.
Dentro dessa visão sobre a natureza do tempo e das possibilidades no mundo, a ficção científica fez duas bem conhecidas abordagens, Efeito Borboleta, de Ray Bradbury, e a série de filmes De Volta para o Futuro.
Ambas estas abordagens, intimamente relacionadas, contém um elemento fundamental: a alteração do passado provoca a construção de um novo presente, e deste, claro, um novo futuro também brotará.
As obras
Em "Um Som de Trovão", a alteração do passado ocorre de maneira sutil, mas com consequências catastróficas. O simples pisar em uma borboleta durante uma expedição de caça a dinossauros no passado desencadeia uma série de eventos que culminam em um presente drasticamente modificado. A mudança é aparentemente insignificante, mas o "efeito borboleta" se manifesta em alterações na flora, fauna e até mesmo na política e na linguagem do presente. A lição aqui é clara: mesmo as menores ações no passado podem ter ramificações imprevistas e monumentais no futuro.
Em "De Volta para o Futuro", as alterações no passado são mais diretas e intencionais, geralmente motivadas pelas tentativas de Marty McFly de corrigir erros ou influenciar eventos. Seja impedindo que seus pais não se conheçam ou interferindo em eventos para ganho pessoal (como o almanaque esportivo), as mudanças no passado levam a presentes alternativos com consequências que variam do cômico ao perigoso. A série explora a ideia de linhas do tempo que se ajustam e se reescrevem, com personagens desaparecendo de fotografias ou o próprio presente se transformando gradualmente.
Em "Efeito Borboleta", a capacidade de alterar o passado é uma habilidade inata do protagonista, Evan Treborn, que pode revisitar suas memórias e mudar eventos específicos. Suas tentativas de corrigir traumas de infância, no entanto, invariavelmente levam a futuros distópicos e sombrios, onde suas intervenções bem-intencionadas têm consequências trágicas e inesperadas para ele e para as pessoas ao seu redor. O filme explora um determinismo sombrio, sugerindo que o passado é intrinsecamente ligado ao presente de maneiras complexas e que a tentativa de "corrigi-lo" pode gerar resultados piores.
A escala das consequências
"Um Som de Trovão": A Micro-Interferência com Macro-Resultados
Nesta obra, a escala das consequências é impressionante pela desproporção entre a causa e o efeito. O ato aparentemente trivial de matar uma única borboleta há milhões de anos desencadeia uma cascata de mudanças que transformam radicalmente o presente dos viajantes no tempo. As alterações não se limitam a um indivíduo ou a um pequeno grupo, mas afetam a ecologia (a ausência de certas plantas e a presença de outras), a zoologia (a evolução de novas espécies) e até mesmo a estrutura sociopolítica e a linguagem da civilização humana. A eleição de um líder autoritário e uma ortografia estrangeira são manifestações diretas dessa minúscula perturbação no passado. Bradbury explora a ideia de um universo intrinsecamente interconectado, onde cada ser vivo, por menor que seja, desempenha um papel crucial na tapeçaria do tempo. A escala das consequências serve como um alerta sobre a nossa responsabilidade, mesmo em ações que parecem insignificantes.
"De Volta para o Futuro": Do Pessoal ao Social, com Possibilidade de Correção
Em contraste, "De Volta para o Futuro" geralmente apresenta consequências em uma escala mais pessoal e social, afetando principalmente a vida de Marty McFly e sua família e a dinâmica da cidade de Hill Valley. As alterações no passado podem mudar a personalidade dos pais de Marty (tornando-os mais ou menos bem-sucedidos e felizes), a sua própria existência (ameaçada quando seus pais quase não se conhecem) ou o status social de personagens como Biff Tannen (que se torna um valentão rico e influente em uma linha do tempo alternativa). Embora as consequências possam ser amplas dentro desse microcosmo, a série também oferece a possibilidade de correção e restauração da linha do tempo original, ou pelo menos de uma versão considerada "melhor". A escala aqui é mais gerenciável e, em última análise, focada no impacto das ações dos personagens em seu entorno imediato.
