O Museu Oscar Niemeyer (MON) é um dos principais museus de Curitiba. Inaugurado em 2002, é um marco cultural da capital paranaense, além de ser uma das instituições muito ativas no campo da arte para além de São Paulo e Rio de Janeiro.
Inicialmente projetado por Oscar Niemeyer em 1967 para abrigar o Instituto de Educação do Paraná, o atual prédio principal do MON foi inaugurado em 1978 como Edifício Presidente Humberto Castello Branco. Entretanto, o prédio nunca chegou a abrigar o instituto, e na verdade foi usado para abrigar diversas secretarias do Estado do Paraná.
Em 2002, durante o mandato do então governador Jaime Lerner, começaram negociações para a transformação do espaço em um museu de arte. Tais negociações foram impulsionadas pelo governador, que também era arquiteto e urbanista, e culminaram na reestruturação do Edifício Castello Branco e na construção do anexo, hoje conhecido como "O Olho".
Foi em 22 de novembro de 2002, após seis meses de obras, que o espaço foi inaugurado como museu, com o nome de NovoMuseu.
FIGURA 1: Presidente Fernando Henrique Cardoso e Oscar Niemeyer na inauguração do NovoMuseu, em 2002. Alan Marques/Folha Imagem
Em 2003 foi renomeado como Museu Oscar Niemeyer, para homenagear o arquiteto que idealizou e projetou o museu, reconfigurando o antigo prédio das secretarias do estado em um museu que também se tornou um importante ponto turístico para a capital paranaense.
O edifício é um marco da arquitetura por apresentar dois períodos do pensamento arquitetônico de Niemeyer em um único espaço, mostrando sua trajetória como arquiteto no período entre os anos 1960 e 2000.
A mudança de nome da instituição ocorreu na gestão de 2003 a 2007 do Governador Roberto Requião de Mello e Silva. O Governador do Estado descreveu o que o levou a mudar o nome do museu:
"Em janeiro de 2003, recém empossado Governador do Paraná pela segunda vez, ao visitar o prédio vazio ao qual chamaram de Novo Museu, percebi a presença fortíssima de Oscar Niemeyer, vivo nas suas linhas singulares e sinuosas. Percebi que outro não poderia ser o nome daquele espaço. Nascia o Museu Oscar Niemeyer, homenagem ao grande arquiteto brasileiro, às vésperas da comemoração de seu centenário de vida." (MELLO E SILVA, 2008)
O MON nasce com a missão de divulgar a arte paranaense ao Brasil e ao mundo. Arte essa que não é tão conhecida pelo resto do país, o que reitera a importância dessa missão.
Em 1967, o arquiteto carioca Oscar Niemeyer projetou o prédio principal, que hoje em dia é parte do museu, para que fosse sede do Instituto da Educação do Paraná. O edifício foi inaugurado apenas em 1978, nomeado como Edifício Humberto Castello Branco e abrigava diversas Secretarias do estado do Paraná. Em 2000 iniciaram as discussões para a transformação do espaço em um museu de arte, o que levou a um novo contato com Niemeyer para a idealização de uma reestruturação do edifício. Além da reestruturação de seu projeto antigo, Niemeyer projetou uma nova estrutura, com forma elíptica que é conhecida como O Olho. (HERKENHOFF, 2008)
FIGURA 3: Construção da Torre do Olho. Divulgação Paranacidade
FIGURA 2: O arquiteto Oscar Niemeyer em frente ao museu homônimo. Nani Góis/Divulgação
O Olho é um símbolo da cidade de Curitiba e pode ser considerado como a ‘marca registrada’ do MON. Para seu projeto, Niemeyer se inspirou nas araucárias, símbolo do estado do Paraná. A estrutura do Olho permite que o visitante tenha contato com o exterior do museu, criando um diálogo entre ele e seu interior.
