Red Fox - 23/11/2020
Superar o grande fracasso de reclamações e downgrades de The Division era uma tarefa extremamente difícil para a Massive. Mas o que a produtora apresentou no segundo título da série não foi só uma continuação, e sim um jogo novo totalmente corrigido e grandioso, trazendo tudo o que o primeiro tinha prometido e muito mais.
A Washington mais linda que a real
A primeira coisa que The Division 2 entrega são seus gráficos maravilhosos. A escolha da Snowdrop Engine foi muito certeira, com a Massive entregando um dos jogos mais bonitos e bem feitos que já vi, empregando tudo de mais realista e exuberante o motor pode oferecer, Desde a luz e os raios do sol invadindo os locais, dando um ar realista excepcional, até o movimento das milhares de folhagens espalhadas pela cidade. Tudo nesse jogo torna-se lindo ao ponto de a cada lugar visitado ser mais bonito que o outro.
E por falar em cidade, Washington está fantástica! A Ubisoft sempre conseguiu reconstruir cidades com muito esmero, como já visto na série Assassin's Creed, mas o que a produtora conseguiu entregar em The DIvision 2 é um absurdo. Diferente do primeiro título onde se tinha uma névoa branca por causa do clima de NY, aqui a cidade está no verão, com um clima extremamente tropical e repleta de vegetação viva e florescente. Tudo é muito bem representado e trabalhado para que se pareça com o real, tais como pontos turísticos e monumentos, além de não se limitar somente pelo exterior, com muitos locais onde se pode explorar livremente seus interiores. A cidade é viva e muito bem detalhada, com minúcias tão bem colocadas que é possível perder horas somente admirando o que têm em uma rua, tudo isso aliado ao uso espetacular da engine, o que dá a sensação de realismo absoluto ao simplesmente andar pelo jogo.
Mas nada deixa a cidade mais viva do que as diversas coisas que acontecem nela, já que é possível encontrar diversos conflitos e tarefas espalhadas pelas ruas. Muitas vezes estava correndo em direção a uma missão principal e trombava com um grupo de rebeldes atacando as pessoas, ou operações de dominação de área organizadas pelos próprios NPCs aliados. Tudo isso acontece ao mesmo tempo, e em diversos pontos da cidade, deixando a impressão de que Washington é sim viva e autossuficiente mesmo você não estando lá. E quantas vezes estava cumprindo uma tarefa de eliminar inimigos e outro agrupamento aliado se juntava a mim para defender posição de outros inimigos, formando um conflito tripo! Nunca vi isso acontecer de uma forma tão simples e natural quanto em The Division 2, deixando o jogo ainda mais fluido e vivo.
Um mundo devastado
O jogo segue a história do primeiro título, tendo os acontecimentos quase sequenciais, com o plot principal sendo contado o começo. Uma corporação terrorista cria um vírus mortal em laboratório, espalhando ele durante a black-friday por meio de notas de dólar infectadas (genial!). Com isso quase toda a população foi contaminada e o governo determinou estado de quarentena geral. Os serviços de saúde superlotaram e serviços essenciais como abastecimento de água, alimento e luz foram cortados. A maioria da população morreu, senão do vírus por fome ou falta de recursos, restando apenas sobreviventes que tentaram buscar recursos por si só. No meio desta confusão grupos terroristas surgiram, alguns buscando acabar com o resto dos sobreviventes infectados, outros submetendo as pessoas a regimes militares autoritários. No final o país tinha sido destruído e o governo estava sem poder para fazer nada, com as forças médicas, policiais e militares devastadas.
A Division é um grupo militar secreto fortemente armado e equipado para qualquer situação. Ele foi montado pelo governo como medida de última instância, tendo os melhores soldados do país utilizando as mais avançadas tecnologias desenvolvidas. E quando todas as outras forças não conseguiram solucionar o problema, a Division é acionada para resolver, não importando a situação ou as circunstancias. Depois de todo o ocorrido, o governo não teve escolha senão chamar os agentes da Division para assumirem a guerra.
Você é introduzido a um tutorial defendendo uma base de sobreviventes que está sendo atacada por uma força paramilitar extremamente forte, porém no meio da batalha o sistema nacional da Division entra em colapso e é derrubado. Não restando mais nada a se fazer, todos os agentes são enviados para Washington DC verificar o que houve. Chegando lá descobre-se que o sistema principal da Division foi derrubado, o Air Force One caiu em meio a cidade, o presidente está desaparecido e a Casa Branca está sendo tomada pelos terroristas. E é neste momento que o verdadeiro jogo começa e o jogador é introduzido ao mundo aberto.