"Efeito Borboleta": O Inferno Pessoal das Boas Intenções
"Efeito Borboleta" apresenta uma escala de consequências trágica e profundamente pessoal. As tentativas de Evan de corrigir eventos traumáticos de sua infância, mesmo com as melhores intenções de aliviar o sofrimento seu e de seus amigos, invariavelmente levam a futuros alternativos ainda mais sombrios e destrutivos para todos os envolvidos. As consequências se manifestam em vidas arruinadas, relacionamentos desfeitos, violência extrema e a própria sanidade de Evan em risco. A escala aqui é íntima e devastadora, focando no impacto das alterações em um círculo restrito de indivíduos. O filme sugere uma visão determinista onde o passado está tão intrinsecamente ligado ao presente que qualquer tentativa de "consertá-lo" gera um efeito cascata de resultados imprevistos e terríveis, muitas vezes confinando o protagonista a um ciclo de tentativas e fracassos cada vez mais dolorosos.
Inconsistências Lógicas: Navegando pelos Paradoxos do Tempo Ramificado
A premissa do tempo ramificado, embora fértil para a exploração narrativa, inevitavelmente esbarra em inconsistências lógicas, os famosos paradoxos temporais. A forma como "Um Som de Trovão", "De Volta para o Futuro" e "Efeito Borboleta" lidam com essas questões revela abordagens distintas à mecânica da viagem no tempo e suas consequências.
Em "Um Som de Trovão", Ray Bradbury evita mergulhar profundamente nos paradoxos. A causalidade é apresentada de forma relativamente linear: a morte da borboleta causa uma mudança no presente, mas não há uma exploração de como essa alteração retroage e afeta a própria viagem no tempo ou a existência dos viajantes. O foco está mais na responsabilidade ecológica e nas consequências não intencionais de nossas ações, mesmo as aparentemente triviais. A inconsistência lógica potencial (como os viajantes existirem em um presente alterado que foi causado por sua viagem ao passado) é deixada em segundo plano em favor da mensagem alegórica.
"De Volta para o Futuro" abraça as inconsistências lógicas com entusiasmo, utilizando-as como motor para a comédia e o drama. A possibilidade de Marty apagar sua própria existência ao interferir no encontro de seus pais é um exemplo clássico do paradoxo do avô. A série também introduz a ideia de linhas do tempo que se alteram visualmente (o desaparecimento gradual de Marty das fotos) e a noção de que o futuro não está escrito, podendo ser alterado pelas ações no presente (ou no passado). A lógica temporal da trilogia é, por vezes, flexível, servindo aos propósitos da narrativa e da criação de situações emocionantes e engraçadas. A explicação de Doc Brown sobre o continuum espaço-tempo e os perigos de perturbá-lo serve como uma metanarrativa para as próprias inconsistências lógicas da trama.
"Efeito Borboleta", por sua vez, explora as inconsistências lógicas de uma perspectiva mais sombria e determinista. As tentativas de Evan de corrigir o passado levam a uma série de realidades alternativas cada vez piores, sugerindo que o tempo possui uma teia causal tão intrincada que qualquer alteração significativa gera resultados catastróficos e imprevistos. O paradoxo final, onde Evan escolhe não nascer para evitar causar sofrimento, levanta questões sobre a possibilidade de desfazer o passado sem apagar o presente (e a si mesmo). O filme parece argumentar que o tempo é implacável e que nossas tentativas de manipulá-lo estão fadadas ao fracasso, presas em um ciclo vicioso de causa e consequência.
Implicações Filosóficas: Destino, Livre Arbítrio e a Responsabilidade Temporal
A ideia de um tempo que se ramifica e se altera com as intervenções no passado suscita profundas questões filosóficas sobre o destino, o livre arbítrio e a nossa responsabilidade pelas ações, tanto presentes quanto passadas. As abordagens de "Um Som de Trovão", "De Volta para o Futuro" e "Efeito Borboleta" oferecem perspectivas distintas sobre esses temas.
Em "Um Som de Trovão", a narrativa parece pender para uma visão determinista, onde o tempo é uma teia tão intrincada que mesmo a menor perturbação tem consequências vastas e inevitáveis. A morte da borboleta, um ato aparentemente insignificante, desencadeia uma série de eventos que culminam em um futuro distópico. Isso levanta a questão de se o livre arbítrio realmente existe em um universo onde cada ação, por menor que seja, está ligada a um resultado inevitável em escala cósmica. A responsabilidade dos viajantes reside em sua ignorância das forças sutis que governam o tempo e as consequências de sua intrusão.
