Red Fox - 10/07/2021
Esses últimos dias tive uma das minhas maiores e melhores experiências gamers dos últimos anos jogando Outer Wilds, um jogo de exploração espacial indie surpreendentemente gigante e desafiador onde o jogador investiga vários planetas do sistema solar, mas com um porém: por somente 22 minutos!
Outer Wilds Ventures
Outer Wilds é um jogo indie de aventura, mistério e puzzle com foco na exploração espacial no mundo aberto gigantesco dele. Produzido pela Mobius Digital e publicado pela Annapurna Interactive, o jogo foi lançado em 2019 recebendo diversos prêmios de melhor jogo do ano pela Polygon, Eurogamer e The Guardian, como também notas altíssimas em suas reviews, e não é por menos!
Outer Wilds têm uma proposta muito simples, porém executa tudo de uma forma tão completa e complexa que se torna uma imensa caçada atrás de conhecimento de sua lore. No jogo controlamos um personagem de uma raça conhecida como lenhosos, um pacífico povo azul de quatro olhos e fundadores da Outer Wilds Ventures, um projeto de viagem e exploração espacial do sistema solar.
Em termos visuais, o jogo chama a atenção por seus traços cartunescos simples, porém muito bem feitos. A qualidade das texturas e a complexidade de polígonos dos modelos não são extremamente detalhados, mas dão muito bem conta do recado. O visual geral do jogo agrada bastante por suas diferentes zonas climáticas em que o jogador pode adentrar, com atmosferas diferentes e alterando assim o visual de cada planeta.
Mas Outer Wilds chama mesmo a atenção para suas mecânicas físicas. Muito bem construídas e programadas, elas funcionam excepcionalmente em cada parte colocada, desde física de colisão e destruição de objetos até a gravidade de planetas ou certas zonas do cenário. Tudo é fisicamente muito bem composto e colocado para desafiar o jogador a cada ação que ele toma!
Nunca tinha visto mecânicas físicas funcionarem tão bem em um conjunto tão grande quanto de Outer Wilds, e realmente todas as funcionalidades funcionam! E não ficam por aí, pois muitas tentam respeitar conceitos reais da física espacial, como a influência da massa de um corpo em sua gravidade!
O loop temporal!
O jogo começa com o personagem acordando na Vila dos lenhosos, um pequeno conjunto de casas de madeira estabelecido em uma cratera do Recanto Lenhoso. De primeira nós somos apresentados ao programa espacial Outer Wilds Ventures que têm como objetivo viajar e explorar outros planetas do sistema e encontrar mais sobre a história de um povo antigo que habitou aquele sistema, conhecido como os Nomai. Para isso o jogador têm a disposição alguns equipamentos como o onduloscópio, um captador de sinais pelo universo, o scanner tradutor da língua Nomai, ativado automaticamente ao perceber uma escrita Nomai, e o lançador de batedor, uma robô-câmera indestrutível que pode ser lançado em qualquer lugar para te auxiliar nas buscas.
De início o jogador irá começar a explorar o universo a bordo de sua nave, saindo do Recanto Lenhoso e indo até as outras localizações do sistema solar. Dentre os planetas existem os Gêmeos da Ampulheta: Gêmeo Cálido e Gêmeo Cinzento que de tempos puxam a areia de um para o outro. O Vale Incerto, um planeta tectônico que em seu núcleo reside um buraco negro, com o Luzeiro do Vale atirando meteoros de lava em sua superfície e derrubando tudo no buraco. As Profundezas do Gigante, um planeta inteiro feito de água e cheio de imensos tornados. E por fim o Abrolho Sombrio, um planeta corrompido por uma terrível planta espinhosa.
Tudo vai bem até que em menos de meia hora de jogo o sol explode em uma supernova, destruindo toda essa galáxia e matando todos que habitam nela. No começo o jogador achará que fez algo errado, mas é neste momento em que ele é apresentado à principal mecânica do jogo: o loop temporal! Toda vez que o personagem morrer ele retornará ao início do jogo, sempre acordando do mesmo jeito no acampamento dos lenhosos e com tudo o que o jogador fez agora desfeito ao ponto inicial do jogo.
Com isso em mente, o jogador terá apenas esse tempo em cada ciclo para viajar pelos planetas e fazer novas descobertas históricas sobre os Nomai, sempre com tudo reiniciando no próximo loop temporal e não restando nada além da memória do próprio jogador (e do computador de bordo!)
