Red Fox - 03/08/2020
Uma das notícias mais recentes dos games é que o jogo de futebol de carros Rocket League vai se tornar grátis para todas as plataformas disponíveis, como PS4, Xbox One, Switch e PC. Mas o que isso realmente significa por trás dos panos da Epic Games?
Epic e Psyonix Juntas
A vinda do Rocket League para a Epic Store e sua saída da Steam eram previsíveis e inevitáveis uma vez que a produtora do Fortnite comprou em 2019 o estúdio Psyonix, desenvolvedora e publicadora do jogo. As vantagens são que os jogadores agora poderem sincronizá-lo com a conta unificada da Epic Games, podendo levar os jogos salvos para qualquer plataforma, assim não importando qual ou quantas plataformas o jogador pode se divertir com o jogo.
A questão aqui é o anuncio deste ano por parte da Epic Games, que anunciou a chegada de Rocket League à Epic Store tornando-o gratuito para todas as plataformas. Não estou julgando ser ruim esta decisão, pois ele é um jogo excelente e muito divertido, como pode-se acompanhar na nossa análise aqui mesmo, e agora outros jogadores podem desfrutar do jogo sem gastar nada. Além disso, ele fornece crossplay entre todas as plataformas disponíveis, acrescentando ainda mais diversão ao jogo.
Mas a discussão principal é a tomada de decisão da Epic Games em relação aos próprios jogos, já que agora Rocket League faz parte do catálogo da empresa, e como ela tenta competir com outras distribuidoras, oferecendo seus jogos gratuitos para todos.
Um Ataque Grátis
A Epic Games, juntamente com a Epic Store, surgiram de repente oferecendo Fortnite como principal carro-chefe. Logo a plataforma cresceu e se tornou um forte competidor a outras lojas de jogos no PC, tais como Origin e Steam. E tudo isso aconteceu tão rapidamente que pareceu um passe de mágica, algo milagroso da empresa que agora é uma das maiores plataformas de jogos. Mas tudo isso não foi graças a magia, e sim artimanhas para influenciar, não só o público mas também empresas e desenvolvedoras, a consumirem sua plataforma e seus jogos como um todo.
A primeira questão foi convencer as desenvolvedoras a publicarem seus jogos exclusivamente na Epic Store oferecendo a elas uma margem de lucro nas vendas maior do que a oferecida na Steam. Uma tática simples que agregou diversos jogos exclusivos como The Division 2 e Spellbreak, além de diversos outros exclusivos temporários como Detroit: Become Human e Borderlands 3, o que gerou muita revolta por parte de fãs de outras plataformas, principalmente da Steam.
Ao meu ver, não é errada a forma abordada pela Epic em oferecer mais lucros aos desenvolvedores, uma vez que isso agregou diversos jogos indies ao catálogo e possibilitando maiores lucros a pequenos estúdios. Além disso, a exclusividade de títulos pode ser vista na própria Steam e Origin, agregando jogos que outras plataformas não possuem. Uma estratégia econômica que deu e está dando certo para a Epic, angariando cada vez mais exclusivos para a plataforma, sejam eles temporários ou não.
Mas o principal está na forma de abordagem do público, conseguindo isso ao oferecer toda semana jogos totalmente grátis para quem tiver uma conta na loja. Uma prática por vezes anticompetitiva, já que outras plataformas não possuem esse sistema, mas por vezes agradável por oferecer algo que nenhuma outra oferece. Não que seja mil maravilhas, como no caso de GTA V grátis em que houve um surto de downloads massivo e quedas nos servidores de ambas as empresas, mas isso favorece tanto o público gamer que agora têm diversos jogos gratuitos para se divertir, como também as outras empresas mostrando caminhos novos que podem ser ofertados ao seu público também.
Muitos acham extremamente ruim tais práticas, mas na minha visão são abordagens agressivas e atuais, as quais surtem efeito rapidamente. Não defendo a Epic nem a Steam, mas a produtora de Fortnite está ganhando cada vez mais público com suas táticas arriscadas, enquanto a Valve revela quantos jogadores tóxicos acabaram criando durante os anos de reinado com a Steam.
Eu comprei Rocket League na Steam muito antes da Epic cogitar em comprar a Psyonix, e fiquei de certa forma decepcionado com a forma que as empresas lidaram com os jogadores que pagaram pelo jogo, recebendo todas as DLCs e cosméticos especiais. Neste caso me senti pagando por carros mais bonitos de um jogo agora grátis. Porém isso retoma a visão da empresa, somado aos jogos gratuitos e com um sistema de crossplay e crossave entre as principais plataformas de jogos, que torna a Epic Games uma das principais e mais atuais empresas de games do mercado, mesmo que por vezes forçando a barra para angariar público.