Fonte da imagem do cabeçalho: https://rafaellopez.com/wp-content/uploads/2016/11/New-Hero-Image.jpg
Nesta sequência didática, pensada para o 8º ano, trabalhamos o “Conto de Escola”, de Machado de Assis. Em 25 aulas, propomos um estudo aprofundado do conto, partindo de sua estrutura e desafios de linguagem até o despertar do aluno enquanto escritor.
Autores: Kathlyn Cerqueira, Julia Salazar Matos, Dayna dos Santos Oliveira, Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés, Ingrid Valk Rokiskei
Ano escolar: 8º ano
Duração: 25 aulas (3 vezes por semana)
Apresentação: Machado de Assis é o escritor mais importante da literatura nacional, artista que soube refletir em suas obras muitos dos dilemas éticos e sociais vivenciados no Brasil. Além disso, é um dos poucos autores brasileiros que tem reconhecimento internacional. A leitura de um escritor tão grande sempre é desafiadora, no entanto, é neste mesmo encontro que o leitor ganha experiência, tendo a possibilidade de amadurecer e tornar sua leitura cada vez mais autônoma.
Sendo Machado de Assis um escritor localizado temporalmente distante de nossos alunos, não podemos lançá-los à deriva nesta leitura. Escolhemos, portanto, “Conto de escola” para que as crianças tenham seu primeiro contato com o autor. A ponte imediata que o conto apresenta com o cotidiano dos nossos alunos é justamente o contexto escolar, temática valiosa também como fator de aproximação do professor com seus alunos. À essa luz, buscamos elaborar uma sequência que possa ser realizada no início do ano letivo. Como referência, pode-se citar as seguintes habilidades da BNCC:
Leitura
(EF89LP33) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes – romances, contos contemporâneos, minicontos, fábulas contemporâneas, romances juvenis, biografias romanceadas, novelas, crônicas visuais, narrativas de ficção científica, narrativas de suspense, poemas de forma livre e fixa (como haicai), poema concreto, ciberpoema, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.
Produção de textos
(EF89LP35) Criar contos ou crônicas (em especial, líricas), crônicas visuais, minicontos, narrativas de aventura e de ficção científica, dentre outros, com temáticas próprias ao gênero, usando os conhecimentos sobre os constituintes estruturais e recursos expressivos típicos dos gêneros narrativos pretendidos, e, no caso de produção em grupo, ferramentas de escrita colaborativa.
Oralidade
(EF89LP27) Tecer considerações e formular problematizações pertinentes, em momentos oportunos, em situações de aulas, apresentação oral, seminário etc.
Análise Linguística/Semiótica
(EF08LP16) Explicar os efeitos de sentido do uso, em textos, de estratégias de modalização e argumentatividade (sinais de pontuação, adjetivos, substantivos, expressões de grau, verbos e perífrases verbais, advérbios etc.).
Objetivos: O aluno passa uma parte considerável da sua vida dentro da escola, portanto, inegavelmente, esse é um espaço onde se discutem temas e valores sociais. A escola, por meio da literatura, pode servir de espaço para se discutir conflitos da sociedade e tratar sobre valores morais e éticos de diferentes espaços e tempos. Assim, as estratégias e procedimentos de leitura se tornam eficazes quando são adequadas para indicar meios para que o aluno saiba estabelecer relações entre os textos e suas vivências. Em vista disso, elegemos o conto ‘‘Conto de Escola’’, de Machado de Assis, para trabalharmos em sala de aula tendo por horizonte diálogos, discussões e análises que convenham à construção de uma prática de leitura, interpretação de sentidos dentro e além do texto e conhecimento de ferramentas de escrita.
Conteúdo:
INTRODUÇÃO (Contextualização; Leitura do Conto; Atividades diagnósticas)
BLOCO 1 (Estrutura do conto; Tempo; Espaço; Exercícios)
BLOCO 2 (Personagens; Pronomes; Exercícios)
BLOCO 3 (Narrador; Tipos de Discurso; Pretéritos do Indicativo; Pontuação; Exercícios)
FINALIZAÇÃO (Produção de texto; Revisão e Edição; Leitura e Finalização)
Materiais de apoio:
Giz, lousa, papel, cola, textos, vídeos e fichas de apoio. Caso o/a professor/a opte por exibir imagens, será necessário ter conexão com internet, retroprojetor e/ou computador. Na falta destes recursos também é possível levar imagens impressas ou utilizar o próprio celular do docente para exibi-las.
Ferramentas exclusivas:
Fazer um repositório de imagens que poderão ser exibidas em aula
Vídeo: Resumo Conto de Escola
INTRODUÇÃO
Aula 1: Machado de Assis e sua época
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Material necessário:
Ficha de apoio na página 1 do PDF de imagens - BLOCOS INTRODUTÓRIOS e 1.
Nessa aula, o professor fará a apresentação do autor a ser estudado no bimestre: Machado de Assis. Neste momento é importante explicar a importância do escritor dentro do sistema literário brasileiro e ressaltar os dados de sua biografia que possam contribuir com o entendimento do conto escolhido para leitura, “Conto de Escola”. Ainda utilizando-se da biografia de Machado como guia, o professor deve passar para a exposição do contexto histórico em que viveu o escritor e o do conto a ser trabalhado (que se passa em 1840), localizando temporal e espacialmente tanto sua narrativa, quanto sua publicação. Essa contextualização é necessária para que a criança entenda certos acontecimentos do conto, como por exemplo a prática do professor de aplicação de castigo físico nos estudantes por meio da palmatória. Por ser um assunto curioso, a intenção não é que apenas o professor fale sobre essas diferenças, mas que também permita que os alunos façam perguntas e opinem a respeito das escolas dessa época.
Para trabalhar esse assunto de forma lúdica, a proposta da aula é montar uma Ficha de Apoio, em conjunto com a sala, sobre o Machado de Assis e sobre o contexto histórico de 1840 (época do “Conto de Escola”); o intuito é que os alunos sintam-se participantes da construção do conhecimento em sala de aula e que, durante a leitura do conto, tenham acesso a tais informações de forma rápida e sucinta caso necessitem dessas para compreender o enredo. O exercício é estruturado assim: o professor irá entregar para os alunos tópicos soltos do texto bibliográfico que compõe a Ficha de Apoio. O objetivo da classe é montar um texto que faça sentido a partir desses recortes, ou seja, os alunos basicamente devem separar os trechos que se referem ao Machado de Assis dos que se referem ao contexto histórico.
Após a feitura do exercício é recomendável que o professor faça uma sessão de exibição de imagens com a classe, por exemplo: exibir a foto de Machado de Assis, a imagem de uma palmatória, pinturas de escolas de 1840 etc. Essa atividade é interessante, porque ajuda os alunos a se localizarem ainda mais no tempo histórico a que Machado e “Conto de Escola” pertencem, pois ilustram pessoas, objetos e instituições da época.
Aula 2: Leitura da primeira parte de “Conto de Escola”
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Material necessário:
“Conto de Escola” impresso, uma cópia para cada aluno (disponível em domínio público <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000268.pdf>.
