Cosima Cormier- 09/08/2020
Detroit: Become Human é um jogo de drama interativo que se passa em 2038, onde os humanos construíram androides para ajudarem em todas as tarefas que humanos não querem fazer, todas mesmo. Eles falam, agem e se parecem com humanos, mas são apenas máquinas que não deveriam possuir consciência, mas isso não quer dizer que eles não conseguem desenvolver uma... Os divergentes estão por aí.
Humanos X Androides
Esse drama interativo é o terceiro jogo da Quantic Dream escrito por David Cage (os primeiros foram Heavy Rain e Beyond Two Souls) e foca na vida de três Androides: Connor, Kara e Markus.
Connor é um detetive cujo dever é encontrar Divergentes, que são Androides que tomaram consciência e escaparam da vida que tinham; Kara foi comprada para cuidar da casa e da filha de um homem violento e Markus cuida de um artista famoso já idoso que possui um filho problemático. O game explora muito bem a "personalidade" dos seus 3 protagonistas e é bem fiel aos seus comportamentos e entendimentos do mundo, ressaltando as habilidades únicas de cada um. Connor pode analisar o ambiente profundamente, Kara foi a primeira a se identificar como um ser pensante e Markus pode analisar as opções de ação antes de realizá-las. Os três, após alguns acontecimentos, começam a notar que os humanos tratam Androides como algo descartável, fato que pode (ou não) os revoltar, e isso depende de você.
Como os nossos protagonistas irão lidar com um mundo à beira do caos com a 3ª guerra mundial a ponto de estourar, a presença incômoda de Androides que causaram o desemprego de milhares de pessoas e os vários casos de Divergentes que não querem mais ser escravizados? O quão longe você iria para ser livre?
Percorra seu Próprio Caminho
O game oferece várias opções de conversa e inúmeras opções de como prosseguir com a história, fazendo com que o jogo fique ainda mais complexo e influencie o player a jogar mais de uma vez para que alcance o "final ideal". Algumas escolhas podem influenciar na natureza dos personagens e podem arriscar suas vidas, além de mudar a relação entre as pessoas na história, assim, várias coisas precisam ser balanceadas enquanto se joga.
Ao longo do jogo, várias vezes me deparei com decisões muito difíceis onde não conseguia me separar do personagem que estava comandando. Ele tinha que fazer uma coisa porque era programado para aquilo mas eu, como humana e com meus princípios, não consegui permiti-lo. Os dilemas morais são muito bem explorados dentro do game e chegam até a te deixar aflito por não poder voltar atrás nas decisões, como pode ser feito em tantos outros videogames (o jogo permite mas não é recomendado). Ele quer que você sofra as consequências das suas escolhas.
Algo que me deixou muito feliz foi ver que há várias formas de perder personagens nesse jogo, e de formas surpreendentes. Eu estava ali fazendo algo que já era esperado da trama e de repente bam "você quer salvar o seu companheiro? sim? não? tic-tac-tic-tac"... Jogos que nos pegam de surpresa com decisões importantes causam essa sensação de dinamicidade na história, deixando-a mais parecida com a vida real onde eventos aleatórios estão acontecendo a todo momento.
Há muitos momentos de tensão durante a trama e os momentos de luta exigem dedos rápidos para que os comandos sejam feitos corretamente. Algumas decisões no jogo são leves, mas buscam induzir a mente do jogador ao questionamento "o quão limitados são os Androides?" como no começo do jogo onde Markus deve escolher qual pintura irá fazer, sendo que isso exige criatividade e é algo que Androides não são programados para ter.
Algumas recomendações que eu faço ao jogar: Observe todo o ambiente antes de tomar decisões porque os itens que estão no ambiente podem abrir opções de conversa e ações; não volte atrás em suas decisões mesmo que tenha um outcome ruim no momento (talvez seja melhor assim no final); aproveite o jogo, entenda seus personagens e pense antes de agir.
Veredito
Detroit foi um jogo que me surpreendeu muito porque eu havia jogado a Demo dele duas vezes e não tinha prendido minha atenção, mas acabei baixando e olha, valeu MUITO a pena. Me emocionei, fiquei aflita, me apeguei e fiz tudo o que eu achei que era certo, e mesmo assim não foi o suficiente no final. Agora, vou jogar novamente para ver o que fiz de errado! O jogo é chiclete e não vai te permitir jogar só uma vez, não me surpreende que ganhou o prêmio de Excelência Narrativa em 2019 pelo SXSW Gaming Awards 2019!
A ambientação do game é rica com lugares bem construídos e bonitos, e a cidade de Detroit é viva: Você vê pessoas trabalhando, protestando, brincando nos parques. Minha crítica maior seria à câmera do jogo que pode muitas vezes atrapalhar na análise do ambiente e na movimentação do personagem, e também às partes da história que não são tão necessárias assim e que só de pensar em repetir me dá um pouco de preguiça.
A história brilhante te leva a pensar: O que faz de nós humanos? Até onde podemos chegar com a tecnologia para satisfazer nossas próprias vontades? Um dia seremos eliminados pelas máquinas que nós próprios criamos? É menine, o jogo é brabo...
Então, o destino dos humanos e dos androides está em suas mãos. Você escolherá Coexistência, Liberdade ou Subordinação?
Jogo completo e Demo disponíveis na Epic Games, Playstation e Steam.
DETROIT: BECOME HUMAN
Desenvolvedora: Quantic Dream
Publicadora: Quantic Dream
Lançamento: Maio de 2018
Plataformas: PS4, PC