Red Fox - 08/02/2021
Em um apocalipse zumbi muitos pensariam que poderiam matar e explodir vários deles como em Resident Evil ou World War Z, mas State of Decay 2 vem para mostrar que o mais importante não é atirar nos mortos e sim buscar recursos em um mundo escasso para sobreviver o máximo de tempo possível.
Um mapa aberto, um objetivo
State of Decay 2 é a evolução do primeiro título, ambos lançados pela Undead Labs e sendo exclusivos de Xbox. É um jogo de sobrevivência RPG em mundo aberto com elementos de construção de base, utilizando a Unreal Engine 4 como motor gráfico.
E falando neles, os gráficos do jogo não são seu forte (pelo contrário!), com texturas de média qualidade, sistemas de iluminação e sombreamento razoáveis e elementos com menos polígonos do que vistos em outros Triple A, parecendo que economizaram nessa parte do jogo. Não é algo que fique feio ou que incomode, mas comparando com outros títulos do lado azul, como Days Gone e Horizon Zero Dawn, é difícil dizer que SoD2 é bonito.
Em termos de física o jogo é bem agradável, mesmo tendo a maioria do gameplay focado no térreo, o ragdoll dos personagens e objetos soltos pelo cenário se comportam muito bem. As mecânicas de ação são bem simples mas bastante eficazes, como pular, atirar, dirigir ou lutar, dependendo somente da habilidade do jogador para escapar de hordas ou outras situações. Além disso o jogo conta com mecânicas de dissipação de som pelo cenário, podendo atrair mais zumbis para perto e fazendo com que o jogador tome mais cuidado ao realizar as ações caso queira ser furtivo.
Em questões técnicas o jogo da Undead não se destaca em nenhum ponto, com diversos outros jogos trazendo mais e melhores elementos, sejam gráficos ou mecânicas. Mas a especialidade do jogo não é na questão visual e sim em sua mecânica de sobrevivência no mundo.
O mundo em estado de decadência
State of Decay 2 introduz o jogador já escolhendo uma dupla para começar no jogo. Cada um dos personagens tem histórias únicas e habilidades que condizem com eles, dependendo de como o jogador quer conduzir o jogo. Porém após entrar no mundo você se depara que muito destas coisas não importam no decorrer do jogo, podendo conseguir mais personagens aliados com outras habilidades. E novamente comparando com outros jogos do gênero, SoD2 perde na questão de apresentar uma história pois, por se tratar basicamente de um jogo de sobrevivência, cabe ao jogador criar sua "própria história" ao longo da jogatina, algo que particularmente não me chama atenção em um Triple A.
No jogo enfrentar os zumbis é bastante divertido pois eles não são extremamente fáceis de matar (se bem que já estão mortos), necessitando de vários golpes com armas brancas ou um tiro na cabeça para matá-los. As hordas não são grandes nem muito volumosas, parecendo somente vários zumbis soltos no cenário que por acaso se encontraram num ponto, mas é interessante ver diferentes tipos de zumbis como selvagens, com armadura, tóxicos ou juggernauts, com cada um necessitando um tipo de abordagem. Além disso caso seu personagem seja infectado é necessário produzir uma cura e aplicar o mais rápido possível, senão seu personagem morre e é transformado em zumbi, não tendo como selecioná-lo mais!
RPG zumbi
A primeira vista SoD2 é somente mais um jogo de zumbi (e não deixa de ser!), mas o que me chamou a atenção é a mecânica de sobrevivência no mundo. Logo de início o jogador constrói uma base para brigar quatro sobreviventes iniciais, mas essa comunidade precisa de alimentos, armamento para se defender e recursos para sobreviver. Com isso é necessário sair pelo mundo explorar lojas e casas a procura de mantimentos para serem estocados na base. E nisso é que o jogo começa a brilhar!
Com o tempo é possível adicionar mais sobreviventes que o jogador encontra pelo mapa, tornando eles parte da base, mas assim consumindo mais recursos. Então é necessário sair para buscar mais pelo mundo, enfrentando zumbis e arrombando casas e lojas de conveniência para buscar suprimentos. E caso queira remédios, deve ir em postos de saúde ou hospitais procurar, caso precise de combustível, postos de gasolina ou oficinas abandonadas sempre têm, seguindo assim uma lógica muito boa de onde encontrar certos recursos.
Para levar todo esse recurso para a base o jogador pode selecionar um personagem para controlar e outro para seguir junto, em que cada um pode levar uma mochila de até 8 espaços, e assim looteando os lugares. Caso não consiga levar tudo nas mochilas é possível colocar no porta-malas de um veículo, conseguindo transportar mais materiais para a base.
Mas serão necessárias diversas viagens para abastecer tudo do que a base necessita, fazendo com que os personagens cansem muito rápido, Nisso é preciso que eles descansem na base e se recuperem, com o jogador tendo que selecionar outros para controlar, uma estratégia boa para se desenvolver com todos os personagens da base. Mas em certo momento a base se torna pequena demais, tendo que o jogador procurar outro locar maior para transferi-la, primeiramente dominando o lugar e limpando de zumbis.
Tudo o que se coleta no loot é útil, seja para o jogador ou para a base, usando eles para fazer evolui-la e dar mais conforto a comunidade, como construir mais camas, hortas e locais de abastecimento de recursos. Muitas vezes hordas atacam a base, tendo que o jogador junto com todos os integrantes da base lutar contra diversos zumbis. Há também outras comunidades de sobreviventes podendo o jogador ajudá-los e assim conseguir fazer troca de recursos, ou ignorando-os e os tornando inimigos da sua comunidade, podendo ser atacados e mortos por eles.
A beleza do apocalipse
De início não tinha muitas expectativas com SoD2, mas com o passar do tempo percebi que o foco do jogo não são seus gráficos realistas ou sua história cativante, mas sim suas mecânicas e interações com o mundo do jogo. Todas essas mecânicas me chamaram muito a atenção para o jogo, com sistemas muito simples mas que funcionam tão bem e de forma tão natural que os outros quesitos em que não são o forte do jogo podem ser facilmente esquecidos durante o gameplay.
SoD2 é um grande jogo e um dos melhores de sobrevivência zumbi que já joguei, sendo um dos grandes destaques de exclusivos para Xbox. Mas quando comparado com outros jogos (de novo!), SoD2 se mostra um pouco aquém de quem espera um grandioso e bem trabalhado Triple A. Ele não têm gráficos bonitos, nem físicas super realistas ou personagens memoráveis (já que eles morrem e são substituídos rapidamente!), deixando quem esperava algo comparável a The Last of Us ou Days Gone um pouco decepcionado.
O jogo não é nada ruim e me diverti muito jogando, mas para o meu gosto faltou a Undead incluir melhor uma história ou algo semelhante a um caminhar no jogo, algo a ser seguido, e não simplesmente coletar recursos para ver até quanto você dura, mesmo que isso seja muito divertido.
Veredito
State of Decay 2 se estabelece como um dos melhores jogos de sobrevivência zumbi e um dos grandes títulos do Xbox, mostrando que em um apocalipse zumbi questões como cuidar da base e de sua comunidade são essenciais. Para quem espera uma grande história cheia de aventuras e com personagens icônicos pode se decepcionar e achar o jogo até bastante repetitivo, mas caso goste de lootear pelo mundo e construir uma base cada vez melhor o jogo te desafia a ver quanto tempo você duraria em um apocalipse zumbi.
STATE OF DECAY 2
Desenvolvedora: Undead Labs
Publicadora: Microsoft Studios
Lançamento: Maio de 2018
Plataformas: XONE e PC