*Caso o professor opte por exibir o vídeo “Conto de Escola - Machado de Assis” <https://www.youtube.com/watch?v=fzDYwat-nzs>, será necessário ter conexão com a internet e um computador ou tablet e retroprojetor, ou ainda o próprio celular do professor.
A proposta dessa aula é ler a primeira parte do conto até a página 4, parando de ler após a frase “De repente, olhei para o Curvelo e estremeci;”. A leitura será realizada junto com os alunos, esse exercício é importante para ter uma percepção do texto em sua experiência total, pois faz com que as crianças da sala de aula possam entrar em contato direto com o conto, lendo-o de acordo com sua própria entonação. Além disso, a cada nova leitura temos um novo leitor que se apossa do texto de uma forma distinta, atribuindo novas significações e enriquecendo o processo de leitura.
Outro fator que embasa a relevância dessa atividade é que o professor se constitui como leitor maduro. Agindo como mediador, o professor se coloca como alguém que pode apontar aspectos do conto que passariam despercebidos por uma leitura individual de seus alunos e solucionar os nós que obstruem a leitura, como o uso de uma palavra que não pode ser inferida por seu contexto e que compromete o entendimento do conto.
Sendo assim, a primeira atividade da aula é mostrar para os alunos um teatro de bonecos que conta a história de “Conto de Escola” em cinco minutos. O vídeo está no Youtube (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fzDYwat-nzs) e tem boa qualidade, então é uma ferramenta interessante para situar a classe sobre o que está por vir. Em seguida, o professor deve entregar para todos o conto integral impresso em papel, uma cópia para cada aluno. Como se trata de uma obra que está em domínio público, distribuí-la entre as crianças não envolve problemas ou questões de direito autoral.
Antes de iniciar a leitura do conto, sugere-se que o professor oriente os alunos sobre como essa será realizada. Para os alunos não se perderem e ficarem interessados, a leitura da primeira parte do conto não deve ser corrida, é preciso se deter nos trechos difíceis, e deve ser realizada em conjunto. A leitura sempre fica mais rica quando compartilhada, portanto é necessário fazer o texto circular pelas diversas vozes da turma, sendo uma página por aluno ou apenas a leitura dos diálogos por alunos que se voluntariem previamente. Junto a isso, propõe-se que os alunos façam um exercício de grifar os nomes dos personagens conforme vão aparecendo, pois, mais para frente, essa sequência didática irá adentrar na questão dos personagens.
Aula 3: Leitura da segunda parte de “Conto de Escola”
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Nesta aula, o intuito é continuar e finalizar a leitura do conto, bem como provocar um debate com a classe sobre as diferenças e semelhanças do espaço escolar em 1840 versus 2021. As orientações de leitura da segunda parte do “Conto de Escola” são as mesmas da aula anterior, ou seja: leitura conjunta com a sala, tendo o professor como guia.
Após o encerramento da leitura, sugerimos um exercício oral simples para avaliar o entendimento dos alunos sobre o enredo do conto. Esse exame pode ser feito por meio de perguntas lançadas à turma como: “o que vocês acharam da história?”; “quem narra a história?”; “quem é a personagem principal?”; “o que acontece com Pilar?”; “por que Pilar e Raimundo recebem uma punição?”; “o que pensam sobre a punição recebida pelos dois meninos?”. Respondidas às perguntas, o professor guia a classe para a discussão acerca do espaço escolar em 1840 e em 2021. Uma sugestão para incrementar o debate é que o educador mostre para os alunos fotos de escolas e salas de aulas antigas e atuais, ajudando na comparação entre uma época e outra.
Aula 4: Atividade diagnóstica
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Material necessário:
Ficha de apoio na página 2 do PDF de imagens - BLOCOS INTRODUTÓRIO e 1
A aula 4 se concentra em um exercício de vocabulário, que deve ser realizado em grupos. Os alunos devem reler o conto e anotar palavras cujo significado é desconhecido para eles, bem como escrever o que acham que significa aquela palavra de acordo com o contexto. Em seguida, é proposto para os alunos que compartilhem com a classe quais as palavras que anotaram e o sentido que acreditam que elas têm. Por fim, a atividade culmina na pesquisa dessas palavras em dicionários, sejam virtuais ou não. Aqui é interessante o trabalho com o grupo, pois possibilita a discussão e comparação entre as definições dadas no dicionário com a que se infere pelo contexto do conto, além da avaliação sobre qual se faz melhor na construção do conto.
O intuito da aula 4 é realizar uma atividade diagnóstica com a classe em relação ao vocabulário do texto “Conto de Escola”. A reunião das palavras desconhecidas, a capacidade de entendê-las por seu contexto e a avaliação de qual a melhor definição do dicionário para cada palavra são instrumentos valiosos para o professor diagnosticar a autonomia leitora de seus alunos. Ademais, o exercício pode contribuir para que os alunos, ao ler um texto, aprendam a pesquisar de forma independente ao se depararem com palavras desconhecidas, metáforas, referências externas, entre outros aspectos literários.
BLOCO 1: ESTRUTURA, TEMPO E ESPAÇO
Aula 5: Teoria do conto
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Materiais necessários:
Texto “O direito de narrar”, de Homi K. Bhabha, impresso. Uma cópia por aluno.
“Posfácio” de Boris Schnaiderman. (disponível em: SCHNAIDERMAN, Boris. Posfácio. In: TCHEKHOV, A. P. A Dama do Cachorrinho e outros contos. 6. ed. São Paulo: Editora 34, 2014. p. 334-342.)
Após a leitura integral do conto no bloco introdutório, o próximo passo da sequência didática parte para o estudo da estrutura do gênero conto. Na aula 5, é exposto a estrutura da composição narrativa característica desse gênero, de forma que os alunos saibam identificá-la no “Conto de escola” e, ao final da sequência, estejam aptos para elaborar seu próprio conto. O conceito de conto explorado nesta aula se baseia em dois textos-base: “The right to narrate” de Homi K. Bhabha e “Posfácio” de Boris Schnaiderman (contido no livro “A Dama do Cachorrinho e outros contos” de A. P. Tchekhov).
O início da aula parte da provocação: por que narrar? Essa pergunta se coloca para suscitar as primeiras reflexões relativas à produção autoral do final da sequência e a entender o movimento próprio da narrativa no que se refere a fundar no texto um espaço de mediação entre o escritor e seu leitor. Após essa primeira discussão, passa-se para a leitura conjunta do texto “O direito de narrar” de Homi Bhabha. É interessante ler esse material com os alunos por causa de seu conteúdo de cunho filosófico, provocando a reflexão sobre o ato de se contar e sobre a composição narrativa, sem ser acadêmico em demasia. Por ter a extensão de cerca de uma página, é possível trabalhar em sala de aula. Em seguida, a sugestão é que haja uma segunda discussão guiada por comentários dos alunos sobre o texto.
