Os romanos conviveram com muitos povos estrangeiros que não falavam nem grego nem latim, por isso foram chamados de bárbaros. Com eles, os romanos mantiveram relações ora cordiais, ora conflituosas, sobretudo quando os bárbaros passaram a invadir, em ondas sucessivas, os domínios do império.
Os grupos que cruzaram as fronteiras imperiais eram basicamente de origem eslava e germânica. O historiador romano Tácio (55-120 d.C.), que observou os germânicos por aproximadamente quatro anos, deixou um dos mais completos relatos da vida, da cultura e dos costumes das tribos que ocupavam o território entre os rios Reno e Danúbio, corresponde à Alemanha e à Áustria atuais.
Segundo Tácito, os germânicos desconheciam o poder centralizado no Estado e a vida em cidades. A vida social centrava-se na tribo ou no clã, estrutura social em que as pessoas estão unidas por laços de parentesco. Nas tribos germânicas, o guerreiro era o elemento de maior prestígio social, tanto que as decisões mais importantes da tribo eram tomadas em assembleias de guerreiros.
A economia germânica tinha como base a agricultura e a pecuária. Essas atividades eram desempenhadas basicamente pelo grupo familiar, embora o trabalho de escravos domésticos ou temporários (pessoas escravizadas por dívidas) se somasse ao dos homens livres. Não havia propriedade privada da terra. Os líderes das tribos distribuíam as terras entre as famílias, que plantavam e colhiam em grupos. Além disso, os germânicos praticavam a caça e a pesca e recorriam muitas vezes à pilhagem para atender às necessidades da tribo.
Os aspectos culturais e religiosos estavam diretamente vinculados ao espírito guerreiro da sociedade. Os germânicos não possuíam unidade religiosa nem templos. Tácito descreve ritos religiosos ocorridos ao ar livre, nos bosques ou nas montanhas. Os sacrifícios humanos e de animais eram geralmente orientados pelos chefes das famílias ou das tribos.
BRAICK, Patrícia Ramos & MOTA, Myriam Becho. História das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo – 2013 - Ed. Moderna