O Marumbi

 
nariz da Esfinge Paredão Preto Jardins Suspensos Esfinge, 1.378m Torre dos Sinos, 1.280m Gigante, 1.487m Abrolhos, 1.200m Parque do Lineu

O Marumbi de Ontem

A barreira natural gigantesca da Serra do Mar sempre atraiu a imaginação dos exploradores e mineradores desde o século XVI. Na primeira fase de penetrações, os garimpeiros embrenhavam-se pelos rios a procura do ouro. Oportunidade em que tomaram conhecimento das veredas utilizadas pelos aborígines que transmontavam a serrania. Caminhos conhecidos pelos nomes de Conceição, Graciosa, Itupava e Arraial, que persistiram até a inauguração da Estrada da Graciosa e da Ferrovia Paranaguá - Curitiba.

A mais utilizada era a do Itupava, importante via de comunicação que durante dois séculos ligou os campos de Curitiba às terras litorâneas e vice-versa, passando entre a enorme canhada existente entre as serras Marumbi e Farinha Seca.

O Itupava abrigou construções e até engenhos cujas ruínas hoje fazem parte da arqueologia histórica do Paraná. Surgiram também as vilas nos antigos pontos de pouso ou reabastecimento, atualmente sedes municipais como as de São José dos Pinhais, Piraquara, Quatro Barras, Morretes e os distritos Porto de Cima e Borda do Campo.
O Marumbi sempre foi utilizado como ponto de referência e orientação. Os relatos dos numerosos viajantes/cientistas que transitaram pelo Itupava fazem interessantes observações a respeito desta montanha, além de importantes descrições de botânica e fauna.

A montanha sempre exerceu um grande fascínio sobre o homem. Em todas as eras registraram-se expressões místicas de temor e respeito às montanhas. Os povos do litoral paranaense, notadamente os do pé da serra, acreditavam que o Marumbi era um vulcão passivo, pois muitas vezes soltava fumaça. Diziam ainda que em seu topo havia uma lagoa dourada. Seu primitivo nome batizado pelos índios era "Guarumby", que em tupi significa "Montanha Azul".

Na década de 1870 procederam-se profundos estudos na tentativa de se viabilizar a construção de uma ferrovia. Os trabalhos conclusivos recaíram nas margens do Itupava e nas encostas do Marumbi, aonde vieram a ser instalados os trilhos da centenária Ferrovia Paranaguá - Curitiba, arrojada obra da engenharia nacional.

Inaugurada em 2 de fevereiro de 1885, trata-se de um monumento histórico de valor inestimável. Até hoje a beleza das paisagens que se descortinam durante o percurso encanta turistas do mundo todo. Alguns pontos podem ser reconhecidos como atrações turísticas ou marcos históricos: Casa do Ipiranga, Cascata Véu da Noiva, Cruz do Barão, Santuário Nossa Sra. do Cadeado, Ponte São João, Vale do Rio Ipiranga, Viaduto Carvalho e Conjunto Marumbi.

Em 21 de agosto de 1879, em plena efervescência da construção da ferrovia, Joaquim Olimpio Carmeliano de Miranda, acompanhado de Bento Manoel de Leão, Antônio Silva e Antônio Messias, atingiu o ponto mais alto do "Marumby", inaugurando o montanhismo no Brasil. Na segunda ascensão, um ano após, Joaquim retornava ao cume acompanhado por quatorze pessoas. Entre elas estava Antonio Ribeiro de Macedo, que escreveu minucioso relato sobre o feito e disse que: "em honra ao nome de seu primeiro explorador e por analogia ao monte que a mitologia grega dá como morada dos deuses, damos a este morro o nome de Olimpo."

Joaquim Olímpio, conhecido em toda região litorânea como Carmeliano, era farmacêutico prático, aviava receitas e prestava serviços médicos. Liderou muitas subidas ao Marumbi, até o ano de 1.900, demonstrando que seu feito não foi somente de conquista, mas de prática desportiva.

O percurso inicial seguia pelo Vale do rio São João até o Morro Boa Vista e daí para o Olimpo. Com o advento da ferrovia, partiam já do Rochedinho para o Facãozinho, Boa Vista e Olimpo. Somente em 1942 foi aberta a trilha Frontal, utilizada até hoje. Seus realizadores foram Rudolf Stamm, Irineu Bonato e Manfredo Kirchner.