Tendo em vista que a produção final da sequência didática é justamente uma narrativa do gênero conto, após este primeiro momento da aula, o professor deve retomar o conto com os alunos ressaltando a opção de Machado de Assis por acontecimentos triviais (cola no ambiente escolar) e pelo uso coloquial da linguagem em sua narrativa. A intenção dessa ênfase é que o aluno passe a enxergar o mundo com olhos de escritor, pois como diz Lucy Calkins (2004) ser “alguém que escreve” é um modo de vida (p. 30), percebendo que a matéria para seu trabalho, um acontecimento, depende de como é transmitida para seu leitor, como é narrada, como se conta.
Sugere-se que, junto com as explicações, o professor mostre trechos do “Conto de Escola” que apresentem aspectos triviais para ilustrar tudo o que foi falado até então. Alguns exemplos:
Expressões populares: “Não olhei logo para ele, cá dentro de mim jurava quebrar-lhe a cara, na rua, logo que saíssemos, tão certo como três e dous serem cinco.”
Marcas de oralidade: “Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio.”
Descrição original de atos triviais: “Não é preciso dizer que também eu ficara em brasas, ansioso que a aula acabasse; mas nem o relógio andava como das outras vezes [...].”
Descrição original de objetos triviais: “O pior que ele podia ter, para nós, era a palmatória. E essa lá estava, pendurada do portal da janela, à direita, com os seus cinco olhos do diabo.”
Como apoio ao professor, sugere-se a leitura do texto de Schnaiderman, pois a questão do conto ser próximo do coloquial, da vida ordinária, é bem forte em sua teoria, como na frase “O cotidiano com a sua filosofia, a sua poesia, tinha de irromper na literatura” (SCHNAIDERMAN, 1999, p. 330). Logo, é interessante trabalhar com essa visão, porque esta está impressa em “Conto de Escola”, já que há vários aspectos (desde os diálogos até a construção da história) que se aproximam do uso corriqueiro da língua, bem como a transformação do trivial em acontecimento marcante, argumento também utilizado por Schnaiderman. Machado converte uma travessura usual da época escolar, o fato de alunos colarem, em uma história de reflexão ética.
Aula 6: Enredando
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Material necessário:
Ficha de apoio na página 3 do PDF de imagens - BLOCOS INTRODUTÓRIO e 1
Diagrama na página 4 do PDF de imagens - BLOCOS INTRODUTÓRIO e 1
A aula 6 se inicia pela retomada do enredo do conto pelos alunos. A ideia é que o professor pergunte para a classe o que lembram do conto e organize cronologicamente (na linha do tempo do conto) esses eventos, conforme as respostas dos alunos. Nesse momento é importante que o professor escreva os apontamentos dos alunos na lousa e os ajude a relembrar e organizar tais eventos. Em seguida, o professor deve guiar a sala para uma percepção dos movimentos do conto (apresentação, complicação, clímax, desfecho), para apenas depois apresentar o diagrama com a estrutura do conto. Em sequência será realizada uma atividade feita em conjunto com o professor, em que cada aluno preencherá sua ficha descrevendo quais partes do conto correspondem à apresentação, complicação, clímax e desfecho no conto de Machado de Assis. Pode ser aplicada a partir do modelo criado (disponível no material de apoio) ou no caderno de cada aluno.
O objetivo desta aula é que os alunos percebam que a principal característica do gênero conto é que sua narrativa é composta por um único acontecimento. Assim, o exercício proposto auxilia no direcionamento da aula e orienta o professor para quais aspectos dessa forma é preciso reforçar e quais é possível desenvolver mais devido ao conhecimento prévio dos alunos.
Sugestão de resposta da atividade:
Apresentação do narrador-personagem Pilar e ambientação da história (situação inicial)
Troca de favores: Pilar faz a lição de casa de Raimundo em troca de uma moeda (conflito)
Flagrante do professor: punição física nos alunos e perda da moeda (clímax)
Falta escolar: Pilar falta na escola para acompanhar uma bandinha (desfecho)
Aula 7: Tempo narrativo
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Materiais necessários:
Texto: SAVIOLI, Francisco Platão & FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2011.
Tabela temporal
Anterior
Concomitante
Posterior
há pouco
agora
daqui a pouco/ logo
ontem
hoje
amanhã
há um(a) /dois (duas) etc. semana(s)/mês(es)/ano(s)
neste momento/nesta altura
dentro de/em um(a)/dois (duas) etc.semana(s)/mês(es)/ano(s) etc.
no mês/ano etc. passado
no próximo dia 20,21 etc./mês ano etc.
no último mês/dia 5, 6 etc.
Esta aula será dedicada à explicação sobre o tempo narrativo. O objetivo é que o aluno aprenda a saber referenciar uma obra literária no tempo para entender em qual época a história se passa, bem como compreender se o enredo está organizado de forma cronológica ou não. Para tanto, o professor irá ler para a classe parágrafos selecionados do “Conto de Escola”, o intuito é analisar junto com os alunos a que tempo histórico o narrador se refere e a qual tempo narrativo, ensinando a identificar esses elementos mesmo que não estejam explícitos no enredo.
Para essa aula, a sugestão é que o professor foque em distinguir o tempo real (medido por dias, meses e anos) do tempo narrativo, que não precisa ser medido nos mesmos moldes que o primeiro. Na literatura a função temporal deve corresponder aos efeitos que o enredo deseja criar, dobrando o tempo em favor dos sentidos que o escritor pretende produzir na história.
A sugestão é que o professor adentre nessa questão enfatizando a tarefa final da sequência didática, que é a produção de um conto pelos próprios alunos. Ter uma noção básica sobre temporalidade na narrativa pode ajudar o aluno a criar um conto interessante. Utilizar um quadro ou tabela que contenha as formas temporais e palavras que ajudam a identificá-las é um instrumento didático que pode contribuir com a aprendizagem dos alunos sobre esse tema. Nos materiais há um exemplo de tabela que pode ser usada em sala de aula retirada da lição 14 do livro “Lições de texto: leitura e redação” de Platão e Fiorin, cuja leitura é recomendada ao professor.
Sugestão de trechos do “Conto de Escola”:
Trecho 1
“Tirou-a vagarosamente, e mostrou-me de longe. Era uma moeda do tempo do rei, cuido que doze vinténs ou dois tostões, não me lembra; mas era uma moeda, e tal moeda que me fez pular o sangue no coração”
lentidão do segredo e do tesouro
tempo que não é o tempo da personagem
tempo que está longe do narrador
Trecho 2
“A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola.”
Trecho 3
“Na verdade, o mestre fitava-nos. Como era mais severo para o filho, buscava-o muitas vezes com os olhos, para trazê-lo mais aperreado. Mas nós também éramos finos; metemos o nariz no livro, e continuamos a ler. Afinal cansou e tomou as folhas do dia, três ou quatro, que ele lia devagar, mastigando as idéias e as paixões. Não esqueçam que estávamos então no fim da Regência, e que era grande a agitação pública. Policarpo tinha decerto algum partido, mas nunca pude averiguar esse ponto. O pior que ele podia ter, para nós, era a palmatória.”
