O objetivo deste projeto, em RJI, é verificar como a plataforma BIM pode ajudar no gerenciamento de edifícios históricos no que diz respeito a plataforma BIM, quanto a compreensão de como é o gerenciamento de edifícios históricos.
Desde o início de minha carreira acadêmica, em meus projetos de pesquisa, tenho mostrado interesse pelas tecnologias voltadas em desenvolvimento de projetos. Inicialmente com desenhos digitais em duas dimensões (2D), passando por maquetes eletrônicas (3D) e gerenciamento de desenhos, até chegar a nova plataforma de trabalho BIM, que é meu atual objeto de estudo.
Segundo a NBIMS – National BIM Standard[1], órgão criado especificamente para padronizar o trabalho com BIM nos EUA:
A modelagem da informação da construção (BIM) é uma representação digital das características físicas e funcionais de uma edificação... serve como um recurso de compartilhamento de informações, formando uma base confiável para decisões durante seu ciclo de vida. A premissa básica do BIM é a colaboração por diferentes intervenientes a diferentes fases do ciclo de vida de uma instalação para inserir, extrair, atualizar ou modificar as informações no BIM para apoiar e refletir os papéis de que as partes interessadas.
BIM (Building Information Modeling - Modelagem da Informação da Construção) é uma plataforma para projetos, que utiliza como base um Modelo Tridimensional Digital Paramétrico[2]. Nesse modelo paramétrico todos os profissionais envolvidos podem analisar o projeto completamente, e também verificar soluções adotadas por cada uma das áreas complementares. As alterações necessárias podem ser realizadas em um mesmo arquivo, cada qual em sua área, com isso o processo de construção é melhorado, no sentido de otimização das alterações/correções e na qualidade das informações armazenadas junto ao modelo. Vários programas podem ser associados à ferramenta, possibilitando gerar simulações específicas, como de conforto térmico, acústico, resistência, planejamento, entre outros.
BIM é uma ferramenta nova de trabalho que vem mudando paradigmas em todo mundo, no setor de AEC.
Para se ter uma ideia nos Estados Unidos, desde 2006 a GSA, General Services Administration[3], decretou que os novos edifícios públicos projetados deveriam utilizar o BIM na fase de projetos. Nesse período o BIM foi utilizado em 31.772.841 m² nos espaços de escritórios públicos. Segundo o SmartMarket Report[4] a utilização do BIM nos Estados Unidos saltou de 55% em 2013 para 79% em 2015 nas empresas. Países como a Holanda, Alemanha, Reino Unido, Singapura, entre outros determinaram que os projetos estatais devem ser feitos na plataforma BIM. No Brasil ainda não há estatísticas, mas é certo que essa nova plataforma de trabalho já está presente em muitas empresas brasileiras, principalmente as de médio e grande porte. No setor público o Exército Brasileiro e o metro da cidade de São Paulo são bons exemplos de implantação do BIM.
Criar e compatibilizar projetos, analisar e fazer simulações, onde vários profissionais trabalham juntos para criar uma edificação de qualidade em menor tempo e custo, são etapas utilizadas para projetos novos, onde após a finalização da obra a plataforma BIM gera uma documentação que permite a gestão da edificação durante sua vida útil até em sua demolição.
Como ficam as edificações que foram projetadas e construídas sem a ferramenta BIM?
Dessa pergunta surgiu o meu Projeto de Pesquisa em RJI, BIM[5] NAS EDIFICAÇÕES ANTIGAS. Ele tem como objetivo principal, verificar as vantagens e desvantagens de aplicar o BIM em edificações construídas sem essa tecnologia. Fazer uma comparação entre o sistema de manutenção e gerenciamento de uma edificação tradicional e com a utilização do BIM.
O projeto, tem por foco o uso da ferramenta BIM em uma edificação, cujo projeto foi desenvolvido de maneira tradicional (em papel ou arquivo digital bidimensional) e como essa ferramenta pode ajudar em seu gerenciamento.
Em minha pesquisa bibliográfica quase não há material bibliográfico sobre a utilização do BIM em edificações antigas. Segundo GROETELAARS (2015, p. 38):
Observa-se que não há estudos consistentes e detalhados sobre a utilização da tecnologia BIM para a documentação de edificações existentes (mais usada em situação de projeto), muito menos sobre seu uso integrado com as técnicas de captura.
Isso demostra que essa pesquisa trará muitas informações à comunidade e que os resultados irão permitir verificar se vale a pena investir nessa nova tecnologia para o gerenciamento da manutenção edifícios antigos. Também será possível identificar quais os tipos de informações que devem ser colocadas no modelo, quais os tipos de programas a serem agregados ao BIM, entre outros.
[1] Texto tirado do site < https://www.nationalBIMstandard.org/ >. Acesso em: 29 jun. 2017.
[2] Modelo paramétrico – Modelo tridimensional computadorizado, que possui características espaciais associadas à sua representação. Por exemplo, quando é feita alguma alteração em uma parede, automaticamente essa mudança é feita em todos os desenhos do projeto, como cortes e fachadas, enfim tudo que está relacionado a essa parede será mudado.
[3] GSA foi estabelecido pelo presidente Harry Truman em 1 de julho de 1949, para agilizar o trabalho administrativo do governo federal. GSA consolidou o National Archives Estabelecimento, a Agência Federal de Obras e seus edifícios da Administração Pública, o Bureau de Abastecimento Federal e do Escritório de liquidação do contrato, e da Administração Ativos guerra em uma agência federal encarregada de administrar fornecimentos e de locais de trabalho para os funcionários federais.
[4] SmartMarket Report é um relatório anual, emitido pela McGraw Hill, que aborda tendências econômicas e dados de empresas de designs e projetos.
[5] BIM – Building Information Modeling, Modelagem da Informação da Construção.