Esta seção reúne propostas educativas pensadas para aproximar escolas de seus territórios, despertando em crianças e jovens a curiosidade pelo lugar onde vivem, suas histórias, memórias e patrimônios.
As atividades aqui apresentadas convidam a aprender com o que está ao redor — seja uma fotografia antiga, um objeto cotidiano ou um espaço da cidade — valorizando a diversidade cultural e ambiental como parte da formação cidadã.
Ao aprender a pertencer, reconhecemos que cuidar da nossa história e do nosso ambiente é também construir um futuro mais consciente, sustentável e conectado com nossas raízes.
Será que os lugares "falam"? O que uma fachada, um objeto ou uma sala podem nos dizer sobre quem mora ou trabalha ali? Esta atividade propõe investigar a identidade dos espaços.
Objetivo
Refletir sobre o que um lugar pode comunicar com relação a sua própria construção e a seu conteúdo.
Encaminhamento
1. Peça que os alunos recortem imagens de fachadas de diferentes lugares, como: casas de várias classes econômicas, supermercados, lojas, museus, hospitais, prédios oficiais, empresariais e de moradia, escolas, fábricas e outras.
2. Distribua as imagens que trouxeram para cada dupla. Peça que as duplas registrem, em forma de texto descritivo, como é a fachada do lugar retratado nas imagens que receberam. Na mesma folha, além da descrição, a dupla vai escrever sobre quem supostamente vive ou trabalha ali, como vivem ou trabalham e se o lugar é ou não uma moradia.
3. Organize os alunos em grupos e coloque as imagens a vista de todos, no centro da roda. Em seguida, peça que cada dupla leia seu texto para o grupo e, com base na descrição, o grupo tentará identificar as imagens à qual cada texto se refere.
4. Encaminhe um debate perguntando se é possível pensar que um lugar pode comunicar algo e o que? Pergunte se eles têm objetos em seu quarto que os identifique com seu jeito de ser. Será que os lugares podem ter suas próprias identidades.
Sugestão de filme
A Cidade é uma Só? (2011, Adirley Queirós) – Um olhar crítico sobre o espaço urbano e as desigualdades.
Sugestão de livro
A Invenção da Paisagem (Anne Cauquelin) – Para professores, uma reflexão sobre como olhamos e construímos paisagens culturais.
A atividade "Objetos e Coleções" convida os estudantes a compartilhar objetos pessoais com valor afetivo, promovendo reflexões sobre memória, pertencimento e diversidade cultural. Por meio da observação, do diálogo e da organização coletiva de agrupamentos temáticos, os alunos vivenciam práticas de classificação e exposição, compreendendo como os objetos guardam histórias e representam diferentes modos de viver, ensinar e aprender.
Objetivo
Conhecer o que os alunos pensam sobre o porquê de as pessoas e eles próprios guardarem determinados objetos que lhes são caros e até fazerem coleções para serem comunicadas a outros e aproveitar para criar critérios de classificação para coleção de objetos, compreendendo, assim, a diversidade cultural.
Encaminhamento
1. Para iniciar esta atividade, peça para que cada aluno traga para a aula um objeto que lhe seja importante. Entregue para o aluno, uma ficha que deve ser preenchida pelo aluno e entregue junto com o objeto.
Nome do aluno:
Objeto:
Tempo que tem o objeto:
Sua função:
Sua importância:
2. Organize os alunos de modo que todos possam se ver e aos objetos também: uma roda de cadeiras e mesas ao centro para acomodar os objetos.
3. Com os alunos organizados, cada um deverá apresentar o objeto que trouxe, a partir das informações que constam na ficha. À medida que os apresentarem os objetos, peça-lhes para colocá-los sobre a mesa.
4. Organize uma conversa entre eles para que possam agrupar os objetos, por exemplo: de função, de tempo, de lugar, de tipo de objeto, etc.
5. Escolha com eles alguns agrupamentos para serem feitos como os objetos. Divida os alunos em grupos para que cada seja responsável por um agrupamento e por sua organização e exposição em algum lugar da escola, com o objetivo de que sejam vistos pelos outros grupos.
6. Proponha que os grupos visitem as exposições e depois converse sobre o que acharam do lugar onde foram colocados os objetos e como foram organizados, se essa organização permite entender do que fala esse agrupamento, se é possível ver todos os objetos. Pergunte se já foram a alguma exposição onde e como os objetos estavam organizados.
7. Com os agrupamentos definidos, proponha que os alunos os vejam como se fosse coleções de objetos. Agora, pergunte se algum deles faz ou já fez alguma coleção e desenvolva uma conversa socializando as informações. Questione os alunos por que fazer uma coleção e se já mostrou ou mostra para outras pessoas. Como a faz? Para quem? Há quanto tempo faz sua coleção? Como conseguiu juntar os objetos?
8. Combine com os alunos para trazerem suas coleções na próxima aula.
Sugestão de filme
“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001), explora a sensibilidade para os pequenos detalhes da vida, objetos afetivos e como eles se conectam às histórias das pessoas e estimula a percepção do valor simbólico dos objetos.
Sugestão de livro
“O Museu da Memória” – Marcos Rey, o livro infantojuvenil que explora objetos e memórias de uma forma lúdica e envolvente.
A ação convida os participantes a explorarem formas sustentáveis de fazer arte por meio da produção de tintas naturais. A partir de elementos simples como terra, vegetais e especiarias, a atividade estimula a criatividade, o contato com a natureza e a valorização da identidade local, inspirada nas cores e temas das obras de Candido Portinari.
Objetivo
Estimular a criatividade e a consciência ecológica por meio da produção artesanal de tintas naturais, promovendo a conexão com a natureza, a educação sensorial e o fortalecimento da identidade local. A experiência também busca apresentar formas sustentáveis de expressão artística, aproximando os participantes dos processos naturais e dos materiais disponíveis no ambiente.
Encaminhamento
1. Prepare os pigmentos naturais que serão utilizadas na atividade, conforme a seguir:
Beterraba | ralada + água
Cúrcuma | pó + água morna
Café ou Chá | infusão forte
Terra peneirada | misturar com água
Espinafre | bater folhas com água
Carvão | triturado e misturado com água
2. Promova uma conversa inicial sobre sustentabilidade: como os artistas pintavam antes das fábricas de tintas, pigmentos naturais e obras de Portinari, destacando o uso de tons terrosos e temas do cotidiano.
3. Divida os alunos em grupo, conforme a quantidade de pigmentos disponíveis. Oriente os seguintes passos:
a. Coar os pigmentos com pano ou peneira se necessário;
b. Acrescentar cola escolar diluída (ou goma arábica) para fixação melhor;
c. Misturar até obter a consistência ideal de tinta.
4. Distribuir pincéis e suportes (papéis sulfite, kraft, reciclado ou papelão). Proponha que desenvolvam trabalhos com os temas "A natureza ao meu redor" ou "Minha cidade em cores naturais"
5. Quando finalizarem, crie um momento de partilha para que os participantes apresentem seus trabalhos. Estimule a reflexão sobre: como foi usar tinta feita por eles, quais são formas sustentáveis de fazer arte que conhecem, o que a atividade tem a ver com cuidar da natureza.
6. Monte uma pequena exposição na própria sala.
Sugestão de filme
"O Sal da Terra" (2014, dir. Wim Wenders e Juliano Salgado), o documentário sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, que mostra a relação entre humanidade e meio ambiente.
Sugestão de livro
"O Menino Azul", de Cecília Meireles, desperta o olhar poético para as cores e o mundo ao redor.