Trecho 4
“[...] dormi nessa noite mandando ao diabo os dois meninos, tanto o da denúncia como o da moeda. E sonhei com a moeda; sonhei que, ao tornar à escola, no dia seguinte, dera com ela na rua, e a apanhara, sem medo nem escrúpulos…"
Aula 8: Espaço narrativo
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Nesta aula, pretende-se que os alunos percebam como se dá a construção de espaços nas narrativas, entendendo que eles fazem parte da composição da perspectiva do narrador, isto é, que “O narrador cria espaços onde as personagens se movem. São organizados em função do lugar em que fala o narrador ou de um ponto instalado no interior do texto” (Platão & Fiorin, p.196). Para tanto, o professor deve analisar junto aos alunos alguns trechos do conto que exemplificam a construção de espaços, enfatizando como isso contribui para a atmosfera da narrativa. É interessante acompanhar os trechos selecionados com imagens que ilustrem a construção do espaço físico, afinal este é um dos poucos aspectos quase tangíveis da narrativa.
É importante ressaltar em sala de aula que o aspecto espacial caracteriza o conto, o contextualiza na história externa e interna do texto. Uma boa construção de espaço auxilia o leitor a adentrar no enredo, bem como revela características físicas e sociais da história contada na narrativa sem que precise se referir a esses de forma direta. Nem tampouco precisa ser um espaço que existe no real, o importante é que essa característica se articule com a construção dos personagens e do enredo.
Para auxiliar o professor no planejamento desta aula, recomenda-se a leitura do texto “Lições de texto: leitura e redação” de Platão e Fiorin, indicado nos materiais.
Sugestão de trechos do “Conto de Escola”:
Trecho 1
“Raimundo deu-me a pratinha, sorrateiramente; eu meti-a na algibeira das calças, com um alvoroço que não posso definir. Cá estava ela comigo, pegadinha à perna”
significação do espaço pelo acúmulo
significação do espaço pela relação com o personagem (diminutivo)
Trecho 2
“A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia — uma segunda-feira, do mês de maio — deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. “
“Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo do desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas com o livro de leitura e a gramática nos joelhos”.
retomada do “problema” do primeiro parágrafo;
prolongamento do espaço narrativo do fora;
encerramento do espaço narrativo do dentro.
Aula 9: Seu Pilar, entre tempos e espaços
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
A aula 9 é um exercício que trabalha os conteúdos estudados até então. A atividade deve ser realizada em grupos de quatro alunos, o objetivo é localizar no texto “Conto de Escola” descrições de tempo e espaço narrativos. É pressuposto que cada estudante já terá o conto inteiro impresso, então pode sublinhar ou circular cada trecho, palavra ou frase que seja uma caracterização do tempo e do espaço da narrativa. Após essa tarefa, os resultados serão compartilhados com a sala. Cada grupo pode falar um trecho que grifou.
O professor deve auxiliar a classe a perceber no texto qual a relação desses espaços e tempos com o narrador. Isso pode se dar a partir da leitura pela voz do professor do trecho elencado pelos alunos, enfatizando no texto os aspectos que contribuem para essa caracterização ou de perguntas que guiem os alunos por essa percepção.
Aula 10: Brincando com o espaço-tempo
Letícia Saracini Duarte, Sophia de Aguiar Moisés
Esta aula tem como objetivo que os alunos possam construir tempos e espaços em função de narrativas pré-determinadas. Isso se dará por meio de um jogo de adivinhação em que uma mesma carta traz duas versões da mesma história, uma sendo repleta de lacunas com relação ao tempo e ao espaço em que aconteceram os eventos e a outra com todos os detalhes. Neste jogo, o mestre de adivinhação lê para os adivinhadores a história com lacunas e lê para si a narrativa completa. A partir dos fragmentos da história que os adivinhadores sabem, eles passam a formular perguntas de sim ou não para o mestre de adivinhação até que descubram o espaço/tempo em que a história se passa e saibam a narrativa completa.
Além de estimular o levantamento de hipóteses, a (re)formulação de perguntas e a colaboração na construção coletiva de narrativas, o jogo implica em um olhar investigativo dos jogadores sobre os eventos, potencializando-os com força narrativa e incentivando a criatividade do trabalho com tal material.
Referências Bibliográficas Bloco 1:
BHABHA, Homi. O direito de narrar. 2015. <http://www.harvarddesignmagazine.org/issues/38/the-right-to-narrate#:~:text=Freedom%20of%20expression%20is%20an,it%20will%20receive%20respectful%20attention.>
CALKINS, Lucy. A arte de ensinar a escrever. (Fragmento), 2004.: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5198961/mod_resource/content/1/Calkins_O_essencial_para_o_ensino_da_escrita.pdf
GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula, 1980: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5105755/mod_resource/content/1/368122895-Geraldi-J-W-O-Texto-Na-Sala-de-Aula.pdf
MEYER, Augusto. “Do leitor”. In: Textos Críticos. João Alexandre Barbosa (Org.). Perspectiva. p.3-10.
SAVIOLI, Francisco Platão & FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2011 <http://www.faberj.edu.br/cfb-2015/downloads/biblioteca/portugues_instrumental/Li%C3%A7%C3%B5es%20de%20Texto%20Leitura%20e%20Reda%C3%A7%C3%A3o%20-%20Fiorin%20e%20Plat%C3%A3o.pdf>
SCHNAIDERMAN, Boris. Posfácio. In: TCHEKHOV, A. P. A Dama do Cachorrinho e outros contos. 6. ed. São Paulo: Editora 34, 2014. p. 334-342
SANTANA, Ramon. A educação pela palmatória. São Cristóvão: VIII Colóquio internacional “Educação e contemporaneidade”, 2014. Disponível em: https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/9812/92/95.pdf
BLOCO 2: PERSONAGENS
Aula 11: Conhecendo personagens
Ingrid Valk, Julia Salazar
Material necessário:
Ficha de apoio na página 1 do PDF de imagens - BLOCO 2
Essa aula abre o bloco de Personagens e tem como objetivo sensibilizar os alunos para a discussão, fazendo uma ponte com elementos da cultura pop com os quais eles têm contato diariamente.
Carlos Alberto Faraco, no texto “As sete pragas do ensino de português”, diz:
2º praga: textos chatos
Chato está aqui para representar todo aquele conjunto de textos desligados da realidade e da cultura nacionais, afastados dos interesses e das necessidades das crianças e adolescentes e que inundam as nossas escolas, via livros didáticos.
Consequência: Ninguém toma gosto pela leitura (como cativar os alunos para a leitura se lhes oferecemos textos intragáveis?) e pouco de conteúdo se tira das aulas de português, justamente nessas faixas etárias em que mais queremos saber das coisas da vida e do mundo! (Como lhes ser úteis com textos que nada lhes dizem?).
