A CHEGADA DE CRISTÓVÃO COLOMBO A AMÉRICA
O mundo é um ovo de Colombo
"Descobrimentos: a aventura da criação do mundo" é o tema de capa da Revista de História de setembro. Passados 500 anos da chegada de Colombo à América, ainda não há um consenso sobre perdas e os ganhos decorrentes das grandes navegações
Rodrigo Elias e Alexandre Belmonte - 1/9/2012
Depois de uma série de peripécias, um homem chega esbaforido a uma praia, onde embarca para fugir de um continente até então desconhecido. Durante a fuga, encontra embarcações que, ao contrário dele, estão chegando. Ele pergunta ao capitão desavisado qual o seu nome, ao que este responde: “Colombo”. O fugitivo retruca com ironia: “Boa sorte...”
A história fantasiosa é um sonho do compositor e cantor Bob Dylan, registrado em música de 1965. No entanto, passados mais de 500 anos da primeira viagem do genovês, que nunca soube ter chegado à América, ainda não existe um consenso sobre as perdas e os ganhos com aquele encontro. Para os nativos americanos, esta ampliação dos domínios cristãos foi uma tragédia. Para uma parcela dos europeus, por sua vez, foi uma oportunidade sem precedentes de enriquecimento. Lances espetaculares, naufrágios, trapaças, mal-entendidos, paixão pelo desconhecido, vitórias e derrotas formam este mundo em expansão desde o século XV, aberto por Portugal e Espanha, e nunca mais fechado.
Se hoje vivemos em uma “aldeia global”, é bom lembrar as aventuras que a criaram: do sucesso de Vasco da Gama, herói que integrou a Europa à Ásia, à trajetória de James Cook, que chegou ao Havaí numa época ruim do calendário religioso local e acabou pagando com a própria vida – prova de que nem sempre descobrir é caso de sorte.
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