O interesse por práticas mais equilibradas do ponto de vista ecológico cresce a cada dia, e a busca por alternativas menos poluentes se tornou uma das principais pautas globais.
Nesse cenário, o transporte ferroviário se destaca como um dos meios mais eficientes e sustentáveis. Se no passado os trens eram vistos como parte da poluição gerada pela industrialização, hoje eles representam uma alternativa inteligente e alinhada à sustentabilidade.
Mesmo utilizando óleo diesel, as locomotivas poluem muito menos do que caminhões e ônibus, por exemplo. Isso porque têm alta capacidade de carga ou de transporte de passageiros, o que reduz o número de veículos nas estradas e o consumo de combustível por tonelada transportada.
De acordo com o portal Mundo Logística (2025), o Brasil conta com cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, mas cerca de 7,3 mil km estão sem uso. Ainda assim, o modal rodoviário domina a matriz de transportes, respondendo por mais de 66% da movimentação de cargas no país, enquanto as ferrovias representam cerca de 18%.
A vantagem da ferrovia está também na eficiência energética. Enquanto um caminhão percorre 34 km com um litro de combustível, uma locomotiva pode transportar uma tonelada por 204 km com a mesma quantidade.
Tecnologias mais sustentáveis já estão em desenvolvimento, como locomotivas elétricas, movidas a baterias ou a biocombustíveis. Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), as ferrovias respondem por apenas 1,41% das emissões de CO₂ no transporte de cargas no Brasil, contra 92,43% do transporte rodoviário.
Além de menos poluentes, os trens ajudam a reduzir o congestionamento nas estradas, contribuindo para a preservação de áreas urbanas e naturais, evitando novas obras de expansão viária.
As ferrovias ainda podem gerar impactos sociais positivos, especialmente quando conectam áreas urbanas e rurais, melhorando o acesso a serviços essenciais como saúde, educação e emprego. Elas também contribuem para revitalizar regiões degradadas e fomentar o desenvolvimento urbano sustentável.
Apesar de tantas vantagens, o transporte ferroviário no Brasil ainda enfrenta desafios, principalmente no transporte de passageiros. A falta de investimentos, a baixa manutenção da malha existente e a concorrência com outros modais dificultam sua ampliação. Além disso, há influência de setores econômicos que preferem o transporte rodoviário.
Ferrovia Vitória-Minas.
Pensando nisso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) criou, em 2024, o Programa de Sustentabilidade para Rodovias e Ferrovias Federais, estabelecido pela Resolução nº 6.057. O programa incorpora princípios de sustentabilidade aos contratos de concessão — novos e antigos — com critérios ambientais, sociais e de governança (ESG). Com três níveis de adesão voluntária, o programa estabelece metas progressivas de desempenho sustentável e criou o Índice de Desenvolvimento de Sustentabilidade (IDS) para medir os avanços das concessionárias. Os temas incluem responsabilidade ambiental, segurança, trabalho digno e infraestrutura resiliente.
A governança do programa será feita por dois comitês — um para rodovias e outro para ferrovias — formados por representantes do governo e de entidades do setor. Concessionárias que aderirem poderão receber incentivos regulatórios e utilizar recursos por meio de debêntures incentivadas.
Com investimentos estimados em R$ 94,2 bilhões até 2026, o programa reforça o compromisso do Brasil com um sistema de transporte mais moderno, eficiente, sustentável e alinhado aos desafios ambientais e sociais do século XXI.