É em uma tentativa de afastar os alunos dessa experiência desconectada de seus interesses que inserimos no espaço da sala de aula um momento para que os estudantes falem a respeito daquilo que gostam e, posteriormente, vejam que isso não está distante do conteúdo de língua portuguesa. Diversos profissionais de educação têm realizado palestras e eventos nos quais falam a respeito da importância de romper a resistência que há em relação à incorporação da cultura pop nas aulas. Em uma matéria para o site do Instituto Singularidades, Ana Karla relembra, inclusive, que a BNCC menciona que “gêneros da cultura pop e digital, como fanfics (as ficções textuais ou expressões artísticas criadas por fãs de algum produto da cultura pop), os trailers sinceros (trailers de filmes realizados por fãs), games, memes e quadrinhos sejam utilizados por professores em sala de aula.” Já a professora Simonia relata que apenas desenhar um Goku, personagem de Dragon Ball, na lousa, foi o suficiente para chamar atenção dos alunos, propondo uma troca: se eles prestassem atenção, ela os ensinaria a fazer o mesmo desenho.
Nossa proposta não é trabalhar os gêneros que fazem parte dessa cultura, mas estabelecer uma ponte entre aquilo que é clássico, a literatura de um autor brasileiro consagrado, e aquilo que faz parte do cotidiano dos jovens. Portanto, o/a professor/a irá questioná-los a respeito das séries, filmes e livros que gostam, fazendo uma lista na lousa. Serão formados grupos de 3 a 4 alunos de acordo com seus interesses e cada grupo ficará com uma das obras citadas. Eles deverão eleger um personagem dessa série/livro/filme, conversar sobre suas características e preencher a atividade “descrição de personagem”.
Ao final da aula, os grupos devem apresentar os resultados.
Aula 12: Conhecendo personagens - continuação
Ingrid Valk, Julia Salazar
Nessa aula, os alunos devem finalizar brevemente suas apresentações para que o/a professor/a possa iniciar a discussão. O debate tem como objetivo mostrar aos alunos que as características das personagens escolhidas influenciam diretamente suas ações e o desenrolar das narrativas.
Algumas perguntas que podem guiar a conversa são:
Como as características levantadas influenciaram as atitudes que os personagens tiveram durante o filme/livro/série?
Com base nesses aspectos da personalidade, é possível supor como esses personagens reagiriam em situações hipotéticas?
Nessa última, o/a professor/a pode, dependendo dos interesses da turma, propor uma atividade que imagine uma das personagens mais citadas/queridas em uma situação inventada. Os alunos podem discutir diferentes pontos de vista, que, ao fim, terão sempre relação com a personalidade construída pelos autores/roteiristas.
A discussão atuará como porta de entrada para o estudo dos personagens no conto, mostrando que a dinâmica de construção narrativa se assemelha em diferentes meios.
Aula 13: Personagens do conto
Ingrid Valk, Julia Salazar
Material necessário:
Ficha de apoio na página 2 do PDF de imagens - BLOCO 2
Ficha de apoio para o professor na página 3 do PDF de imagens - BLOCO 2
Após a sensibilização dos alunos às ferramentas de construção dos personagens, eles trabalharão com as personagens do conto. Haverá uma retomada das características das personagens principais do conto com a ajuda dos grifos realizados na leitura direcionada. Os alunos, então, preencherão uma tabela e discutirão sobre como as características apresentadas são coerentes com as atitudes dos personagens durante o conto, de modo que haja uma ponte com o exercício anterior.
Aula 14: Pronomes
Ingrid Valk, Julia Salazar
Material necessário:
Ficha de apoio nas páginas 4 e 5 do PDF de imagens - BLOCO 2
Para montar essa aula, houve uma discussão do vínculo entre a gramática e o objeto de estudo dela, bem como a recepção pelos alunos. Nesse sentido, Carlos Franchi, em “Criatividade e Gramática” (1992), discorre sobre duas práticas correntes no que concerne ao ensino de gramática,e questiona sobre “O que realmente se está fazendo, quando fazemos gramática do modo que fazemos”:
Um primeiro passo seria distinguir, nessa prática, aspectos que derivam de duas tendências históricas que sempre se colocaram como incompatíveis. De um lado, a dos que refletiam sobre a linguagem para construir um sistema nocional capaz de descrevê-la. Pode-se ver isso, por exemplo, em parte dos estudos gramaticais greco-latinos, nas gramáticas especulativas e filosóficas e mais recentemente no estruturalismo. De outro lado a tendência dos que se preocupavam em estabelecer condições de "uso" da linguagem e que deu origem às gramáticas prescritivas e normativas: em vez de refletir teoricamente sobre a linguagem, a tarefa do gramático seria a de elaborar um manual sobre a arte de falar e escrever bem, segundo os mais diferentes critérios. Comecemos pelas reminiscências da primeira dessas tendências. (Franchi, 1992, p. 15).
Para seguir um direcionamento que acreditamos que gerará uma adesão maior dos alunos, optamos por vincular o estudo da gramática à leitura do conto.
Como resposta do exercício anterior, o professor apresentará a tabela preenchida com os trechos selecionados. Se iniciará, então, um close reading e uma discussão sobre os pronomes utilizados. Os alunos serão convidados a grifarem os pronomes e, em conjunto com o professor, a discutirem quais são as referências. Para ajudar nessa tarefa, os alunos receberão uma tabela dos pronomes pessoais e outra com trechos do conto que se valem desses elementos para expressar seu sentido. O objetivo é apresentar ferramentas gramaticais para ajudar na leitura do conto (página 5 do PDF de imagens BLOCO 2).
Aula 15: Exercício de escrita
Ingrid Valk, Julia Salazar
Material necessário:
Fichas de apoio nas páginas 6 e 7 do PDF de imagens - BLOCO 2
Para finalizar o bloco dos personagens, os alunos farão uma tarefa de produção escrita. Para isso, eles devem criar um personagem próprio, delimitando a sua característica na primeira ficha apresentada. Após a realização dessa atividade, os alunos escreverão um parágrafo de descrição. O personagem e o próprio parágrafo produzido poderão ser utilizados na produção final, ou como inspiração. É importante que eles pensem na construção inteira, ou seja, já prevendo com qual tipo de personagem ele trabalhará, para que haja uma coerência entre a construção e as ações do personagem.
Referências bloco 2:
FRANCHI, Carlos. Criatividade e Gramática, 1992. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5312567/mod_resource/content/1/FRANCHI_Criatividade_e_Gramatica_1992.pdf>
GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula, 1980. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5105755/mod_resource/content/1/368122895-Geraldi-J-W-O-Texto-Na-Sala-de-Aula.pdf>
KARLA, Ana. CCXP e educação: o que o maior festival de cultura pop do mundo traz para a sala de aula? Disponível em: <https://blog.institutosingularidades.edu.br/ccxp-e-educacao-o-que-a-o-maior-festival-de-cultura-pop-do-mundo-traz-para-a-sala-de-aula/>
KARLA, Ana. Educação e cultura pop: uma combinação que dá certo. Disponível em: <https://blog.institutosingularidades.edu.br/educacao-e-cultura-pop-uma-combinacao-que-da-certo/>
#WebinarSingularidades - Cultura Pop e Educação. 1 vídeo (1 hora e 16 minutos). Publicado pelo canal Instituto Singularidades. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=1tertN_zpUE>
BLOCO 3: NARRADOR
Aula 16: Como chamamos a voz que conta as histórias? (Estudo do narrador)
Kathlyn Cerqueira, Dayna Oliveira.
