O que é ?
Ø As neoplasias endócrinas múltiplas MEN (Multiple Endocrine Neoplasia) caracterizam-se pela ocorrência de dois ou mais tumores benignos ou malignos, envolvendo glândulas endócrinas e são reconhecidas duas formas principais: MEN 1 e MEN 2. O termo "múltipla" aplica-se para descrever a multiplicidade de tumores que ocorrem em um mesmo órgão e também para descrever a ocorrência de tumores em diferentes órgãos endócrinos. A MEN 1 associa tumores nas paratiróides (quatro glândulas localizadas próximo a tireóide), no pâncreas e na hipófise. A de tipo 2, subdivide-se em tipo 2A e tipo 2B e caracteriza-se pela presença de carcinoma medular da tiróide (CMT), feocromocitoma e hiperparatiroidismo (na 2A).
Como se manifesta?
Ø MEN 1: As manifestações clínicas estão relacionadas com o órgão afetado e resultam do tamanho do tumor (efeito de massa), da produção hormonal e do potencial de malignidade. O hiperparatireoidismo primário é a manifestação mais comum e precoce, com uma incidência de 80-100%, aos 40 anos. Geralmente são assintomáticos, mas podem apresentar nefrolitíase (pedra nos rins), úlceras no estômago e osteíte fibrosa cística (tumor marron, decorrente do hiperparatireoidismo). Existem outras manifestações, não tão comuns, mas podem fazer parte do quadro, tais como: tumores adrenais, carcinoides (tipo de tumor), angiofibromas faciais (manchas ou inchaços na face), colagenomas e lipomas.
Ø MEN 2: Em 75% dos casos existem três tumores que a caracterizam: carcinoma medular da tiróide que geralmente é a primeira manifestação, feocromocitoma e tumores da paratiróide. O carcinoma medular da tireóide produz um hormônio chamado calcitonina, que atua no cálcio do organismo.
Como é diagnosticada?
Ø O rastreamento em MEN 1, tanto genético quanto bioquímico, é importante pelo fato de que o reconhecimento precoce de uma alteração genética pode auxiliar na prevenção e/ou tratamento de algumas doenças. O diagnóstico de MEN1 requer a presença de duas das três manifestações mais comuns (hiperparatireoidismo, angiofibroma facial e colagenomas). O de MEN 1 familiar requer a existência de um caso de MEN 1 e a presença de pelo menos uma das três manifestações mais frequentes, num familiar em primeiro grau. Podem existir casos atípicos, como membros de uma família com uma ou mais manifestações menos comuns. Quando não existe história familiar, estamos diante de um caso de MEN 1 esporádico.
Ø O rastreamento da MEN 2 ocorre por meio de estudos genéticos e bioquímicos. O rastreio de feocromocitoma e hiperparatiroidismo deve iniciar-se na altura da retirada da tireóide ou aos 5-7 anos e deve ser anual. Quando o risco é baixo, poderá ser iniciado mais tarde e menos frequentemente. Os métodos de imagem estão indicados a cada 3-5 anos, após os 15 anos de idade, quando os doseamentos bioquímicos são normais.
Como é tratada?
Ø O tratamento de MEN 1 é complexo e a cura é difícil. Os pacientes freqüentemente necessitam de várias intervenções médicas e cirúrgicas ao longo de suas vidas, já que os tumores têm alto potencial de retornarem e causam alterações hormonais importantes. A decisão cirúrgica deve ser individualizada, levando-se em conta as suas possíveis consequências.
Ø O tratamento da MEN 2 baseia-se no tipo do tumor. No caso de carcinoma medular da tireóide, o tratamento é cirúrgico e deve ser realizado o mais precocemente possível. No caso de feocromocitoma a terapêutica também é cirúrgica precedida de farmacoterapia. O hiperparatiroidismo primário habitualmente é assintomático e as indicações operatórias são semelhantes ao hiperparatireoidismo da MEN 1.
OUTROS TUMORES ENDÓCRINOS MÚLTIPLOS
Síndrome Von Hippel Lindau
Ø Síndrome de origem genética, relativamente rara, com prevalência ao redor de 1/36.000 nascidos vivos (EUA). Sendo que os indivíduos afetados podem apresentar hemangioblastomas de sistema nervoso central, medula espinhal, retina e tumores de saco endolinfático; podem apresentar ainda comprometimento de órgãos parenquimatosos, com aparecimento de cistos renais e carcinoma de células renais, cistos e tumores pancreáticos e tumores neuroendócrinos. O diagnóstico da doença de von Hippel-Lindau é freqüentemente baseado em critérios clínicos. A doença de Von Hippel-Lindau acomete muitos órgãos, podendo levar a lesões mutilantes e irreversíveis que, talvez, com o advento de novos conhecimentos e tecnologias, venham a alterar a história natural, aumentando a expectativa e a qualidade de vida destes pacientes.
Neurofibromatose Tipo 1
Ø A neurofibromatose tipo 1 é uma doença genética com incidência de aproximadamente 1:3.000 habitantes e caracteriza-se, principalmente, pelo envolvimento sistêmico e progressivo, manifestando-se por deformidade física e comprometimento de funções neurológicas. O diagnóstico da neurofibromatose tipo 1 deve ser realizado o mais precocemente possível, por meio de exames clínicos e história familial, sendo indispensável o uso de exames de imagem como radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética para diagnóstico, acompanhamento terapêutico e controle das lesões, prevenindo complicações.
Complexo de Carney
Ø O complexo de Carney representa também uma doença genética, que associa diversos tumores cardíacos, endócrinos, cutâneos, do sistema nervoso e lesões cutâneas variadas. Análise genética deve ser proposta a todos os casos em que há suspeita do complexo de Carney e história familiar da doença.
Ø HOFF, Ana Oliveira; HAUACHE, Omar Magid. Neoplasia endócrina múltipla tipo 1: diagnóstico clínico, laboratorial e molecular e tratamento das doenças associadas Arq Bras Endocrinol Metab, v.49, n.5, São Paulo, Out. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302005000500014. Acesso em 05 de novembro de 2012.
Ø GUIMARÃES, Joana. Neoplasias endócrinas múltiplas. Acta Med Port, 2007, v.20, p. 65-72. Disponível em: http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2007-20/1/65-72.pdf. Acesso em 05 de novembro de 2012.
Ø PASSEROTTI et al. Doença de von Hippel-Lindau. Disponível em: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?id_materia=2909&fase=imprime. Acesso em 06 de novembro de 2012.
Ø MUNIZ et al. Neurofibromatose tipo 1: aspectos clínicos e radiológicos. Rev Imagem 2006;28(2):87–96. Disponível em: http://www.luzimarteixeira.com.br/wp-content/uploads/2011/02/neurofibromatose-aspectos-clinicos.pdf. Acesso em 06 de novembro de 2012