Bacharel em Ciências Jurídicas e
Ciências Sociais pela UFPB.
Ex-assessor jurídico do Município de Sobrado
Dos distritos elevados de Município no ano de 1994, na Paraíba, verdade é que Sobrado era dos mais antigos. Sua existência como distrito data de 1890, portanto, havendo decorrido cerca de 104 anos para obter a sua total emancipação política. Por outro lado, já como povoado, advém da segunda metade do século XVII, época em que foram construídas suas primeiras casas e inclusive o sobrado que deu origem ao seu próprio nome.
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Fonte: RAMOS, Adauto. Sobrado: Hino - Brasão - Bandeira. João Pessoa: Sal e Terra, 2012.
A Origem
Bacharel em Ciências Jurídicas e
Ciências Sociais pela UFPB.
Ex-assessor jurídico do Município de Sobrado
As terras onde atualmente acha-se localizado o Município de Sobrado advêm de uma sesmaria concedida a André de Albuquerque pelo Capitão-Mor João de Brito Correia, então governador da Capitania da Paraíba, em 1621, onde, posteriormente, numa parte delas foi construído o Engenho Melancias. A Nominação de Sobrado só veio a ocorrer quase dois séculos depois, isto é, em começo de 1800, ocasião em que ali se construiu uma grande habitação de primeiro andas, a qual logo passou a ser conhecida pelos habitantes das redondezas como "O Sobrado". Esse imóvel que deu origem ao nome do lugarejo foi edificado onde hoje existe instalado o escritório da CAGEPA e caias d'água da atual cidade.
Comprovando o que se afirma quanto ao local do antigo imóvel, lembro-me muito bem que, em 1981, quando foi removido o terreno onde se encontram as caixas d'água, logo apareceram as metralhas da fundação do antigo prédio.
Além disso, há cerca de trinta anos, uma senhora com mais de oitenta anos, moradora daquele meio, conhecida por "Dona Lina", sempre dia que, segundo sua mãe, ali fora edificado "O Sobrado", considerado o primeiro imóvel residencial com sótão e primeiro andar construído na localidade.
Na verdade, quem, comparecer ao local logo notará trata-se de um ponto por demais elevado, pois oferece uma visão altamente privilegiada de todas as terras que circundam aquele meio. Também há de se levar em conta a circunstância de que uma pequena comunidade ali já existia muito antes, em terras da propriedade comum, integrante da já mencionada sesmaria.
Assim, o lugarejo só veio a adquirir nome próprio a partir da construção do Sobrado. Além disso, até hoje, só chegamos a constatar a palavra Sobrado, em documento, a partir de 21 de setembro de 1822, através de um assentamento de batismo num dos livros de registro da paróquia matriz de Nossa Senhora dos Anos de São Miguel de Taipu.
Os seus primeiros habitantes civilizados foram os ascendentes da família do português Manoel Antônio Fernandes, o qual edificou o sobrado que denominou a povoação.
Tratando-se, ainda, das famílias mais antigas que naquele ambiente viveram, vale destacar, entre outras, os "Braz Pereira" e "Silva Sales", vindos do interior do Estado de Pernambuco, fixando-se naquelas terras na mesma época dos fundadores. Dessas famílias os mais antigos de nomes conhecidos foram os cidadãos Luiz Braz Pereira e José da Silva Flores, meus tetravôs, os quais, segundo documentos obtidos junto à matriz religiosa de São Miguel de Taipu, já em começo do século dezenove tinham oratórios privados onde eram celebrados batizados e casamentos.
Outro destaque a considerar em relação a essas famílias diz respeito à circunstância de que elas participam ativamente de todos os acontecimentos que concorreram para o desenvolvimento do Sobrado antigo.
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Fonte: FERREIRA, Juraci Marques. Sobrado dos meus ancestrais. p. 15-16. João Pessoa: F&A Gráfica e Editora, 2010.
Bacharel em Ciências Jurídicas e
Ciências Sociais pela UFPB.