Mas se você gostou da história do jogo pode esquecer ela! Toda essa parte é contada no início e serve de fundo para o que está acontecendo na cidade e no país, com o jogador não participando de nada do ocorrido. Além disso com o decorrer do jogo não se vê uma história bem formada ou uma quest principal a ser seguida, com personagens nada memoráveis e missões que parecem nem ter ligação umas com as outras.
Porém nem tudo é perdido, pois caso se interesse um pouco por lore saiba que documentos encontrados no cenário, áudios e fotos ajudam a contar um pouco mais sobre os personagens e a vida dos sobreviventes. E algo que auxilia nisso é a própria ambientação, tendo elementos muito bem colocados que contam sobre algumas pessoas e lugares da cidade.
Muito loot e cover!
O grande brilho do jogo se da por sua mecânica principal de tiro e loot, sendo uma das mais equilibradas e inteligentes que já vi em um jogo de tiro. E falando no gênero deste jogo, ele se trata de um RPG looter-shooter (não confunda com um TPS ou FPS padrão!).
Seu sistema de evolução é o padrão de RPGs, tendo níveis para armas e equipamentos, vantagens e perks que podem ser atribuídos ao personagem, montando builds familiarizadas para cada tipo de situação ou necessidade. E para que se consiga novos itens The Division 2 apresenta um mundo aberto extremamente amplo e gigante, tal como o primeiro, sendo agora possível encontrar diversos pontos de loot, melhorias e tarefas espalhadas por todos os cantos da cidade. A cada volta pelas ruas de Washington pode se encontrar milhares de malas e mochilas que fornecem itens.
Cumprindo missões e matando chefes desbloqueia-se novas armas e vestimentas que atribuem novas habilidades ao personagem. Pode parecer bem estranho que um coldre para pistola pode-se ampliar as chances de HS, ou que um colete diferente faz com que a recarga de munição em snipers fique mais rápida, mas é assim que The Division 2 funciona (e muito bem!). E nisso que o jogo mostra sua progressão, não pela história em si (já que não existe muito) e sim para upar seus níveis e melhorar seu personagem para as batalhas.
E por falar nas batalhas, o jogo possui um dos sistemas mais incríveis que já vi em um FPS/TPS. O sistema de tiro aliado ao de cover funciona muito bem e se adaptando perfeitamente com qualquer situação. Mas o principal ponto são os equipamentos tecnológicos que se têm disponíveis para auxiliar nas missões. Desde torretas automáticas até drones de cura ou minas explosivas guiadas, The Division 2 mostra como a inteligência artificial pode fluir e funcionar muito bem com o contexto, auxiliando demais a jogadores solitários ou em grupo. Por muitas vezes eu jogava minha torreta automática em lugares estratégicos em campo para abater inimigos que surgiam, ou me proteger enquanto mudava de cover.
E por falar em grupo, The Division 2 apresenta uma jogabilidade online muito interessante, podendo os jogadores jogarem em conjunto e participarem de missões, rendendo mais pontos e XP para todos. É possível encontrar jogadores vagando pelas ruas no seu servidor, ou receber pedidos de apoio e ajuda de outros players, podendo se juntar a eles nas missões.
The Division 2.5 pago
Uma das coisas que me chamou a atenção ao jogo foi a grande atualização Warlords of New York, uma DLC em que é possível voltar para Nova Iorque e quase continuar o que foi feito no primeiro jogo. Como em Washington DC é possível andar livremente pelas ruas e completar uma série de missões, tanto primárias quanto secundárias dentro da cidade. Uma reconstrução maravilhosa de NY abrigando uma das melhores expansões que já vi em um jogo.
Mas o grande problema é que ela é paga, e não é nada barata! Custando praticamente o preço do jogo base, a DLC não compensa em nada por somente ter um local a mais para se explorar. E ainda que a última atualização tenha me despertado muito interesse (um arranha-céus de 100 andares!) é muito difícil recomendar a compra desta expansão, mesmo ela sendo uma das melhores e únicas coisas a se fazer depois de zerar o jogo principal.
Veredito
The Division 2 veio para corrigir o que o primeiro título errou, mas acabou fazendo muito mais do que isso, entregando um dos melhores looter-shooter que já joguei. Desde seu visual lindo até suas mecânicas elaboradas mas muito práticas e úteis, o segundo título da série consegue conquistar qualquer pessoa que goste de jogos de tiro. E mesmo não tendo uma narrativa principal, seu vasto conteúdo consegue dar conta de muitas horas de diversão, seja sozinho ou com amigos.
TOM CLANCY'S THE DIVISION 2
Desenvolvedora: Massive Entertainment
Publicadora: Ubisoft
Lançamento: Fevereiro de 2019
Plataformas: PS4, XONE, Stadia e PC