Material necessário:
Ficha de apoio na página 01 do PDF de imagens - BLOCO 03
Iniciaremos este bloco apresentando aos alunos outro elemento constitutivo fundamental do gênero narrativo e, consequentemente, do conto: o narrador. A ideia é que os alunos possam entender que o ato de narrar é assimilado a uma atividade comum da esfera humana que perpassou os séculos da história e segue presente em nosso cotidiano: a contação de histórias.
Antes de adentrar em conceitos, propomos um momento de sensibilização sobre a figura do narrador: o professor pedirá aos alunos que narrem algum evento/caso/ acontecimento dando espaço às interações e reações dos colegas. Por exemplo, que narrem como é a rotina diária e o trajeto até à escola.
Em seguida, procuramos refletir sobre o ato de narrar e a transmissão da experiência. Pode-se utilizar trechos de textos teóricos que evidenciem o papel desse sujeito e promova uma reflexão da parte dos alunos.A saber:
‘‘A experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores. E, entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos.’’ (BENJAMIN, W. O narrador. p.198)
‘‘O narrador retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros. E incorpora as coisas narradas à experiência dos seus ouvintes.’’ (BENJAMIN, W. O narrador. p.201)
‘‘Contar histórias sempre foi a arte de contá-las de novo, e ela se perde quando as histórias não são mais conservadas.’’ (BENJAMIN, W. O narrador. p.205)
‘‘Os narradores gostam de começar sua história com uma descrição das circunstâncias em que foram informados dos fatos que vão contar a seguir, a menos que prefiram atribuir essa história a uma experiência autobiografica’’. (BENJAMIN, W. O narrador. p.205)
Em seguida, busque relembrar conceitos com os alunos; observe se já sabem explicar que quem narra as histórias são chamados de narradores, que podem ou não ser os próprios personagens da história e que não se referem ao autor do texto.
Nessa altura, o ideal é que desenvolva um debate na classe sobre o conhecimento dos alunos em relação ao que é um narrador de um texto e de que modo o leitor o percebe, para isso, é necessário fazer perguntas como “O que vocês acham que é um narrador em um conto?”, “Qual a função do narrador em um conto?”, “Vocês acham que existem diferentes tipos de narradores?”
É fundamental para o aluno compreender que o narrador é uma figura importante quando tratamos da ideia de transmissão de experiências e preservação de histórias e saberes, bem como ser capaz de identificar o papel de um narrador dentro de um texto e o posicionamento do leitor, como participante da história.
Nesse momento, o texto do conto deve ser utilizado pelos alunos a fim de que busquem trechos nos quais se pode encontrar marcas do narrador e indiquem qual é o tipo de narrador que está transmitindo a história do conto.
A partir das respostas dadas pelos alunos, comece a explicar quais são os tipos de narradores existentes em uma narrativa e quais são os discursos que podem ser utilizados para dar voz às personagens, a saber: narrador-personagem, narrador-observador, narrador-onisciente; discurso direto, discurso indireto, discurso indireto livre.
Aula 17: O narrador e seus discursos
Dayna Oliveira
Material necessário
Ficha de apoio na página 02 do PDF de imagens - BLOCO 03
O professor iniciará este bloco propondo uma sensibilização sobre a figura do narrador.
Para promover uma reflexão da parte dos alunos, o professor buscará relembrar, em aula, conceitos acerca da temática.
O professor pedirá que os alunos comentem sobre o papel do narrador nas histórias a partir de trechos do conto debatido em aula.
Para continuar a discussão, o professor vai convidar a sala a desenvolver um debate na classe acerca do que é um narrador em um texto narrativo e de que modo o leitor o percebe. Para isso, é necessário fazer perguntas como: “O que vocês acham que é um narrador em um conto?”, “Qual a função do narrador em um conto?”, “Vocês acham que existem diferentes tipos de narradores?”
O professor pedirá aos alunos que comentem alguns trechos do conto, buscando que eles digam o que acharam do narrador em questão e também que apontem nos excertos as marcas do narrador.
A partir das respostas dadas pelos alunos, o professor começará a explicar quais são os tipos de narradores existentes em uma narrativa, a saber: narrador-personagem, narrador-observador, narrador-onisciente;
Antes de explicar os conceitos, o professor irá ler junto com os alunos, trechos em que é possível perceber a marca do narrador. Em seguida, ele explicará os conceitos necessários para entender melhor o papel do narrador no conto e outros tipos de narradores.
Narrador-personagem: em primeira (1ª) pessoa (eu, nós).
Na narração em 1ª pessoa o narrador é um dos personagens. Assim, ele apresenta aquilo que presencia e participa dos acontecimentos.
Narrador onisciente: em terceira (3ª) pessoa (ele, ela, eles, elas).
Esse tipo de narrador apresenta uma visão mais distante da narrativa e tem acesso a informações às quais os personagens não têm. O narrador onisciente sabe de todos os pensamentos e sentimentos dos personagens.
Narrador observador: em terceira pessoa. O narrador observador relata os fatos a partir de sua própria visão, mas não sabe tudo sobre seus personagens. Ele é uma testemunha dos fatos e ações relatadas e não conhece todos os pensamentos e sentimentos dos personagens.
Qual tipo de narrador aparece em Conto de Escola - Machado de Assis?
Nessa parte final da aula, o professora perguntará aos alunos qual é o narrador em questão na narrativa discutida em sala: Conto de Escola, de Machado de Assis. Para tal, o professor vai se basear em trechos específicos da narrativa.
Em seguida, será proposto um exercício de reescrita do trecho com um narrador onisciente e com o narrador observador. Depois, a sala em conjunto vai corrigir os exercícios e discutir as diferenças. Nesse momento, o texto do conto deve ser utilizado pelos alunos a fim de que busquem trechos nos quais se pode encontrar marcas do narrador e indiquem qual é o tipo de narrador que está transmitindo a história do conto.
Exercício sobre o narrador:
Em sala, o professor vai discutir as mudanças feitas pelos alunos da primeira para terceira pessoa. Com essas transformações da narração de terceira pessoa para primeira pessoa, o professor vai pedir para classe responder: o quê mudou com essa transição? Quais características foram perdidas e quais foram acrescentadas?
Aula 18: O passado na narrativa - Pretéritos do Indicativo
Kathlyn Cerqueira, Dayna Oliveira.
Material necessário:
Ficha de apoio na página 03 do PDF de imagens - BLOCO 03
Professor, nesta aula, a proposta é trabalhar tempos verbais, mais especificamente, os três tempos verbais correspondentes ao pretérito do indicativo: pretérito perfeito, pretérito imperfeito e pretérito mais-que-perfeito; analisar suas funções, seus contextos de uso e a relação de sentido estabelecida por cada um.