"De Volta para o Futuro" explora uma visão mais otimista e flexível do tempo e do livre arbítrio. Embora as alterações no passado tenham consequências, a possibilidade de Marty e Doc de intervir e corrigir a linha do tempo sugere que o futuro não é fixo e que as escolhas individuais têm poder para moldá-lo. A série equilibra a ideia de um destino preexistente (os eventos que "deveriam" acontecer) com a capacidade dos personagens de desviar desse curso. A responsabilidade aqui reside em usar o conhecimento do passado e do futuro com sabedoria para criar um presente melhor, evitando interferências egoístas ou destrutivas.
"Efeito Borboleta" apresenta uma perspectiva sombria sobre o livre arbítrio e a responsabilidade temporal. As tentativas bem-intencionadas de Evan de alterar o passado invariavelmente levam a resultados trágicos, sugerindo que o passado é um fardo inescapável que molda o presente de maneiras complexas e incontroláveis. O filme parece argumentar que não temos o direito ou a capacidade de "consertar" o passado sem causar danos ainda maiores. A responsabilidade de Evan se torna a de aceitar as consequências de seus traumas e escolhas, chegando à conclusão de que sua própria existência é a fonte de sofrimento para aqueles que ama.
Determinismo versus Livre Arbítrio nas Ramificações do Tempo
A forma como cada narrativa lida com a possibilidade de alterar o passado inevitavelmente toca na eterna questão filosófica do determinismo versus o livre arbítrio. Se o tempo se ramifica a cada ação, isso implica que o futuro não é predeterminado, abrindo espaço para a agência individual. No entanto, as consequências dessas alterações, como vimos, variam drasticamente nas obras analisadas.
Em "Um Som de Trovão", a balança parece pender para o determinismo. A fragilidade do tecido temporal é tal que um ato minúsculo no passado desencadeia uma cadeia de eventos incontrolável, sugerindo que o presente (e o futuro) estão rigidamente ligados ao passado, mesmo em seus detalhes mais ínfimos. O livre arbítrio dos viajantes em suas ações no passado tem consequências que eles não poderiam prever ou controlar, indicando uma visão onde as leis causais são inflexíveis e abrangentes.
"De Volta para o Futuro" oferece uma perspectiva mais híbrida. Embora existam certos "pontos fixos" ou eventos que parecem resistir à alteração, os personagens têm uma capacidade considerável de influenciar o curso dos acontecimentos. As mudanças no passado levam a futuros diferentes, demonstrando um certo grau de maleabilidade e, portanto, de livre arbítrio. No entanto, as consequências nem sempre são as desejadas, e a necessidade constante de corrigir as linhas do tempo sugere que existe uma ordem natural que resiste a desvios drásticos, como se o tempo tivesse uma tendência a se "autocorrigir" dentro de certos limites.
"Efeito Borboleta" apresenta uma visão que se inclina para um determinismo sombrio. As tentativas repetidas de Evan de exercer seu livre arbítrio para melhorar o passado invariavelmente resultam em futuros piores, aprisionando-o em um ciclo de sofrimento. Isso sugere que o passado e o presente estão tão intrinsecamente ligados que qualquer intervenção, mesmo bem-intencionada, desencadeia consequências negativas inevitáveis. A aparente liberdade de Evan de alterar o passado é ironizada pelos resultados desastrosos, levantando a questão de se o livre arbítrio é uma ilusão quando confrontado com a complexidade e a rigidez das leis causais do tempo.
Responsabilidade Temporal: A Ética de Brincar com o Passado
A capacidade de viajar no tempo e alterar eventos passados levanta sérias questões éticas sobre a nossa responsabilidade em relação à linha do tempo e às consequências de nossas ações. As narrativas de "Um Som de Trovão", "De Volta para o Futuro" e "Efeito Borboleta" abordam essa responsabilidade de maneiras distintas.
