A. Augusto de Sousa, augusto.sousa@fe.up.pt
O ano Jacobeu foi definido por disposição Papal, na Idade Média (Papa Calixto II, 1122 e confirmado posteriormente pelo Papa Alejandro III, 1179, na Bula "Regis aeterni"), e celebra-se sempre que o respetivo dia 25 de Julho, dia de Santiago, coincide com um domingo. A periodicidade do evento é de 6, 5, 6 e 11 anos e, num ano Jacobeu, ocorre usualmente um aumento significativo do número de peregrinos.
Grandes festejos religiosos marcam o início de um ano Jacobeu, na noite de 31 de dezembro, assim como o seu encerramento, na tarde de 31 de dezembro seguinte. Fazem parte destes festejos a abertura e o encerramento da Porta Santa da Catedral de Santiago.
A porta Santa encontra-se na fachada Nascente da catedral e encontra-se usualmente encerrada, abrindo somente em anos Jacobeus. Diz-se que o peregrino que passe pela Porta Santa, que se confesse e que assista à missa e comungue, tem direito a indulgência plena (perdão de todos os pecados).
O ano 2021 foi um ano Jacobeu. No entanto, o ano foi marcado negativamente pela situação pandémica COVID 2019, havendo por todo o mundo restrições, entre outras, à realização de viagens. Esta situação marcaria negativamente o ano Jacobeu e as peregrinações a Santiago de Compostela, pelo que o Papa Francisco, por decisão da Penitenciária Apostólica, anunciou que o ano Jacobeu seria prorrogado para o ano 2022.
Abaixo, juntei algumas reportagens relacionadas com as cerimónias descritas de abertura e de encerramento da Porta Santa, respetivamente em dezembro de 2020 e em dezembro de 2022.
Abertura da Porta Santa da Catedral de Santiago de Compostela a 31 de dezembro de 2020.
Trata-se de uma cerimónia a que eu bem gostava, um dia, de assistir! Em condições normais, a Porta Santa ficaria aberta durante um ano, enquadrada nas celebrações do "Ano Jacobeu 2021". Excecionalmente, e devido à situação pandémica que se viveu, manteve-se durante dois anos, voltando a encerrar a 31 de dezembro de 2022.
Esta sequência inclui também, a reposição do "Botafumeiro" que tinha estado inativo devido às obras de restauro da Catedral de Santiago de Compostela.
Aqui se apresenta uma gravação da cerimónia de encerramento ("peche") da Porta Santa. A cerimónia é complexa, iniciando-se com parada militar para receção de autoridades, nomeadamente da representação da coroa, seguida de cerimónia religiosa, na catedral, que inclui também o "Botafumeiro". Algures a meio da cerimónia, o arcebispo compostelano Julián Barrio ausenta-se da catedral pela porta das Pratarias e regressa transpondo a Porta Santa, encerrando-a, simbolicamente, de seguida.
Uma descrição noticiosa do evento pode ler-se em Notícia do Concello de Santiago.
Da G24.gal, incluo duas notas de reportagem com curiosodades relacionadas: os últimos peregrinos que passaram a Porta Santa neste ano Jacobeu; os sinos (e respetivos nomes) da Catedral de Santiago foram tocados manualmente, depois de 30 ou 40 anos, por 14 membros da Asociación Cultural Campaneiros de Galicia.
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