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CÂNDIDO DE FRANÇA RAMOS ("No Ramos")
Nascimento e Origens
Cândido de França Ramos nasceu em 5 de agosto de 1885, na povoação de Cruz do Espírito Santo (na época, distrito de Pedras de Fogo, Paraíba), filho de Antônio de França Ramos e de Agripina Cândida do Rego Barros. Foi batizado em 25 de junho de 1889 na Capela do Sagrado Coração de Jesus, em Cabedelo, pelo Padre Theodolino Antônio da Silveira Ramos. Seu padrinho foi Manuel Joaquim Ramos.
Curiosamente, no registro de batismo não consta o nome da madrinha, mas Cândido afirmava que sua madrinha era Nossa Senhora das Neves, padroeira do dia de seu nascimento. Seus pais casaram-se em 25 de maio de 1879, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
Juventude e Trabalho na Usina
Órfão aos 5 anos de idade, Cândido teve pouca instrução formal e lia com dificuldade, mas possuía uma habilidade extraordinária para cálculos mentais. Na juventude, trabalhou como balconista no barracão de seu primo, Antônio do Rego Barros, em Cruz do Espírito Santo.
Ainda jovem, buscou o Dr. João Úrsulo Ribeiro Coutinho, proprietário da Usina Central (atual Usina São João), pedindo terras para trabalhar. Estabeleceu-se ali como lavrador de cana-de-açúcar. Por ser extremamente econômico, trabalhador e austero, tornou-se amigo pessoal do usineiro. O Dr. Odilon Ribeiro Coutinho, filho do proprietário, descrevia "Nô Ramos" como o "herói de sua infância" e um exemplo de caráter e honestidade.
O Engenho Cafundó
Em 1920, com suas economias, Cândido comprou terras na Passagem do Guriém (hoje município de Sobrado). Em 1933, construiu ali o seu próprio engenho, batizado de Cafundó.
Construção: Feita pelo mestre Joaquim Baquara, com madeira de transportada em carros de bois da mata do Japungu (Santa Rita). Era um engenho movido a tração animal (bois), produzindo rapadura e aguardente.
Moradia: Inicialmente viveu em duas salas anexas ao engenho. Em 1937, construiu um barracão que serviu como a primeira "Casa Grande" (onde nasceu seu filho, o escritor Adauto Ramos). A atual Casa Grande definitiva foi edificada em 1939.
Expansão e Patrimônio
Cândido expandiu consideravelmente seus bens, adquirindo diversos sítios: Riachão do Poço, Coruja, Campineiro, Pedra Aguda, Ribeiro, Junco, Carocho e Areia. Além da cana, comercializava algodão, plantava inhame e mandioca (tendo sua própria casa de farinha) e criava gado.
Vida Familiar
Cândido casou-se duas vezes:
Primeiro Casamento (1914): Com Maria Augusta de Vasconcelos . Tiveram os filhos Julieta, Belmiro, Pedro, Paulo, Luiz e João. Maria Augusta faleceu em 1932.
Segundo Casamento (1932): Com Luiza Guedes de Vasconcelos ("Lulinha"), filha de um mestre técnico têxtil e descendente do Barão de Maraú. Desta união nasceram: Cândido Eliezer, Antônio, Adauto (escritor e autor do relato), Angélica Maria, Cassiano, Angélica Luiza, Belmira, Maria do Socorro, Aluísio e Severino.
Falecimento
Em 1947, após uma grande seca que dizimou parte de seu gado, Cândido adoeceu. Foi diagnosticado com câncer de pulmão (era fumante) no Hospital Português, em Recife. Após oito meses de sofrimento, faleceu em 24 de outubro de 1948, à 1h da madrugada, na Casa Grande do Engenho Cafundó. Foi sepultado no cemitério de Sapé, Paraíba.