Em primeira vista, essa mecânica parece bastante chata, porém ela é tanto divertida de se aprender pelos ciclos quanto essencial para que o flow do jogo seja mantido. Muitas coisas no jogo exigem um período exato para serem feitas e, caso o jogador perca esse período, basta esperar até o próximo loop temporal. Isso é uma mecânica bastante desafiadora, adicionando mais dificuldade ao gameplay e fazendo com que as ações do jogador fiquem por vezes mais calculadas pelo tempo.
Os Nomai
Praticamente a história inteira do jogo é contada pelos escritos dos Nomai, um povo muito antigo que viveu pelos planetas deste sistema, mas extremamente avançados em tecnologia, criando construções e sistemas tão complexos que se mantiveram até hoje para serem explorados. Dentre suas ruínas podemos encontrar casas, prédios e construções enormes, cada uma ajudando ainda mais a contar a história dessa raça e ampliando a lore do jogo. Pode se encontrar vestígios deles por cada um dos planetas, tendo em qualquer ponto destes um pouco mais da história Nomai e fazendo com que o jogador se interesse a buscar sempre mais.
Um universo por 22 minutos
Outer Wilds é aquele tipo de jogo que quanto mais você joga ele, mais você quer jogá-lo. De primeira vista ele parece mais um jogo de exploração espacial, repetitivo por seu loop temporal e sem muita graça. Mas ao encontrar ruínas Nomai e coletar mais informações da história deles, a curiosidade por buscar novas histórias dos Nomai se torna seu principal foco, vagando de planeta em planeta para descobrir mais sobre a história geral.
O jogador deverá enfrentar cada um dos planetas que, por sua vez, possuem diferentes mecânicas para explorá-los. Por exemplo os tornados do Profundezas do Gigante, que jogam qualquer coisa que encontrem pra fora do planeta! Ou a grande coluna de areia dos Gêmeos da Ampulheta, sugando a areia de um para o outro e se tornando mortal caso entre nela.
Uma das dificuldades do jogo (e também uma das partes divertidas) é conhecer cada um dos planetas para conseguir explorá-los. Cada um deles possui um tipo diferente de abordagem para que se possa acessá-los e descobrir cada vez mais sobre os Nomai.
O jogo se resume na exploração dos planetas para se ter mais informações sobre a história Nomai, fazendo com que pareça que não existe mais nenhuma outra história a se seguir ou descobrir senão essa. Não entenda errado, toda a história geral é incrível e pode-se perder horas buscando por mais da lore do jogo, porém as vezes parece limitado a somente isso. Pouquíssimas outras espécies existem dentre os planetas e quase nada se fala sobre elas, ou outros seres inteligentes habitando simultaneamente parece algo improvável no game.
O Olho do Universo
Outer Wilds me divertiu do começo ao fim, sempre me convencendo a jogar mais e mais. Suas mecânicas funcionam muito bem e seus conceitos físicos aplicados fazem com que se sinta mesmo um explorador espacial em diferentes planetas do sistema. O jogo poderia ter mais outros desenvolvimentos do que somente a história Nomai, ou explicações de coisas secundárias dentro da lore. Existem mistérios que poderiam ser revelados de alguma forma dentro do jogo, não deixando tudo nas sombras.
Uma situação que me incomodou foi o fato da história dos lenhosos ou de outros personagens não serem desenvolvidas, ficando completamente esquecidos depois de certo ponto. No entanto, a história Nomai intriga me intrigou em todas as questões, sendo o foco da exploração do jogo inteiro.
Veredito
Outer Wilds é um jogo de aventura exploração espacial, buscando mais conhecimento dentre os planetas sobre um antigo povo chamado Nomai. O jogador terá que enfrentar desafios e seu próprio medo para achar mais respostas sobre a história do jogo dentre as mais variadas físicas dos planetas. Tanto a história quanto as mecânicas são excepcionais, mas a estrela fica por conta das físicas aplicadas no jogo, aplicadas tão bem que transmitem o que a exploração espacial deve ser: empolgante, desafiadora e sombria!
OUTER WILDS
Desenvolvedora: Mobius Digital
Publicadora: Annapurna Interactive
Lançamento: Maio de 2019
Plataformas: PS4, XONE, Switch e PC