Permite medir a proporção na redução de casos da doença entre as pessoas vacinadas. Essa proporção é comparada com as pessoas não vacinadas.
Essa medida é usada quando um estudo é realizado em condições ideais de controle, como aquelas presentes nos estudos clínicos.
Essa é a informação que foi fornecida pelos fabricantes de vacina, quando pediram a autorização das agências reguladoras (ANVISA, FDA, EMA, etc) para seu uso. Isso correspondeu ao final da chamada fase II de estudos da vacina.
Da mesma forma que a eficácia, a Efetividade também visa descrever a redução de casos da doença entre pessoas vacinadas, quando comparado com as pessoas não vacinadas.
Entretanto, diferentemente da Eficácia, a Efetividade é usada quando um estudo é realizado em condições típicas de campo, sem estar em condições ideia de controle.
Essa é a informação que pode ser obtida durante a aplicação das vacinas na população, em condições emergenciais. Corresponde à capacidade de redução da doença promovido pela vacina, quando em aplicação no campo. Essa é a etapa conhecida como fase III de estudos da vacina, e seus resultados definitivos só serão conhecidos ao final dessa fase.
A fórmula de cálculo é a mesma. O que muda é o período do estudo de onde são obtidos os dados.
Em primeiro lugar, calcula-se o risco de adoecer entre as pessoas vacinadas e o risco de adoecer entre as pessoas não vacinadas. Esse risco corresponde ao percentual de pessoas doentes entre os vacinados e ao percentual de pessoas doentes entre os não vacinados.
Com esses percentuais, determina-se o percentual de redução do risco de adoecer, dividindo-se o percentual de pessoas doentes e vacinadas pelo percentual de pessoas doentes e não-vacinadas. Quanto menor for esse número, mais efetiva foi a vacina. Esse fator é conhecido como risk ratio (RR).
A eficácia ou efetividade da vacina será obtido pela expressão: 1 - RR
Suponhamos um estudo em que foram vacinados 4.023 pessoas e receberam placebo um grupo de controle com 3.945 pessoas. Suponhamos que tenha sido identificado 475 pessoas doentes entre os vacinados e 1.692 pessoas doentes entre aquelas que receberam o placebo.
O risco de adoecer entre os vacinados foi de 475 / 4023 = 0,118 (ou 11,8%)
O risco de adoecer entre os que receberam placebo foi de 1692 / 3945 = 0,429 (ou 42,9%)
O RR será obtido pela divisão entre os dois riscos: 11,8 / 42,9 = 0,275 (ou 27,5%)
Portanto, a eficácia da vacina será: 1 - 0,275 = 0,725 (ou 72,5%)
As pessoas vacinadas tem um risco 72,5% menor de adoecerem do que se não se vacinarem.
Os cálculos de eficácia/efetividade só tem sentido se o risco entre vacinados for menor do que entre não vacinados. Caso o risco entre vacinados seja maior do que entre não vacinados, a eficácia/efetividade serão valores negativos.
Uma eficácia/efetividade de 100% significa que nenhuma pessoa vacinada adoeceu.
O método aqui proposto foi desenvolvido para a aplicação sobre os dados de um único hospital/UTI e, portanto, é uma aproximação. Esses dados, por corresponderem a uma única amostra, não tem representatividade estatística.
Para um resultado mais preciso da efetividade de uma vacina, deve-se recorrer a um número maior de amostras. Nesse caso, é necessário obter-se a informação de vários hospitais/UTIs, seguido do cálculo da Efetividade de cada um deles conforme o método apresentado, e então recorrer ao cálculo estatístico dos valores obtidos (médias, variâncias, intervalos de confiança, etc).
Desenvolvimento da expressão da Efetividade
A expressão final da Efetividade é a seguinte:
Onde:
E: Efetividade
PDV: Percentual de pessoas Doentes (no hospital), Vacinadas;
PDN: Percentual de pessoas Doentes (no hospital), não vacinadas;
PV: Percentual da população vacinada.