"O prédio, dito o Olho, projetado por Oscar Niemeyer é uma dupla metáfora e um elogio do olhar. Deparar-se com o monumental edifício é reiterar a própria experiência da visão. Do lado de fora, a forma é simbólica do olhar contemplativo diante da obra de arte. Suspensa sobre um lago, é um espelho dos sentidos. A obra de arte é a própria arquitetura. A arquitetura quase funcionaria como uma logomarca para um museu de arte. A forma escapa da metáfora vulgar porque o arquiteto projeta significados para os monumentos erguidos no tecido da cidade." (HERKENHOFF, 2008)
O site oficial do MON informa e especifica quais são e como estão dispostas as dependências do museu, sendo elas o prédio principal e a Torre do Olho. O prédio principal tem três andares, sendo eles o térreo, o primeiro piso e o subsolo. No térreo se encontra a entrada do museu, a bilheteria, a MON Loja, o MON Café e um espaço para eventos e recepções, além de ser o piso onde a passarela principal chega. No primeiro piso estão 9 salas expositivas. No subsolo se encontra o Espaço Niemeyer, que tem uma exposição permanente dos projetos, fotos e maquetes das obras do arquiteto, salas administrativas, Espaço da Ação Educativa, onde ocorrem oficinas e cursos, Pátio das Esculturas, Reserva Técnica, Laboratório de Conservação e Restauro e também é onde se encontra a passagem do prédio principal para a Torre do Olho. A torre abriga o salão principal de exposições, além de 3 salas destinadas à exposição de fotografias.
O Museu Oscar Niemeyer é considerado o maior da América Latina em extensão, por contar com um espaço de cerca de 35 mil metros quadrados, além de mais de 17 mil metros quadrados de área para exposições.
O acervo do MON foi inicialmente constituído por obras vindas do Museu de Arte do Paraná (MAP), do Museu do Banco do Estado do Paraná (Banestado), do Badep (Banco de Desenvolvimento do Paraná), pelo próprio acervo do NovoMuseu e também por obras doadas por artistas.
O MAP foi criado em 1987, com o intuito de abrigar obras de artistas paranaenses, e sua primeira sede foi no edifício São Francisco, onde permaneceu até 2002, ano que foi transferido para a Casa Gomm onde permaneceu até o momento que seu acervo pudesse ser passado ao NovoMuseu. Nessa ocasião mais de 1300 obras do MAP foram transferidas, entre elas estavam estudos, esboços, documentos e materiais de uso profissional de artistas, que abrangiam desde o final do século XX até o século 1960. (BANCO SAFRA, 2015)
O Museu Banestado foi inaugurado em 1987 e tinha como objetivo preservar a memória do banco, ele funcionou até 2000, quando o banco foi privatizado e seu acervo repassado ao Banco Itaú, que então o doou para a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (Seec). Em 2002, a Seec transferiu o acervo ao NovoMuseu, com cerca de 800 obras. (BANCO SAFRA, 2015)
Em sua inauguração o NovoMuseu contava com as seguintes exposições:
Figura 8: Folder da exposição. Base7
A trajetória de Niemeyer - beleza, humanismo e liberdade
Figura 9: Folder da exposição. Base7
Matéria-Prima
Curadores: Lisette Lagnado e Agnaldo Farias
Figura 10: Folder da exposição. Base7
Uma História do Sentar
Curadora: Adélia Borges
Figura 11: Folder da exposição. Base7
Curitiba - Inovação e Solidariedade
Figura 12: Folder da exposição. Base7
Panorama da Arte Paranaense - Acervo do Estado do Paraná
Organizada por: Maria Cecília Araújo de Noronha, Ennio Marques Ferreira, Fernando Bini e João H. do Amaral
Figura 13: Folder da exposição. Base7
Personagens e Paisagens Mexicanas
Curador: Enrique Franco Calvo
Das exposições ocorridas na inauguração do MON, a única internacional era Personagens e Paisagens Mexicanas.
