Cientistas confirmaram que um disco de bronze gunmetal descoberto na costa do Omã em 2014 é o astrolábio mais antigo já conhecido, de acordo com um novo artigo.
David Mearns
EXPANSÃO ULTRAMARINA EUROPEIA
O GRANDE APELO DO DESCONHECIDO
Quando falamos de expansão ultramarina europeia, devemos considerar a coragem e o espírito de aventura dos homens envolvidos nessa empreitada. O medo de tudo o que era desconhecido, como o de poder cruzar a linha do Equador sem morrer queimado, as doenças que acometiam a tripulação ou o risco de ser atacado por monstros marinhos não impediam as grandes expedições marítimas. O desejo de conhecer “as maravilhas” narradas pelos poucos homens que puderam viajar para o Oriente naquela época, o sonho de riqueza e a meta cruzadista eram mais fortes que os temores diante do desconhecido.
Na Europa daquele período, os relatos de viagens e os textos de pesquisadores mesclavam realidade e fantasia. O livro das maravilhas, do italiano Marco Polo, por exemplo, apresentava aos europeus a possibilidade de conquistar riquezas e locais paradisíacos, onde havia os melhores frutos da terra, o mais belo jardim e diversas fontes com bicas que jorravam vinho, leite e mel.
Os mitos que cercavam o homem moderno e que estiveram presentes no movimento ultramarino dos séculos XV e XVI tinham suas origens na mentalidade medieval, que relacionava o mito e a busca pelo Paraíso aos objetivos de cristianização de povos longínquos e à procura de riquezas. Essa tradição mítica medieval foi fertilizada na modernidade pelo imaginário que cercava a aventura do além-mar.
As grandes viagens de exploração que se iniciaram no século XV foram possibilitadas pelo avanço da cartografia e da tecnologia marítima, com a invenção da caravela e o aperfeiçoamento dos mapas e de instrumentos como a bússola e o astrolábio.
O conhecimento cartográfico a partir do século XV passou a significar poder e múltiplas vantagens para os Estados modernos, como o de Portugal, que no final do século XV liderava a confecção de mapas. O Estado detinha o monopólio do conhecimento cartográfico sob a forma de manuais de navegação, conhecidos como portulanos. Esse domínio se manteve até o momento em que navegadores e cartógrafos começaram a ser contratados por reinos e companhias de navegação rivais.
BRAICK, Patrícia Ramos & MOTA, Myriam Becho. História das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo – 2013 - Ed. Moderna