A eleição do tempo verbal a ser trabalhado está diretamente relacionada aos tempos verbais que são utilizados no conto desta sequência. É aconselhável que os alunos já tenham aprendido conteúdos como: modos verbais, tempos verbais no presente e/ou tempos verbais no futuro.
Considerando que os marcadores temporais de um texto podem ser encontrados dentro da classe gramatical do advérbio, das locuções adverbiais, das conjunções e preposições, você pode englobar esses temas no planejamento das suas aulas. Os tempos verbais não devem ser ensinados só como uma regra gramatical. O importante é os alunos compreenderem seu uso e função no texto, bem como os diferentes efeitos de sentido que cada um transmite.
Propomos o uso do pretérito com base no conto, para que a aprendizagem não se dê de forma mecânica e descontextualizada. Associar a gramática à produção e interpretação de texto é uma forma mais efetiva de garantir que a turma aprenda a utilizar os verbos no tempo adequado ao contexto de sua produção e que consiga transitar com eficiência entre os efeitos de sentidos decorrentes do uso de determinado tempo verbal e perceba sutilezas de interpretações durante a leitura, além de localizá-lo melhor dentro da função comunicativa do texto em estudo.
Aqui, vamos ensinar aos alunos que os tempos verbais são aqueles que transparecem no verbo no momento em que ocorre a ação que está sendo narrada e, quanto aos pretéritos, que os termos demonstram a forma como os acontecimentos ocorreram no passado e têm uma sequência temporal.
Os diferentes tempos verbais não servem apenas para marcar o tempo cronológico, ou seja, indicar a sequência dos fatos. Eles possibilitam ao autor, além de descrever o que ocorreu no passado, caracterizar seu ponto de vista sobre o cenário e o ambiente e expor sua opinião sobre os personagens.
Reconhecer esses aspectos temporais na narrativa será um passo importante para que o aluno possa perceber a dinâmica e a pontualidade dos acontecimentos ao utilizar o pretérito perfeito quanto os movimentos prolongados com o uso do imperfeito.
Para iniciar a aula, questione aos alunos: O que aconteceu primeiro e que sequência de fatos veio depois? Quais palavras ou expressões mostram que o tempo está passando? A história acontece somente ao longo de um dia? Se sim, como podemos saber? Se não, que período ela abrange e como descobrimos essa informação?
A partir das respostas obtidas pelos alunos, crie uma lista de marcadores temporais que expressam o tempo passado no conto, considerando seu respectivo contexto. Selecione na lista apenas os verbos que marcam o pretérito e explique os conceitos existentes para cada um dos tempos verbais.
Procure questionar a turma sobre as diferenças de uso e de sentido de cada tempo verbal e discuta esses pontos com base na narrativa em estudo. Além de demarcar o tempo:
O pretérito imperfeito é utilizado em narrativas como pano de fundo ou cenário ou para marcar ações rotineiras no passado:
" Hesitava entre o morro de S. Diogo e o campo de Sant’Ana [...]".
" Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tardia. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro.’’
Os verbos no pretérito perfeito apresentam uma ação acabada, que está diretamente relacionada à progressão do enredo no tempo:
" Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio.’’
3. O pretérito mais-que-perfeito serve para marcar ações em um passado anterior ao passado da narração:
‘‘Não conseguira reter nada do livro, e estava com medo do pai. E concluía a proposta esfregando a pratinha nos joelhos…’’
O aluno precisa saber!
O pretérito mais-que-perfeito é raramente utilizado na linguagem oral e até mesmo em produções escritas (sempre a depender do contexto do discurso, objetivo e público leitor).
Aula 19: Ponto por ponto
Kathlyn Cerqueira
Nesta sequência, o objetivo é estudar os sinais de pontuação como elementos de construção de sentido no conto. Selecionamos os seguintes sinais de pontuação (em ordem quantitativa de aparição no texto): hífen, travessão, ponto e vírgula, reticências, interrogação, exclamação, dois pontos e aspas. Não pretendemos aqui liquidar toda a temática dos sinais de pontuação, por isso, eliminamos da análise o uso da vírgula e do ponto final.
Assim, o professor deve incluir em seu planejamento, paralelo ou adicionalmente à esta sequência, o estudo do ponto e da vírgula bem como aprofundamento nos demais contextos e conceitos dos sinais de pontuação - sempre considerando que os sinais de pontuação devem ser ensinados através de textos e contextos, não por meio de explicitação de regras gramaticais isoladas.
Para não deixar passar: para o exercício de fixação final do bloco, haverá uma proposta na qual o aluno deverá fazer uso do discurso direto e/ou indireto, portanto, vale ressaltar os contextos de uso de dois pontos e aspas na marcação/citação da fala, ainda que não haja muitas ocorrências destes sinais na narrativa do conto.
Os sinais de pontuação delimitam as unidades de processamento da leitura, os blocos de sentido; definem fronteiras que indicam ao leitor o que deve ser lido junto e o que, ao contrário, deve ser lido separadamente. Além disso, os sinais de pontuação não favorecem apenas a organização do texto, mas também nos permitem expressar da melhor forma possível os sentidos que queremos atribuir as nossas produções escritas, favorecendo a interação entre leitor, escritor e texto escrito.
Nesse sentido, espera-se que, nessa aula, os alunos possam entrar em contato com os sinais de pontuação sendo levantada uma discussão a respeito dos vários usos desses recursos linguísticos nas produções escritas e a variedade de efeitos de sentido que podem exercer de acordo com cada texto e contexto. Assim, os sinais de pontuação não são meras marcas da linguagem falada, mas sim elementos que precisam ser aprendidos como importantes formas de construção de efeitos de sentidos no texto escrito.
Questione aos alunos: Quais sinais de pontuação você conhece? Saberia explicar quais são os sentidos que tal pontuação dá ao texto? Ao produzir um texto, você utiliza sinais de pontuação? Quais são os sinais que você mais utiliza?
Dinâmica: Divida a turma em grupos e, com um dado, sorteie um tipo de sinal de pontuação para cada grupo. Oriente os alunos a destacar trechos do texto em que aparece a determinada pontuação, investigar o motivo pelo qual o escritor utilizou aquele sinal de pontuação específico, descrever qual foi o efeito de sentido suscitado no texto e anotar as descobertas na folha entregue ao grupo.
A partir dessa atividade, faz-se necessário apresentar aos alunos o emprego dos sinais de pontuação: ponto e vírgula, travessão, hífen, reticências, dois pontos, aspas, exclamação e interrogação.
Em seguida, deixe que os grupos leiam novamente os trechos selecionados por eles e tirem dúvidas sobre o uso e sentido da pontuação dentro do contexto. É essa interação reflexiva com o texto escrito que permitirá ao escritor construir e ao leitor reconstruir sentidos nos processos de escrita, leitura e compreensão textual em função da real situação social de produção.
Acesse o arquivo pdf abaixo sobre o conteúdo desta aula, contém: trechos selecionados do conto para consulta do professor, modelo de dado para o sorteio do sinal de pontuação e folha para registro da investigação dos alunos.