Em "Um Som de Trovão", a responsabilidade é apresentada de forma severa e quase trágica. Os viajantes são explicitamente advertidos a não desviar do caminho preestabelecido e a não deixar nenhum vestígio de sua presença no passado. A violação dessa regra aparentemente simples, o ato de pisar em uma borboleta, acarreta consequências catastróficas para todo o futuro. A obra enfatiza a fragilidade do tempo e a enorme responsabilidade que acompanha a capacidade de interferir nele, mesmo que de forma aparentemente insignificante. A lição é clara: o passado deve ser tratado com extremo respeito, e qualquer alteração, por menor que seja, pode ter ramificações imprevisíveis e desastrosas.
"De Volta para o Futuro" explora a responsabilidade de uma maneira mais leve, mas ainda com advertências. As ações de Marty no passado, muitas vezes motivadas por curiosidade ou boas intenções, têm consequências que precisam ser corrigidas para evitar a destruição da linha do tempo ou a criação de futuros indesejáveis. Doc Brown serve como a voz da razão, constantemente alertando Marty sobre os perigos de alterar o passado e a importância de minimizar a interferência. A trilogia sugere que, embora seja possível moldar o futuro através de ações no passado, essa capacidade deve ser exercida com cautela e com a consciência das potenciais consequências negativas. A responsabilidade aqui reside em aprender com os erros e usar o conhecimento do tempo para o bem, sem ganância ou imprudência.
"Efeito Borboleta" apresenta a questão da responsabilidade de uma perspectiva desesperançosa. As tentativas de Evan de corrigir os traumas do passado, motivadas por um desejo de aliviar o sofrimento, invariavelmente resultam em futuros piores para ele e para as pessoas que ama. O filme parece argumentar que não temos o direito de brincar com o passado, pois as consequências de nossas intervenções são imprevisíveis e muitas vezes destrutivas. A responsabilidade de Evan se torna a de aceitar as cicatrizes do passado e, em sua decisão final, até mesmo sacrificar sua própria existência para evitar causar mais dor. A obra levanta a questão de se a melhor forma de responsabilidade em relação ao tempo não seria, por vezes, simplesmente deixá-lo em paz.
Algumas observações em nossa atual Física
Se existe uma "lei" em Física que tem se mostrado mais e mais confiável essa é a Conservação de Energia, a tal ponto que é denominado "Princípio Universal da Conservação da Energia". Esse "princípio", mostrando no termo que é uma afirmação sobre a qual pode-se construir um conhecimento científico com altíssima confiança enquadra-se no que Spencer chamou ao seu tempo de um "postulado científico". Ele é tão fundamental para a Física que entendemos cientificamente o mundo sempre o levando, ainda que nas entrelinhas, em conta, e percebemos erros em trabalhos científico quando ele é violado, como nos clássicos casos de "geração de energia infinita", ou, em relação também com a segunda lei da Termodinâmica, as invenções de "moto contínuo".
No caso do surgimento de novos universos com seus históricos e novos desenrolares de possibilidades futuras, percebamos que há a multiplicação desses universos, e haveria uma clara violação da conservação de energia. Embora aqui façamos apenas um discurso para apresentar problemas para essa "nova Física", baseada na Física que já temos, não estamos afirmando que tal não possa ocorrer, esse desdobramento de mundos e histórias, mas sim que temos de entender muito ainda do que seja a mais profunda textura do mundo, e em especial, o tempo.
Podemos fazer também outro raciocínio, sobre premissas que, claro, são discutíveis, mas que nos levam a mais problemas a serem tratados: podemos aplicar um princípio de natureza Copernicana à viagem no tempo. Dessa maneira, eu viajar para o passado é equivalente a fazer o universo inteiro, fora eu e minha máquina do tempo, digamos, a ser deslocado de sua posição no passado, vamos dizer de 1955 para 2025, ou de 66 milhões de anos atrás para hoje, para ser o envoltório - vamos usar universal, quase em ironia - de minha máquina no tempo. Reforçando a ideia: Um princípio de Relatividade, um princípio ainda mais de não haver ponto preferencial, sequer momento no tempo preferencial, um princípio nos mesmos raciocínios de Copérnico levados para o movimento, pode ser aplicado nas viagens temporais.
