Por que devemos falar "escravizados" e não "escravos"?
Como as pessoas escravizadas se tornavam nesta condição?
Como elas chegavam ao Brasil?
Quem as trazia para o Brasil?
Quais eram suas formas de resistência?
Quando falamos a palavra "escravo", consideramos a "pessoa escrava" como sendo somente isso, não portando outras atribuições, qualidades, interações, inclinações, etc., não entendemos todo o universo que existe em torno dessa pessoa.
Por exemplo, eu sou professor, porque eu estudei e quis ser professor. Mas não sou só isso, sou também pesquisador, sou ciclista, sou filho, sou irmão, etc.
Além disso, temos que lembrar que o "escravo" é colocada neste lugar, não sendo uma opção dela aceitar esta condição, mas algo que é imposto e lhe é obrigado. Totalmente diferente do que relatei acima.
Por isto, consideramos melhor o termo escravizado ou escravizada. Pois contém o sentido que alguém escravizou aquela pessoa, através de uma prática violenta e exploratória.
Os africanos foram escravizados e utilizados em trabalhos domésticos e urbanos, mas, sobretudo, foram utilizados na lavoura, principalmente, no cultivo da cana-de-açúcar e também nas minas, quando foram descobertos metais e pedras preciosas em Minas Gerais, Cuiabá e Goiás.
Engana-se, porém, quem acredita que os africanos foram escravizados passivamente, pois os historiadores sabem que inúmeras formas de resistência dos escravos foram desenvolvidas.
A resistência à escravidão por meio das revoltas buscavam, muitas vezes, corrigir excessos de tirania dos senhores, diminuir o nível de opressão ou punir feitores excessivamente cruéis.
Muitas pessoas têm uma imagem de que os escravizados africanos aceitavam a escravização de maneira passiva, mas eles organizaram-se de diferentes maneiras para colocar limites à violência a que eram submetidos no seu cotidiano.
Entre as diferentes formas de resistência dos escravizados podem ser mencionadas as fugas coletivas, ou individuais, as revoltas contra feitores e seus senhores (que poderia ou não ter o assassinato desses), a recusa em trabalhar, a execução do trabalho de maneira inadequada, criação de quilombos e mocambos etc.