"Desmitificando a falsa democracia racial":
Microentrevista com Peti Mama Gomes
*Peti Mama Gomes é doutoranda em Antropologia
pelo Programa de Pós- Graduação em Antropologia
da Universidade Federal do Pará,
e professora temporária pela UNILAB/Ceará.
Quais são, de acordo com a sua percepção, as mais importantes contribuições do professor Munanga para a antropologia brasileira?
Na minha percepção, Kabengele Munanga é, sem dúvida, um dos intelectuais (além de Florestan Fernandes, Abdias do Nascimento, Conceição Evaristo, etc.) das Ciências Humanas e Sociais, em particular da antropologia no Brasil contemporâneo que contribuiu eminentemente em desmistificar a falsa “democracia racial” propagada nos escritos de Gilberto Freyre no início do séc. XX.
Pois, parto da minha experiência, enquanto estudante africana - guineense no Brasil que, para compreender a luta do movimento negro contra o racismo (racismo estrutural) à brasileira, a necessidade e a urgência de políticas de cotas para as populações negras no ensino superior e suas permanências nos meus primeiros anos de graduação na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira - Unilab, fui agraciada com os escritos de Munanga.
De lá para cá, quando penso no pioneirismo de estudo científico da questão do negro brasiliero, das tremendas desigualdades socio-econômico-político e discriminação racial, naturalmente, penso no professor Kabengele Munanga. Porque, ainda lá atrás (na década de 1970) já propunha, através da antropologia, mecanismos possíveis de repensar a participação da população negra na história deste país, isto, seria sem dúvida um dos caminhos ao combate à toda a forma de racismo no Brasil. Dito isso, destaco que as maiores contribuições estão também, na esfera do direito em termos de diversas articulações feitas contra as injustiças históricas que reverberam socialmente até hoje.
Observação: Entrevista virtual realizada por escrito través de Whatsapp no dia 12-12-2022.