Nesse momento, vamos fazer um pouco de física de ensino médio: se eu necessito de uma tanto de energia para movimentar um carro no espaço, já na Fìsica Newtoniana, e o mesmo ocorre na Relatividade com suas “correções“ que levam ao tempo e espaço elásticos, nesse nosso pensar a máquina do tempo demandaria energia para se deslocar no tempo, e correspondentemente, o universo demandaria uma quantidade de energia proporcional a sua massa para deslocar-se no tempo “no outro sentido”. A ideia dessa impossibilidade de escala de energia é, para quem gostaria de ter uma solidez em Fìsica nas viagens no tempo, assustadora.
Por outro lado, podemos raciocinar com a visualização de uma viagem no tempo rumo ao futuro. O universo continua externamente à máquina no tempo rumando - ironia - a sessenta segundos por minuto rumo ao futuro, enquanto eu assisto o passar do tempo de uma posição extremamente lenta, como por exemplo 200 anos a cada segundo de minha poltrona, e lógico que nesse momento citaria “A Máquina do Tempo”, o romance de H. G. Wells, fundamental para o gênero. Nessa taxa (velocidade de distorção temporal), eu chegaria a 800 mil anos no futuro em pouco mais de uma hora, um dos momentos do romance. Mas observemos, que com a ajuda visual do filme de 2002, dos diretores Gore Verbinski e Simon Wells, bisneto de H.G.Wells, o personagem Alexander Hartdegen assiste de sua “bolha” de distorção temporal a evolução por século e tanto de Nova York, mas ele não é percebido “cristalizado” no seu proporcionalmente lento tempo pelo mundo externo à bolha, deixemos claro, o universo. Ele parece ali desaparecer, mas o raciocínio sobre esse fenômeno fantástico tem de receber essa observação: ele jamais saltaria, pois está se deslocando, da maneira análoga que vemos um carro se deslocar em uma estrada a cada certa distância percorrida, a cada fração de segundo de seu percurso. Noutras palavras, a viagem em direção ao futuro não elimina a presença em cada momento do universo que está sendo percorrido. Para o passado, o problema se agravaria, pois onde hoje estou digitando este texto, digamos há 50 milhões de anos atrás, poderia ser uma massa sólida de rochas próxima de onde hoje é o espigão da avenida Paulista, com formações ao norte ainda mais altas de uma muito mais alta que hoje formação da Serra da Cantareira.
Voltando “à mais simples” viagem para o futuro, mesmo a uma taxa de viagem para o futuro relativamente baixa como 1 ano por segundo, uma simples gota de chuva, que cai a 10 metros por segundo no universo “temporalmente normal”, com a proporção desses fatores, chegaria a cair à velocidade da luz sobre a bolha de minha máquina do tempo. Literalmente, uma explosão nuclear no impacto. Acredito que apenas esses cálculos simples já sejam base para um bom conto de ficção científica mais “hardcore”.
Extra
Isaac Asimov escreveu um conto que envolve uma partida de bilhar e explora algumas das implicações da Teoria da Relatividade Especial, "A Bola de Bilhar" ("The Billiard Ball"), publicado originalmente em 1967, publicada no Brasil na coletânea "Sonhos de Robô".
Nesse conto, a situação envolve a criação de um dispositivo antigravidade. A implicação relativística surge quando uma bola de bilhar entra no campo desse dispositivo, que teoricamente reduz sua massa a zero.
De acordo com a Teoria da Relatividade Especial de Einstein, objetos com massa zero devem viajar à velocidade da luz. No conto, quando a bola de bilhar entra no campo antigravidade e sua massa se aproxima de zero, ela adquire uma velocidade incrivelmente alta, próxima à da luz.
O resultado dessa "simples" tacada de bilhar com uma bola de massa quase nula e velocidade relativística é catastrófico, demonstrando de forma dramática algumas das consequências contraintuitivas da Teoria da Relatividade em relação à massa e à velocidade.
É um conto interessante que usa uma situação cotidiana como uma partida de bilhar para ilustrar conceitos complexos da física de uma maneira acessível e com um toque de mistério e suspense.