A inspiração para o surgimento do DUA foi a projeção de edifícios e espaços públicos pela arquitetura baseada no design universal, que visa a garantia de acesso a todos, sem qualquer limitação. A partir do princípio da acessibilidade para todos, independentemente de suas condições, surge a ideia de integrar esse conceito ao processo de ensino e aprendizagem, a fim de que o ensino seja pensado para atender as necessidades de todos.
Nessa perspectiva, o Design Universal para Aprendizagem é uma proposta que pode contribuir significativamente com o professor, pois norteia a prática docente com o objetivo de remover barreiras relacionadas ao ensino e à aprendizagem, através da utilização de diversos recursos que permitem aos alunos acessarem os conteúdos propostos.
Tendo como objetivo apoiar os educadores no sentido da acessibilidade curricular, com base no entendimento de que cada aprendiz é diferente, esses três princípios foram desenvolvidos pelo CAST (2018), com base nos estudos das redes neurais que apoiam a aprendizagem.
Nosso cérebro é formado por um conjunto de redes que são conectadas. A aprendizagem é um processo que envolve o uso de três dessas redes e cada uma delas corresponde a uma área do cérebro. São elas: redes de reconhecimento (localizada nos Lobo Parietal, Occiptal e Temporal), redes de estratégias (localizadas no Lobo Frontal) e redes afetivas (localizadas no Sistema Límbico).
De acordo com a neurociência, essas três redes não funcionam exatamente da mesma forma em todas as pessoas, uma vez que podem apresentar capacidades ou fragilidades em áreas diferentes, daí afirmar-se que cada aluno é diferente.
Os três princípios do Design Universal para Aprendizagem partem do pressuposto de que os estudantes são diferentes uns dos outros. Portanto, eles diferem em seus interesses, na maneira como podem ser motivados, na forma como captam as informações que chegam até eles, na forma como manifestam aquilo que já sabem e na maneira como participam das propostas oferecidas.
A partir dessa base teórica, as propostas do processo de ensino e aprendizagem oferecidas precisam contemplar as diferentes características apresentadas pelos aprendizes. Nesse sentido, por meio do DUA, busca-se apoiar o educador na perspectiva das diferentes formas de ensinar a todos os educandos, minimizando as adaptações curriculares específicas para determinados alunos.
Um dos princípios aponta para a consideração de modos múltiplos de envolvimento dos aprendizes. Baseia-se na premissa de que os alunos apresentam interesses diferentes e que, portanto, são motivados de diferentes formas. Sendo assim, o professor deve utilizar diferentes estratégias e promover diversas ações, que despertem o interesse dos estudantes, favorecendo, assim, o envolvimento de todos e de cada um em sua singularidade.
Outro princípio do Design Universal para Aprendizagem é trabalhar com os modos múltiplos de representação. Este princípio presume que os estudantes recebem e entendem as informações de maneiras diferentes uns dos outros, por isso o docente deve preocupar-se em apresentar assuntos e conteúdos em diferentes meios e formas.
Considerando que, independentemente do tipo de apresentação, uma forma ou um padrão não contemplará a todos os educandos, é fundamental que o professor utilize diferentes alternativas na mesma proposta (imagens, áudio, vídeo, escrita, etc.), para que seja possível a compreensão e o conteúdo apresentado seja acessível a todos.
Por fim, apresenta-se outro princípio – proporcionar modos múltiplos de ação e expressão. Isto implica na consideração de que cada criança se manifesta e participa das propostas de uma maneira diferente. Sendo assim, o professor precisa proporcionar diferentes meios que possibilitem aos aprendizes se expressarem à sua maneira.
As sugestões propostas pelos princípios do Design Universal para Aprendizagem podem ser utilizadas em qualquer disciplina, de forma que desafiem, estimulem e envolvam todos os aprendizes, garantindo acesso e promovendo a participação dos mesmos nas propostas oferecidas pelos professores (CAST, 2018). Além disso, o objetivo do DUA é adequar o ambiente e não mudar o aluno, o ambiente deve favorecer o envolvimento de todos, de forma que a aprendizagem se torne significativa.
O Design Universal para Aprendizagem, conforme Meyer, Rose e Gordon (2014), considera que as habilidades dos indivíduos se modificam constantemente, pois elas só existem em função do encontro entre o indivíduo e o meio pelo qual participa. A partir de dados revelados por pesquisas recentes, os autores mencionam
[...] que nenhuma qualidade ou habilidade reside inteiramente dentro de um indivíduo, nem em seu cérebro, nem em seus genes. Nem são estáticos e fixos. As qualidades e habilidades pessoais mudam continuamente, e elas existem não dentro do indivíduo, mas na interseção entre o indivíduo e seu ambiente, em um vasto, complexo e dinâmico equilíbrio em constante mudança. Cada indivíduo varia ao longo do tempo, e as respostas entre indivíduos para o mesmo ambiente também variam (MEYER; ROSE; GORDON, 2014, p. 45, tradução nossa).
Portanto, com a aplicação do DUA é possível oferecer uma estrutura que facilite o aprendizado a um maior número de estudantes, tanto por meio de um ambiente que favoreça as interações, como por meio de propostas diversificadas que contemplem diferentes caraterísticas individuais.