Aula 20: Exercitar!
Kathlyn Cerqueira
Na última aula do bloco, propomos duas atividades que visam exercitar todos os conteúdos trabalhados nas últimas aulas (narrador, pretéritos e pontuação), contando também com os conteúdos de blocos anteriores, como: personagens, estrutura narrativa e contextualização do conto.
Assim, a atividade 1 deve ser feita em grupos de até 4 participantes, que deverão atender à proposta de reescrita de um trecho do conto, modificando-o a partir dos critérios de composição abaixo, baseados nos 3 elementos discutidos em aula:
Quem fala? - Como o texto é escrito predominantemente no discurso direto, o aluno deverá inserir algumas falas dos personagens dentro da voz do narrador (discurso indireto) e narrar a cena e o espaço com suas palavras.
Em qual tempo? Considerando que o grupo tomará a voz do narrador, deverá ser capaz de adequar sua narrativa aos tempos verbais correspondentes em cada caso.
Pontuação - O aluno deve atentar à pontuação correta no discurso indireto, ou seja, deverá realizar alterações em comparação ao texto original do conto, de acordo com as normativas e efeitos de sentido.
Já a atividade 2 deve ser feita individualmente ou em duplas, seguindo a proposta de redigir a escrita de uma narrativa na qual o aluno deve adentrar na história do conto e escolher uma das seguintes situações para esboçar sua atividade:
a. Pilar não aceitou a proposta de Raimundo;
b. Curvelo queria participar do que os garotos estavam fazendo;
c. Curvelo contando o caso à Policarpo;
d. Pilar encontrando-se com Curvelo no dia seguinte, na escola.
Desse modo, os alunos poderão presentificar-se em qualquer um dos personagens citados acima, desde que assim mantenham as características próprias dos personagens, conforme observadas na história original. Os alunos poderão, ainda, presentificar-se no conto como um novo personagem-observador (ou, então, participante) da situação.
Devem ser considerados como critérios de composição os 3 elementos discutidos em aula:
Quem fala? - Neste caso, o aluno poderá escolher o tipo de narrador que gostaria de ser e qual será sua personagem. Quanto ao discurso, deve estar alinhado com a escolha do narrador e/ou com a intencionalidade da narrativa;
Em qual tempo? Considerando que o aluno tomará a voz do narrador dentro do mesmo cenário do conto, deverá ser capaz de adequar sua narrativa aos tempos verbais correspondentes em cada situação da narrativa.
Pontuação - O aluno deve fazer uso da pontuação adequada a depender da construção de suas orações, do tipo de discurso que será utilizado e os efeitos de sentido que intencionam provocar.
Acesse o arquivo em pdf abaixo sobre o conteúdo desta aula, contém: apresentação das duas atividades de escrita para consulta do professor e modelos de folhas para cada situação de produção textual
Referências bloco 3:
BENJAMIN, Walter. “O Narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov”. In: Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. Disponível em: <http://www.usp.br/cje/depaula/wp-content/uploads/2017/03/O-Narrador_Walter-Benjamin-1.pdf>
COIMBRA, Jorge Fernando do Nascimento. Leitura do conto na escola: uma proposta metodológica. 2019 163 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Programa de Pós-Graduação em Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional, Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2019 Disponível em: <http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/11789>
FRANCHI, Carlos. Criatividade e Gramática, 1992. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5312567/mod_resource/content/1/FRANCHI_Criatividade_e_Gramatica_1992.pdf
GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula, 1980. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5105755/mod_resource/content/1/368122895-Geraldi-J-W-O-Texto-Na-Sala-de-Aula.pdf>
OLIVEIRA, Denise Cristina Rodrigues. Contos de Machado de Assis no ensino fundamental: uma proposta de leitura para a formação do jovem leitor, 2019. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual do Piauí –UESPI. Disponível em: < http://sistemas2.uespi.br:8080/bitstream/tede/199/5/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Completa>
OLIVEIRA, Elisângela Santos de Andrade. Os sinais de pontuação e a representação de aspectos prosódicos na escrita e na leitura de alunos do nono ano do ensino fundamental. 2015. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Disponível em: < http://www2.uesb.br/ppg/profletras/banco/t1/Elisangela_Santos_Andrade_Oliveira.pdf>
TUCCI, William. A rebelião da Pontuação, 1997. Disponível em: < https://static.fecam.net.br/uploads/404/arquivos/1842014__A_REBELIA%CC%83O_DA_PONTUAC%CC%A7A%CC%83O.pdf<
BLOCO DE ENCERRAMENTO
Aula 21 e 22: Planejar e Escrever - Hora do conto!
Ingrid Valk Rokiskei e Julia Salazar Matos
Faraco, em “As Sete Pragas do Ensino de Português”, cita que a escrita é uma das pragas devido ao ensino não orientado e à atitude de forçar o aluno a “escrever sem ter ideias”. O conjunto de atividades propostas nos blocos anteriores de maneira embasada e em diálogo com o conteúdo estimula os alunos a exercerem a criatividade e a terem essas ideias, que podem ser reaproveitadas nessa atividade final: escrever um conto com temática escolar. Aqui, os alunos podem reutilizar a atividade na qual descreveram seu personagem, por exemplo.
Grupo todo:
Algumas questões possíveis para guiar o planejamento são: Qual será o fato marcante em torno do qual se vai organizar a narrativa? O que pode acontecer depois dele? Como deixar isso claro? Como os eventos vão se suceder até o fim da história? Tudo vai acontecer no mesmo dia ou serão vários dias ou meses? Retomamos fatos do passado dos personagens para dar sentido às ações?
Aula 23 e 24: Revisar e Editar - A tarefa do aluno escritor
Ingrid Valk Rokiskei e Julia Salazar Matos
Materiais necessários:
Ficha de apoio na página 1 do PDF de imagens BLOCO DE ENCERRAMENTO.
“O fato é que a adolescência é uma interpretação de sonhos adultos, produzida por uma moratória que força o adolescente a tentar descobrir o que os adultos querem dele”. (CALLIGARIS, A adolescência, pág. 33).
Pensando nesse aspecto e para uma tentativa de aproximação dos adolescentes ao mundo adulto — ao professor, nesse caso —, os alunos serão convidados a tomar o lugar do avaliador e corrigirão os trabalhos dos colegas. Eles devem trocar seus textos entre si e serão incentivados a observar os elementos: enredo, espaço, tempo, narrador e personagens, deixando um comentário ao final. Isso deve ser feito a partir do uso de uma ficha, entregue pelo docente e disponível no PDF indicado.
Aula 25: Leitura
Nessa aula, o/a professor/a deve perguntar quem gostaria de compartilhar seu conto com a sala. Os/as voluntários/as lerão suas produções em voz alta.
Referências Bibliográficas Bloco de Encerramento:
CALLIGARIS, C. A adolescência. São Paulo: Publifolha, 2000. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5972679/mod_resource/content/1/349536000-A-Adolescencia-Contardo-Calligaris.pdf
Clique nos links abaixo para acessar os anexos das aulas