Dia Internacional da Língua Materna
A língua mais importante é a língua materna. É rica em amor, afetos, amizade e carinho. É rica em tradições, lendas e fábulas. É rica em memória e saudade. Há muito tempo que é assim, muito antes do nascimento da escrita.
A língua materna nunca foi, como erradamente se ensinava há algumas décadas, “a língua do país onde se nasceu”. Pelo contrário, é a língua que aprendemos desde o berço, a de quem nos ensinou a falar, seja a nossa mãe, os nossos pais ou quem nos criou. Por isso, há crianças que nasceram em Paris e que têm pronúncia nortenha e outras que nasceram em Lisboa e falam com pronúncia africana.
Quem domina a sua própria língua materna, já adquiriu conhecimentos e experiência suficientes para aprender outras línguas. Fazer um esforço para comunicar numa língua que não é a nossa num país estrangeiro não significa aniquilar a língua materna. Mas quantas vezes, em meio escolar, é permitido a um aluno estrangeiro orgulhar-se da sua língua materna?
Devido ao crescente multiculturalismo na sociedade atual, alunos de várias nacionalidades e com diferentes línguas maternas frequentam a escola. É uma prioridade educar para a tolerância, para a integração e acolhimento de alunos de outras etnias. Além de ensinarem a língua portuguesa, essa é a grande preocupação dos docentes de Português Língua Não Materna (PLNM).
Nas diversas escolas do AEPA, os alunos celebraram o Dia Internacional da Língua Materna fazendo trabalhos sobretudo cartazes bilingues. Estiveram envolvidos muitos alunos de muitas turmas dos diversos anos escolares do AEPA. Todas as atividades tiveram como objetivos realçar e reconhecer a importância da diversidade linguística e cultural na comunidade escolar e sensibilizar os alunos para a tolerância e respeito pelos outros.
Em vários locais das escolas foram expostos cartazes, elaborados pelos alunos, com textos e fotos que ilustram a cultura e outros elementos que eles escolheram divulgar sobre os seus países de origem. Além disso, alguns cartazes afixados nas portas das salas de aula permitiram veicular palavras – por exemplo: amor, amizade, liberdade, respeito, igualdade, poesia… – traduzidas em ambas as línguas: a portuguesa e a língua materna dos alunos estrangeiros.
Na EB Carlos Paredes, alguns alunos pesquisaram frases e poesia de autores da sua nacionalidade, declamando-as na rádio escolar Paredes à Escuta, dinamizada pelo professor Luís Petisca. Deste modo, e também com o apoio do aluno Mamadu (7.º ano), os alunos puderam partilhar esta iniciativa, via spotify, com familiares que vivem em qualquer parte do mundo. E bem sabemos como as saudades apertam o coração...
O balanço desta atividade é muito positivo, pois os alunos manifestaram interesse e empenho no decurso das atividades, ficando muito satisfeitos com a exposição final dos seus trabalhos, umas vez que sentiram que o seu idioma foi valorizado perante a comunidade escolar.
Deixamos como sugestão a leitura e audição da canção Ke Ki Mininu Na Tchora de José Carlos Schwarz (1949-1977), poeta e músico da Guiné-Bissau.