O intuito do museu era formar a melhor coleção de arte paranaense e produzir uma articulação com a arte brasileira. Atualmente uma de suas missões é apoiar e divulgar a arte do Paraná, o que é importante para revelar ao país uma produção rica que não é popular fora do estado. (BANCO SAFRA, 2015)
Atualmente o museu possui cerca de 9 mil obras, nas áreas de artes visuais, arquitetura e design, em seu acervo, sendo elas nacionais e internacionais
Durante os anos, o MON promoveu diversas mostras focadas em artistas paranaenses ou atuantes no campo artístico do estado. Em 2003, foi promovida uma mostra de Miguel Bakun, que tem sua arte caracterizada “pela sensualidade do tratamento da matéria pictórica” (HERKENHOFF, 2008, p. 77). Um Olhar Sobre a Arte Paranaense (2003), com curadoria de Jair Mendes; Natureza Viva - Paisagens do Paraná (2003) , organizada por Suely Deschermayer e Solange Rosenmann, e Fragmentos de Modernidade - Acervo Museu Oscar Niemeyer (2006), com curadoria de Maria José Justino, Ennio Marques Ferreira, Fernando Bini, Fernando Velloso e Geraldo Leão foram exposições que movimentaram o acervo do museu e rearticularam a arte do Paraná. (HERKENHOFF, 2008, p. 71)
A exposição Tomie Ohtake - Na Trama Espiritual da Arte Brasileira (2004), curada por Paulo Herkenhoff, que itinerou por São Paulo (Instituto Tomie Ohtake) e pelo Rio de Janeiro (Museu Nacional de Belas Artes), ao chegar no Paraná, passou a englobar artistas do estado, com o intuito de demonstrar as modalidades da ocorrência de preocupação espiritual no próprio desenvolvimento da arte no Estado no século XX.
Em 2005, o museu realizou a exposição Helena Wong, trajetória de uma paixão, com curadoria de Fernando Velloso, com obras da artista Helena Wong, nascida na China, mas passou grande parte de sua vida artística em Curitiba.
Em 2006, um conjunto de mostras de artistas paranaenses ou vinculados ao estado do Paraná foi realizado, incluindo Nego Miranda - Paraná de Madeira, Francisco Faria - Desenhos, Expedição Coração do Paraná de Orlando Azevedo, Estanislau Trape (organizada por Domício Pedroso e Suely Deschermayer) e Reinhard Maack - A história ambiental do Paraná. (HERKENHOFF, 2008, p. 71)
Essa mostra revelou a grande quantidade de obras da artista no acervo do museu. Em 2007, ocorre a revisão da obra de Guido Viaro, figura marcante do modernismo paranaense que, ao lado de artistas como João Turin, Poty Lazarotto, Alfredo Andersen, De Bona, Bakun e Bruno Lechowski, forma uma geração que rompe com o isolamento da arte paranaense.
A missão do museu faz com que artistas paranaenses sejam celebrados e vistos pelo Brasil e mundo, mostrando a importância do campo artístico local para todos. A instituição também faz parte da rota das grandes exposições nacionais e internacionais, o que auxilia na vinda de mostras importantes, como pinturas de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti; esculturas de Degas; gravuras de Goya, Picasso e Escher; fotografias de Haruo Ohara, Sebastião Salgado, Frida Kahlo; obras de artistas contemporâneos como Os Gêmeos, Nuno Ramos, Leda Catunda. (BANCO SAFRA, 2015, p. 28)
Essa diversidade de exposições auxilia os agentes do campo artístico local, uma vez que esse acesso a diferentes obras e artistas, com diferentes experiências, enriquece o saber artístico e pode ser fonte de inspiração.
Diversas exposições foram exibidas exclusivamente no MON ao virem pro Brasil, algumas delas são: Simply Droog (2005), da Holanda, com curadoria de Astrid Harnold; Paisagem Entorno e Retorno (2008), com pinturas de artistas como Tintoretto, Renoir e Monet, do Museu Soumaya do México, com curadoria de Héctor Palhares Meza; entre outras. Também houve exposições que tiveram o MON como seu ponto de partida no país, como por exemplo Antanas Sutkus - Um Olhar Livre (2012), do fotógrafo lituano, com a curadoria de Luiz Gustavo Carvalho, na sala 8, além de exposições que foram executadas pela equipe do museu, como por exemplo Múltiplo Leminski.
Algumas das exposições mais visitadas do museu foram: Múltiplo Leminski (2013), com a curadoria de Alice Ruiz, no Salão Principal, Olho; A Magia de Escher (2013), com a curadoria de Pieter Tjabbes, nas salas 1 e 2; Frida Kahlo, as suas Fotografias (2014), com a curadoria de Pablo Ortiz Monasterio, na sala 3. A exposição João Turin - Vida, Obra e Arte (2014), com a curadoria de Teixeira Leite, no Olho, em especial, ganhou o prêmio de melhor exposição do ano.
De acordo com o site do MON, no ano de 2021 o museu recebeu em média 17 mil visitantes e teve um público total de 212.493 pessoas, teve 15 exposições, sendo 3 delas internacionais, 2 itinerantes e 10 nacionais, porém foi um ano que teve seu funcionamento afetado por conta da pandemia da COVID-19.
