A história de Brodowski está diretamente ligada à ocupação do chamado Sertão do Rio Pardo, região que começou a ser explorada no século XVIII com a abertura do Caminho dos Goyazes por Bartholomeu Bueno da Silva Filho, o segundo Anhanguera. Entre 1722 e 1725, ele percorreu a rota entre São Paulo e o território dos índios Goyazes, no atual estado de Goiás. Esse trajeto seguia antigas trilhas indígenas e já havia sido percorrido anteriormente, por volta de 1682, por seu pai, o primeiro Anhanguera, em busca de ouro.
Ao longo desse caminho, foram criados diversos pousos que, com o tempo, deram origem a cidades como Campinas, Mogi-Mirim, Batatais e Franca. Durante o século XIX, as sesmarias concedidas ao longo do trajeto passaram a ser ocupadas por famílias vindas do Sul de Minas Gerais. Muitas fazendas foram fundadas sertão adentro, afastando-se do velho caminho, já então conhecido como Estrada de Goyaz, impulsionando o povoamento da região entre Campinas e o Rio Grande.
Nesse período, a economia rural era baseada principalmente na produção de alimentos e criação de gado. Contudo, com a expansão da cultura do café, surgiu a necessidade de escoar a produção de forma mais eficiente do que o transporte por tropas de mulas e carretões.
Em resposta a essa demanda, a partir de 1873 teve início a construção de ramais da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, ligando Campinas a diversas cidades da Alta Mogiana. Os trilhos atravessaram terras da Fazenda Belo Monte, entre Jardinópolis e Batatais. Em 1886, o proprietário da fazenda, coronel Lúcio Enéas de Melo Fagundes, ofereceu à Companhia uma área de terras para a instalação de uma estação ferroviária — proposta acolhida pelo então inspetor geral Alexandre Brodowski, engenheiro responsável pela obra. A estação foi inaugurada em 1894, com pátio de manobras e armazém, recebendo o nome Engenheiro Brodowski em homenagem ao responsável técnico.
Ao redor da estação cresceu um povoado que viria a se transformar na cidade de Brodowski. O crescimento acelerado da vila levou à sua elevação a Distrito Policial em 1899, à criação do Distrito de Paz em 1902 e, posteriormente, à sua emancipação político-administrativa em 1913. A instalação oficial do município ocorreu em 18 de janeiro de 1914.
Desde os primeiros anos, o Cel. Fagundes foi figura central na urbanização da área, realizando o primeiro parcelamento de terras em frente à estação e construindo a primeira residência do povoado. Pouco depois, surgiram os primeiros comércios e novas construções — muitas delas promovidas por ele próprio — que impulsionaram o desenvolvimento da localidade. Outros proprietários, como o Capitão Américo José Ferreira, também contribuíram com loteamentos e doações de terrenos para espaços públicos como o cemitério e a Igreja Matriz. Em 1897, o engenheiro Manoel Honório de Oliveira Pinho elaborou a primeira planta oficial da cidade, organizando o crescimento urbano.
Embora inicialmente voltada para o escoamento da produção cafeeira, Brodowski ficou conhecida, na década de 1970, como a “Capital Brasileira do Abacaxi”. Atualmente, a cidade não cultiva mais a fruta em larga escala, mas mantém um entreposto de comercialização que movimenta a economia local, mantendo viva a fama do produto.
Mais do que sua vocação agrícola, Brodowski destaca-se pela sua importância cultural e histórica, como terra natal do pintor Candido Portinari. A cidade preserva com orgulho sua memória ferroviária, seu patrimônio arquitetônico e sua relação com a trajetória artística do mestre modernista, consolidando-se como um verdadeiro território da memória do interior paulista.