O transporte ferroviário no Brasil começou no século XIX, com o objetivo de facilitar o escoamento da produção agrícola e mineral. A primeira ferrovia do país foi a Estrada de Ferro Mauá, inaugurada em 1854 entre o Rio de Janeiro e Petrópolis, durante o ciclo do café. Idealizada por Irineu Evangelista de Souza (o Barão de Mauá) e inaugurada por Dom Pedro II, essa linha conectava o porto da Baía de Guanabara ao interior, integrando transporte por navio e trem.
Lançamento da pedra fundamental da Estrada de Ferro Mauá em Fragoso Rio de Janeiro 29 de agosto de 1852. Wikimedia Commons (Domínio Publico).
Estação Barão de Mauá da Estrada de Ferro Leopoldina, av. Francisco Bicalho, cidade e município do Rio de Janeiro. Acervo Carlos Luis M C da Cruz (Wikimedia Commons).
Ao longo das décadas seguintes, as ferrovias se tornaram essenciais para o desenvolvimento econômico e a integração territorial do Brasil. Nos anos 1920, a malha ferroviária atingiu quase 30 mil quilômetros. Porém, a crise de 1929 afetou as exportações, principalmente de café, e o sistema ferroviário entrou em declínio.
Na tentativa de recuperar o setor, o governo de Getúlio Vargas deu início à estatização parcial das ferrovias, criando, em 1957, a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). Nessa época, a rede já somava mais de 37 mil km. As ferrovias ganharam força no transporte de minérios, mas, com o tempo, perderam espaço para o transporte rodoviário, favorecido pela chegada de montadoras de automóveis e pela construção de grandes rodovias, especialmente em torno da nova capital, Brasília.
Hoje, o Brasil possui cerca de 30 mil km de ferrovias, de acordo com a ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), o que representa cerca de 20% do transporte de cargas do país.
Mesmo com essa extensão, muitos trechos ferroviários estão degradados e mal distribuídos. A região Sudeste concentra 47% das ferrovias, enquanto o Norte e o Centro-Oeste juntos somam apenas 8%. Ainda assim, o setor começa a se reerguer com projetos de grande porte, que priorizam o escoamento de cargas em longas distâncias.
As principais ferrovias atualmente em destaque são:
Ferrovia Norte-Sul (4.155 km) – liga o Maranhão a São Paulo
Ferrovia Transnordestina (1.757 km) – liga o Piauí aos portos de Pernambuco e Ceará
FIOL – Ferrovia de Integração Oeste-Leste (1.527 km) – conecta a Bahia ao Tocantins
Estrada de Ferro Vitória a Minas (905 km) – entre o Espírito Santo e Minas Gerais
Estrada de Ferro Carajás (892 km) – no Pará e Maranhão
Ferrovia do Pantanal (734 km) – entre São Paulo e Mato Grosso do Sul
Ferrovia São Luís–Teresina (454 km) – entre Maranhão e Piauí
Essas ferrovias são estratégicas para o agronegócio e a mineração, operando em conjunto com rodovias e, em alguns casos, com hidrovias. Os principais produtos transportados por trem hoje são:
Minério de ferro: 71,4%
Soja: 5,9%
Milho: 4,6%
Açúcar: 2,8%
Celulose: 2,2%
Apesar da importância do setor, ainda há desafios: trechos incompatíveis entre si, trilhos com diferentes padrões, burocracia ambiental, altos custos de implantação e necessidade de novas leis para garantir segurança jurídica e atração de investimentos.
Por outro lado, o transporte ferroviário é mais seguro, econômico e sustentável. É ideal para transportar grandes volumes, com menor impacto ambiental e menos risco de acidentes ou congestionamentos.
O Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), do Governo Federal, estabeleceu como meta elevar a participação das ferrovias na matriz de transporte brasileira de 20% para 30% até 2026 — podendo chegar a 47% até 2035, segundo o Plano Nacional de Logística (PNL).
Com investimentos adequados e planejamento de longo prazo, o Brasil pode fazer do transporte ferroviário um dos pilares para um futuro mais eficiente, equilibrado e sustentável.