Em virtude do desaparecimento da autoridade imperial, durante a Idade Média, o cristianismo passou a ser o único elo capaz de garantir certa unidade cultural ao Ocidente Europeu. Entre os séculos V e X, os representantes da Igreja cristã no Ocidente procuravam angariar o apoio político das novas cortes romano-germânicas, bem como realizar a conversão das populações urbanas e rurais. Para isso, contava com a atuação de seus clérigos.
A organização hierárquica da Igreja era constituída por membros dos cleros secular – padres e bispos, responsáveis pelas paróquias e dioceses (bispados) – e regular – monges e abades vivendo em mosteiros e abadias.
A vida monástica surgiu no Oriente por volta do século III. Lá místicos eremitas buscavam a fuga da vida terrena e se refugiavam em mosteiros, onde passavam a vida em contemplação e penitência, fazendo votos de castidade, pobreza e obediência.
No Ocidente, admite-se que o monasticismo surgiu por volta de 529, época em que Bento de Núrsia, mais tarde São Bento, fundou um monastério em Monte Cassino. Durante a Alta Idade Média, a ordem dos beneditinos serviu como modelo para as demais ordens monásticas.
Os mosteiros se constituíam em austeras comunidades religiosas responsáveis pela conversão das populações rurais. Como centros de estudo, oração e devoção, também abrigavam monges copistas, que trabalhavam na preservação de obras clássicas da Antiguidade. Manuscritos ilustrados, iluminuras e outras obras de arte eram produzidos e conservados nas bibliotecas e oficinas monásticas.
Com o decorrer dos séculos, contudo, as abadias sofreram a interferência do poder político dos grandes senhores feudais, o que contribuiu para o desregramento da vida nos mosteiros.
Na Alta Idade Média, o paganismo – designação dada pelos cristãos à antiga religião politeísta de gregos, romanos e outros povos – exerceu considerável influência sobre o cristianismo. Da necessidade de converter populações inteiras surgiram formas sincréticas de religiosidade, que incluíam mitos, fórmulas mágicas e objetos sagrados em santuários, oratórios e rotas de peregrinos cristãos.
Referência
MORENO, Jean & VIEIRA, Sandro. História: Cultura e Sociedade – Memória das Origens – Curitiba, 2013. Ed. positivo