(EF08HI20) Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas.
O que a escravidão significou para a sociedade brasileira?
O que hoje em dia ainda é culpa da escravidão?
Como podemos diminuir as distâncias sociais entre brancos e negros no Brasil?
Sabemos que mais de 4 milhões de africanos foram sequestrados e trazidos à força para o Brasil durante o período Colonial e Imperial, para serem vendidos por portugueses e trabalhar escravizados em lavouras de cana ou na mineração, principalmente.
Mesmo após a Lei Áurea, de 1888, que proibia a prática de escravização, população negra não foi inserida na sociedade. Muito pelo contrário, os negros eram deixados de lado, havia uma alta taxa de desemprego entre essa população e mal tinham condições para o seu próprio sustento.
Muitos ex-senhores começaram a mobilizar as autoridades para reprimirem os libertos sob os argumentos de vadiagem e vagabundagem, e os alvos eram, principalmente, os libertos mais “insubordinados”. Outros senhores acionavam a Justiça para garantirem a tutoria dos filhos de libertas, a fim de que elas permanecessem. Outros simplesmente ameaçavam seus ex-escravos, impedindo-os de mudarem-se.
Os libertos, de imediato, manifestaram que não mais aceitariam os tratamentos que lhes eram dedicados anteriormente. Muitos não aceitavam mais trabalhar para seus senhores sem o pagamento de um salário, e até mesmo a forma como tratavam seus ex-senhores mudou.
O racismo é o ato de discriminar, isto é, fazer distinção de uma pessoa ou grupo por associar suas características físicas e étnicas a estigmas, estereótipos, preconceitos. Essa distinção implica um tratamento diferenciado, que resulta em exclusão, segregação, opressão, acontecendo em diversos níveis, como o espacial, cultural, social. Conforme definição do Artigo 1º do Estatuto da Igualdade Racial:
“Discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada”.
Ações afirmativas são políticas públicas focais voltadas para grupos que sofrem discriminação étnica, racial, de gênero, religiosa. As políticas afirmativas têm como objetivo promover a inclusão socioeconômica de populações historicamente privadas do acesso a oportunidades.
Elas podem ser:
bolsas
auxílios
reserva de vagas prioritárias em programas de habitação
creche
empréstimos
redistribuição de terras
cotas em diversos níveis de ensino e em concursos públicos
estímulo à contratação de indivíduos de grupos sociais discriminados
fundos de estímulo
preferência em contratos públicos
Para povos:
povos indígenas
quilombolas
ciganos
ribeirinhos
As ações afirmativas desempenham importante papel no combate à desigualdade social e às segregações. Elas permitem que pessoas de origens distintas alcancem espaços de influência no âmbito educacional, político, econômico, socioprofissional e cultural. Não se trata de concessão de benefícios ou privilégios, mas da efetivação de direitos assegurados pela Constituição.