Os primórdios
BREVE RESUMO DA HISTÓRIA DA IGREJA BAPTISTA DA GUARDA
O testemunho do Evangelho na cidade da Guarda teve início na década de 40, do século passado, com a chegada de uma senhora chamada Maria Celeste Torres, vinda dos Estados Unidos da América, onde ouviu o Evangelho e se converteu ao Senhor, fixando residência nesta cidade, onde o seu marido, António Torres Santos, taxista de profissão, tinha um lugar na praça de táxis. Esta irmã na fé tinha família na aldeia da Corujeira. Ali, sempre que visitava a sua família, que ali residia, começou a testemunhar da sua fé em Jesus Cristo, a ensinar as doutrinas bíblicas e a corrigir os ensinamentos antibíblicos da religião católica. Nesta aldeia, a perseguição foi muito feroz, com o povo alvoroçado, instigado pelo padre, juntamente com as autoridades locais. Muitos moradores, empunhando ferramentas agrícolas e pedras, ameaçavam os crentes, sempre que algum Pastor ali se deslocava para uma visita e para a realização dos cultos, na casa daquela família, onde todos os elementos da família se converteram ao Senhor. Todos eles, à exceção das crianças, integraram o grupo dos irmãos fundadores da Igreja Baptista da Guarda.
A irmã D. Celeste Torres, em obediência ao imperativo dado pelo Senhor Jesus, partilhou a mensagem do Evangelho com uma senhora, chamada Luciana Rosa Antunes, que lhe tinha alugado uma parte da sua casa, na cidade. Esta irmã, D. Luciana Rosa Antunes, aceitou, a Jesus como seu Salvador.
Entretanto, tinha chegado à cidade uma senhora de origem inglesa, de nome, ou sobrenome Keen (não é conhecido se seria nome ou apelido), que exercia a função de dama de companhia da esposa do Dr. Ladislau Patrício, médico natural e residente nesta cidade. Estas três irmãs em Cristo, Maria Celeste Pires, Keen e Luciana Antunes começaram, então, a reunir-se para lerem a Palavra de Deus e orarem, na primeira “sala” de cultos, na cidade - o quarto da irmã Luciana que, com alegria e gratidão, no dia dedicado à celebração do culto ao Senhor, tirava a cama, proporcionando o espaço para, ali, poderem servir ao Senhor. Na noite seguinte à realização do culto, tinha que se recolher num pequeno cubículo, contíguo ao quarto maior.
Entretanto, o marido de Celeste Torres adoeceu, tendo sido internado no Sanatório da Guarda, onde, após doença prolongada, acabou por falecer. O seu funeral permitiu a realização do primeiro culto público na cidade, tendo sido convidado, para a realização do funeral, Joaquim Eduardo Machado, na altura, Pastor na Igreja Baptista de Viseu. Pelo facto de ter sido a primeira vez que, na cidade da Guarda, se efetuava um funeral evangélico, foi grande a afluência e inúmeros os comentários acerca desta cerimónia. Nesse mesmo dia, foi o Pastor Machado convidado a vir, todos os meses, à Guarda, pregar o Evangelho.
De entre os novos convertidos, é digno de nota o esforço e dedicação de uma irmã, D. Angelina Monteiro, cujo ganha-pão consistia em fazer recados, de casa em casa. Sempre que lhe davam alguma coisa, geralmente víveres, partilhava com a irmã Luciana, a qual se tinha prontificado a preparar as refeições do Pastor Machado, sempre que visitava estas crentes e dirigia os cultos.
Novos frutos surgiram e, com o assentimento da Igreja Baptista de Viseu, onde era, agora, Pastor, o irmão Joaquim Lopes de Oliveira, visto o Pastor Joaquim Eduardo Machado ter rumado à cidade do Porto, no dia 17 de fevereiro de 1946, houve a primeira sessão deliberativa para a organização do trabalho do Senhor da Missão Baptista da Guarda, na altura, missão da Igreja Baptista de Viseu, constituída por dez membros: Maria Celeste Torres, Luciana Rosa Antunes, António da Costa, Angelina Monteiro, Alexandrina da Conceição, Maximina da Costa, Ernesto Augusto, Alexandrina de Jesus, Maria Josefina Martins e Carolina da Costa Cabral.
Em visita feita pelo missionário João Jorge de Oliveira, por essa altura, foi prometida ajuda, para o sustento de um Pastor residente. O Pastor Joaquim Lopes de Oliveira veio, então, residir para a Guarda, ocupando, no início, ele e a sua esposa, o pequeno sótão, emprestado, da casa da irmã Luciana.