O Marumbi foi tão importante que a maioria dos intelectuais das décadas de 20 e 30, como os idealistas do movimento "paranista", galgaram seu cume. Os assíduos freqüentadores destas paragens, ainda na década de 50, ficaram conhecidos como "marumbinistas", termo criado pelo historiador Romário Martins, numa referência ao alpinismo (montanhismo praticado nos Alpes).

Quando da primeira escalada ao Olimpo, ainda não havia sido concluída a ferrovia Paranaguá - Curitiba, terminada em 5 de junho de 1885. A estação Marumbi, conhecida inicialmente por Taquaral, foi construída em madeira em 1913 e localizava-se onde hoje se encontra a administração do parque estadual. A estação atual, construída em 1941, no lado oposto à original, foi motivada por um abaixo-assinado dos marumbinistas.

Desde aquela época, os marumbinistas lutaram pela preservação do Conjunto Marumbi e, conseqüentemente por toda a Serra do Mar. A soma dos esforços culminou, em 1986, com o tombamento de toda a Serra do Mar em sua porção paranaense e coroada quando, em 24 de setembro de 1990, foi criado o Parque Estadual Pio do Marumbi, inaugurado na Semana do Meio Ambiente alguns anos depois, no dia oito de junho de 1995. As duas principais trilhas, Noroeste e Frontal, foram abertas entre 1938 e 1942; na década de 40 foram instaladas as correntes, substituídas em 1998/99 por degraus de ferro. O atual código de cores e demarcação de trilhas com fitas coloridas foi utilizado em 1979, mantido e melhorado até os dias de hoje.

Ao longo de gerações, o Marumbi prossegue atraindo para suas encostas e cumeadas "jovens" de todas as faixas etárias. Chegar ao Olimpo foi e é um desejo constante às pessoas que descem ao litoral pelo trem da serra e deixam-se embalar pelo sonho de um dia subir o Marumbi.


O Marumbi de Hoje

O Marumbi hoje é uma Unidade de Conservação, o Parque Estadual Pico do Marumbi (dec.est.Nº 7.300 de 24/09/1990). A sua área é de 2.342 hectares. Tem a finalidade de perpetuar a riqueza biológica e a beleza cênica, conjugando a preservação com o desenvolvimento de atividades educativas, pesquisas científicas e estabelecer novos critérios de lazer orientado e consciente.

O parque é administrado pelo Governo do Estado do Paraná através do IAP - Instituto Ambiental do Paraná, vinculado à SEMA - Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. A função da administração é levada a efeito através de um plano de manejo elaborado pela DIBAP - Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas e pelo DUC - Departamento de Unidades de Conservação.

A Administração do Parque tem, como objetivo principal, estabelecer critérios adequados de uso, procurando conciliar a prática do montanhismo com a efetiva preservação/conservação do meio ambiente. Além disso, pesquisas científicas em diversas áreas garantem subsídios para o correto monitoramento de todos os aspectos pertinentes ao parque tais como: clima, geomorfologia, botânica, zoologia e trabalhos de recuperação ambiental, contenção de erosão, conservação de trilhas e atendimento público de resgate em montanha.

Incluem-se dentro do perímetro do parque: parte da Ferrovia Paranaguá-Curitiba, um segmento do Caminho do Itupava, a região do Conjunto Marumbi, toda a Serra Marumbi e parte dos mananciais d'água que abastecem Curitiba. O acesso ao parque é feito principalmente pela Ferrovia Paranaguá-Curitiba, podendo também ser feito a pé pelo Caminho do Itupava ou pela estrada que liga Porto de Cima a Engenheiro Lange.


Conjunto Marumbi

O Conjunto Marumbi ou Serra Marumbi é formado pelas montanhas: Olimpo (1.539 m.), Boa Vista (1.491 m.); Gigante (1.487 m.); Ponta do Tigre (1.400 m.); Esfinge (1.378 m.); Torre dos Sinos (1.280 m.); Abrolhos (1.200 m.); Facãozinho (1.100 m.) e pelo Morro Rochedinho (625 m).

A maioria destes picos é separada por diques de diabásio com orientação azimutal. É o caso da separação entre a Torre dos Sinos e o Abrolhos, chamada Desfiladeiro da Catedral e entre a Ponta do Tigre e a Esfinge, Desfiladeiro das Lágrimas.