Ex-assessor jurídico do Município de Sobrado
O surgimento da passagem da linha férrea nos capinzais que envolviam o espaço territorial que deu origem a sapé ocorreu no longínquo ano de 1881, quando tiveram início os serviços daquele importante meio de comunicação.
No entanto, a ideia da construção da mencionada ferrovia aconteceu bem antes, isto é, a partir de 1871. [...] A tarefa, inicialmente não foi difícil. No dia 15 de dezembro de 1871, Sua Majestade Imperial assinou o decreto nº4.838 autorizando a construção da obra que teria início na capital da província da Paraíba e terminaria na localidade de Alagoa Grande.
Ocorreu, porém, que os responsáveis pelos serviços nunca deram importância ao que havia sido estabelecido naquela oportunidade, razão pela qual mesmo tendo o poder imperial prorrogado o prazo da construção da obra por mais de uma vez, chegando a decorrer quase dez anos, nada de prático foi feito por aqueles empresários no sentido de que os trabalhos fossem iniciados. Portanto, por conta do acontecido, restou se procurar outro caminho para se atingir o fim desejado. Entretanto, esse momento só veio aparecer em 1880, quando surgiu a empresa inglesa The Conde d'Eu Railway Company Limited, especializada no ramo da atividade, à qual foi dada a concessão para que, finalmente, a obra fosse realizada. Nesse tempo não era mais Frederico de Almeida e Albuquerque que representava a Paraíba Perante o Imperador, e sim, Antônio Alfredo da Gama e Melo.
É oportuno dizer que naquela época, na região, existiam apenas dois aglomerados humanos que se distava um do outro cerca de duas léguas. tratava-se das povoações de SOBRADO e CACHOEIRA que já se achavam bem adiantadas, posto que eram possuidoras de atividades comerciais altamente desenvolvidas para o padrões daquele tempo.
Não resta dúvida que estas comunidades ao tomarem conhecimento de que uma linha férrea iria ser construída na direção de Mulungu, com destino a Alagoa Grande, passado em nosso ambiente, logo, através de suas figuras locais mais conceituadas, procuraram interceder junto á autoridades imperiais da Província, no sentido de fazer com que os trilhos da estrada de ferro viessem passar os mais próximo possível do centro habitacional delas. dessa maneira, enquanto SOBRADO que aquele meio de comunicação passasse por lá, a população do povoado de Cachoeira alimentava o mesmo desejo.
Segundo diversas informações com pessoas idosas que obtive de pessoas idosas há mais de quarenta anos, na meninice tiveram tanto contato com quem naquela época, certo é que ambas as localidades muito lutaram na busca de seus objetivos. No entanto, analisados os pedidos levando em conta ainda as condições física dos terrenos por onde a linha férrea iria passar, no final das contas, ficou decidido que a estrada de ferro passaria em local igualmente equidistante dos dois povoados, onde haveria de ser construída uma estação de trem destinada a atender a todos.
Dessa maneira, o ponto de partida do tem edificado no lugar Sapé, naquela época, ocorreu apenas em função da existência de SOBRADO e Cachoeira, únicos centros rurais que naquele tempo dominavam todas as atividades destacáveis dos espaços territoriais da região. Como ilustração histórica, portanto, é bom lembrar que a atual cidade de Sapé surgiu em função daquelas velhas comunidades. assim é que se elas não existissem naquele tempo, certo é que jamais haveria parada de trem naqueles campinais, tampouco as reais condições para o nascimento de meus um novo aglomerado humano [...].
Finalizando, é oportuno dizer que não se pode negar que Sapé foi Produto da estrada de ferro, de sua estação de trem que naquela época foi construída unicamente para atender os habitantes que especialmente viviam nas povoações de SOBRADO e CACHOEIRA.
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Fonte: FERREIRA, Juraci Marques. O processo histórico de Sapé (1757-2012). João Pessoa: ideia, 2013, p.31-33.