Ali, embora sendo uma casa particular, muitas vezes eram, por pessoas instigadas pelas hostes católicas, retirados os fusíveis do contador da luz e quebradas as lâmpadas da entrada, pois era a “casa dos protestantes”. Por vezes, o Pastor Oliveira recebia cartas convidando-o para ir ao parque da cidade falar da sua fé, mas cujo propósito era, efetivamente, o de o espancarem, segundo o relato, posterior, de algumas testemunhas. Ainda naquele quarto, agora com alguns bancos, sendo desnecessário pedir cadeiras às vizinhas, como acontecera anteriormente, o testemunho do Evangelho, e a realização de cultos ao Senhor, continuava.
Entretanto, chegou a ajuda financeira prometida, da Junta de Missões e Evangelismo da Convenção Baptista Brasileira. Esta ajuda era vocacionada para o sustento pastoral e para o arrendamento de instalações onde a Igreja pudesse realizar o trabalho do Senhor – 200$00 mensais. Assim, o pastor Oliveira arrendou uma casa na Rua da Liberdade, nº 2. No primeiro andar, estava situado o salão de cultos, e uma outra sala para uma classe da Escola Bíblica Dominical, sendo as restantes divisões destinadas a habitação do Pastor e sua família, que, aqui residiriam durante oito anos.
No dia 19 de outubro de 1947, foi convocado o concílio para a organização da Igreja Baptista da Guarda, com a presença dos seguintes irmãos: missionário João Jorge de Oliveira, Pastor Luís Caetano Lourenço, Pastor Joaquim Lopes de Oliveira e o missionário, em Angola, Manuel Ferreira Pedras, os quais constituíram o Concílio. Os irmãos que pediram as suas credenciais à Igreja Baptista de Viseu, da qual faziam parte, e integraram a Igreja da Guarda foram: Maria Celeste Torres, Luciana Rosa Antunes, Alexandrina da Conceição, Alexandrina Martins, Maximina da Costa, Angelina Monteiro, Ernesto Augusto, António da Costa. Foi feito apelo à consciência cristã e exortados os crentes ao cumprimento do “Pacto das Igrejas Baptistas”, o qual foi lido pelo missionário João Jorge de Oliveira. Nesta mesma sessão, foi eleito, como Pastor, o irmão Joaquim Lopes de Oliveira.
Durante os anos do pastorado de Joaquim Lopes de Oliveira, este ia, na sua bicicleta a pedal, que lhe tinha sido oferecida, visitar crentes nas povoações de Folgosinho e Nespereira, no concelho de Gouveia, localidades onde houvera Igrejas que, entretanto se desintegraram, vindo todos esses irmãos a integrar a Igreja na Guarda . Em virtude da distância, do mau estado das estradas e da fragilidade da bicicleta, estas visitas eram autênticas aventuras. Em algumas noites, as crentes, preocupadas com a hora tardia, viam-se obrigadas a alugar táxis, para irem ao encontro do Pastor Oliveira, apeado, vezes sem conta, vítima de um furo ou alguma avaria mais grave na sua frágil e velha bicicleta.
Aqui, passou o Pastor muitas privações, dada a escassez das ajudas recebidas, agora com uma família formada pelo casal e sete filhos, alguns deles, aqui, nascidos.
Entretanto, a ajuda financeira deixou de chegar, tendo sido a Igreja convidada a abandonar as instalações na Rua da Liberdade e o Pastor Oliveira obrigado a regressar a Viseu, uma vez ter sido eleito para Pastor daquela Igreja. Sem recursos financeiros, a Igreja da Guarda teve que transportar o púlpito, os bancos e o órgão de fole, enviado por João Jorge de Oliveira, regressando ao quarto da irmã Luciana, prontificando-se a Igreja a compensá-la com a quantia de 100$00 mensais.
Depois de muitos anos no quarto da irmã Luciana, porque ninguém queria alugar aos protestantes, apareceu, para arrendamento, um rés-do-chão. O arrendatário da casa, renitente, foi falar com um tio, padre, que o sossegou, afirmando serem os crentes, boas pessoas. Assim, foi arrendado o rés-do-chão, pela quantia de 300$00. Para tornar o local mais acolhedor, uma das famílias onde o Evangelho achou guarida, a família Pires, sempre generosa, prestável e dedicada à causa do Senhor, comprou e ofereceu, para as novas instalações da Igreja, um candeeiro e os cortinados.
A partir deste momento, as visitas do Pastor Joaquim Lopes de Oliveira eram muito escassas, vindo, apenas, para a celebração da Ceia do Senhor e realização das sessões de igreja. A partir desta altura, para que o testemunho do Evangelho não morresse, foi o trabalho assegurado por uma jovem irmã, Emília da Conceição Monteiro Alves. Esta senhora foi a única serva do Senhor que assegurou o trabalho, durante os prolongados períodos sem a visita de um Pastor, até ao ano de 1958.