FIGURA 14: “Da Vinci Experience e suas Invenções.” José Fernando Ogura/AEN
FIGURA 15: OSGEMEOS: Segredos. José Fernando Ogura/AEN
FIGURA 16: África, Expressões Artísticas de um Continente. José Fernando Ogura/AEN
Além de ser fundamental para o circuito artístico de Curitiba, o museu é importante para a sociedade uma vez que promove a formação na arte, além da preservação dos patrimônios históricos, artísticos e culturais. Também presta serviços à comunidade, desenvolvendo atividades para famílias, criando oficinas, cursos, seminários e capacitações para alunos e professores. É também um importante ponto de encontro e lazer, tanto dentro de sua estrutura como em seus arredores, uma vez que diversas famílias visitam o local em finais de semana ou feriados, seja para apreciar as obras do museu ou para apenas ficar no gramado do local, popularmente conhecido como Parcão. O museu é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, recebendo turistas de todas partes do Brasil e do mundo.
HERKENHOFF, Paulo. Museu Oscar Niemeyer: 2003 a 2007. Curitiba: Museu Oscar Niemeyer, 2008.
BANCO SAFRA. Museu Oscar Niemeyer. São Paulo: Banco Safra, 2015.
Museu Oscar Niemeyer. Texto sobre o mapa do museu. Disponível em: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/visite/mapa-mon. Acesso em 19 de maio de 2022.
______. Texto institucional sobre o museu. Disponível em: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/institucional/sobre-mon. Acesso em 19 de maio de 2022.
______. Balanço anual do número de visitantes do museu. Disponível em: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/institucional/balanco. Acesso em 19 de maio de 2022.
MAGANHOTTO, Clarette de Oliveira. É um olho ou uma visão cultural? In: https://www.revistamuseu.com.br/site/br/artigos/18-de-maio/18-maio-2016/234-e-um-olho-ou-uma-visao-cultural.html. Acesso em 19 de maio de 2022.
VAZ, Adriana. O Museu Oscar Niemeyer e seu público: articulações entre culto, o massivo e o popular. Curitiba, 2011. 377 f. Tese (Doutorado em Sociologia) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná. (Porque vocês não usaram efetivamente essas referências em seu texto, isso faz uma falta enorme em termos de pesquisa)
TOMIE Ohtake na Trama Espiritual da Arte Brasileira: exposição comemorativa dos 90 anos da artista. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento527308/tomie-ohtake-na-trama-espiritual-da-arte-brasileira-exposicao-comemorativa-dos-90-anos-da-artista. Acesso em: 07 de julho de 2022.
Figura 1: https://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/p_20071118-niemeyer13.shtml. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 2: https://www.gazetadopovo.com.br/haus/arquitetura/o-olho-de-curitiba-livro-nani-gois-lancamento-fotografias-ineditas-construcao-mon/. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 3: https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Obra-do-Paranacidade-MON-foi-erguido-em-seis-meses-de-trabalho-ininterrupto. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 4: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/visite/mapa-mon. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 5: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/visite/mapa-mon. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 6: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/visite/mapa-mon. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 7: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/visite/mapa-mon. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 8: http://www.base7.com.br/portfolio/ver/24. Acesso em 7 de julho de 2022.
Figura 9: http://www.base7.com.br/portfolio/ver/27. Acesso em 7 de julho de 2022.
Figura 10: http://www.base7.com.br/portfolio/ver/21. Acesso em 7 de julho de 2022.
Figura 11: http://www.base7.com.br/portfolio/ver/22. Acesso em 7 de julho de 2022.
Figura 12: http://www.base7.com.br/portfolio/ver/25. Acesso em 7 de julho de 2022.
Figura 13: http://www.base7.com.br/portfolio/ver/23. Acesso em 7 de julho de 2022.
Figura 14: https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Museu-Oscar-Niemeyer-estara-aberto-ao-publico-durante-o-Carnaval. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 15: https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Museu-Oscar-Niemeyer-estara-aberto-ao-publico-durante-o-Carnaval. Acesso em 19 de maio de 2022.
Figura 16: https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Museu-Oscar-Niemeyer-estara-aberto-ao-publico-durante-o-Carnaval. Acesso em 19 de maio de 2022.