No ano de 1958, o jovem Horácio José Cipriano, seminarista no Seminário Teológico de Leiria, que frequentes vezes era convidado para vir pregar o Evangelho na Igreja, após ter terminado os estudos, foi convidado para vir dirigir os trabalhos, aqui, na Igreja, tendo sido consagrado ao ministério da Palavra no dia 19 de março de 1959. Aqui permaneceu durante dois anos. Em sessão de Igreja, no ano de 1961, foi à Igreja feita a promessa de que, em troca da saída do Pastor Horácio Cipriano para pastorear a Igreja Baptista de Mangualde, receberia a quantia de 100 000$00, para a ajuda de uma nova casa, dinheiro que, infelizmente, nunca chegou.
A Igreja ficava, mais uma vez, sem Pastor residente. Assumiu, então, no dia 3 de março de 1961, o pastorado da Igreja, o Pastor Luís Caetano Lourenço, a residir em Leiria, onde era professor no Seminário Teológico Baptista. Visitava a Igreja, sempre que lhe era possível, em viagem de comboio desde Pombal, para a celebração da Ceia do Senhor e a realização das sessões da Igreja, em visitas programadas de três em três meses. O seu pastorado, na Igreja, terminou em 11 de agosto de 1976.
Nessa sessão de Igreja, foi eleito, como Pastor da Igreja, Adolfo Matias Pinto, Pastor na Igreja Baptista de Leomil. Como o Pastor residia naquela localidade, deslocava-se aqui, uma vez por mês, acompanhado por um filho adolescente e por um condutor, pois inicialmente não era portador de carta de condução, no velhinho Morris 10, que àquela Igreja tinha sido doado por crentes de uma igreja nos Estados Unidos. Nos domingos da visita, durante a tarde, visto o culto, a celebração da Ceia do Senhor e a sessão de Igreja terem lugar à noite, visitava os crentes residentes na aldeia de Corujeira, que, de forma amável e hospitaleira, após a pregação do Evangelho, sempre preparavam uma merenda com o melhor que tinham.
Tendo terminado os seus estudos teológicos, dada a necessidade de um obreiro residente, em sessão de Igreja realizada em 10 de janeiro de 1982 foi deliberado convidar, para assegurar o trabalho, na qualidade de obreiro residente, o irmão Joaquim Emanuel Martins Pinto. Em sessão regular realizada no dia 21 de março de 1982, apresentou este irmão a sua Carta de Recomendação, vindo da Igreja Baptista de Leomil para ser admitido como membro da Igreja Baptista da Guarda. Aqui, permaneceu durante sete anos, como obreiro, dando continuação aos seus estudos teológicos e, desde logo, ao ensino e doutrinamento da Igreja, áreas que apresentavam algumas lacunas, dada a impossibilidade dos Pastores, em tempo tão reduzido, de proverem a Igreja do ensino doutrinário de que esta necessitava. No dia 13 de junho de 1987, reuniu o Concílio examinador do obreiro Joaquim Emanuel Martins Pinto, constituído pelos Pastores Adolfo Matias Pinto, Luís Caetano Lourenço, João Serafim Regueiras, Graciano Dias Rodrigues, José Lopes, Herlânder Mário da Conceição Felizardo, João Manuel dos Santos e Horácio José Cipriano. Após o Concílio Examinador, teve lugar o culto de tomada de Posse do novel Pastor Joaquim Emanuel Martins Pinto, como Pastor da Igreja Baptista da Guarda, terminando o seu pastorado, nesta Igreja, o irmão Pastor Adolfo Matias Pinto.
A Igreja tem mantido, desde o seu início, ao longo dos tempos e de gerações de crentes que o Senhor tem trazido, o mesmo desejo de crescer no conhecimento da Palavra de Deus, mantendo-se firme nas doutrinas bíblicas, fiel aos ensinos bíblicos, como uma Igreja neotestamentária, nunca abdicando da proclamação da verdade do Evangelho, firme, igualmente, no testemunho tão necessário para uso e glória do Senhor numa cidade orgulhosamente marcada pelo catolicismo e pelas doutrinas antibíblicas que defendem.
A Igreja, consciente do seu compromisso missionário, tem, ao longo de toda a sua história, mantido ativos pontos de pregação. Ao longo dos anos, crentes residentes fora da cidade, em localidades como, Corujeira (concelho da Guarda), Gaia (concelho de Belmonte), Almeida (concelho de Almeida), Folgosinho e Nespereira (concelho de Gouveia), têm oferecido as suas casas para a realização do trabalho do Senhor, durante o tempo de vida que o Senhor lhes concede.
Celebração do primeiro culto público
O funeral do marido de Celeste Torres permitiu a realização do primeiro culto público na cidade, tendo sido convidado, para a realização do funeral, Joaquim Eduardo Machado (na foto ao lado), na altura, Pastor na Igreja Baptista de Viseu.
Pelo facto de ter sido a primeira vez que, na cidade da Guarda, se efetuava um funeral evangélico, foi grande a afluência e inúmeros os comentários acerca desta cerimónia.