Leitura de traduções de clássicos da literatura infanto-juvenil mundial
Esta sequência didática, em 16 anos, foi desenvolvida para trabalhar a leitura do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental.
Autores: Fernanda Felix, Fernanda R. Portela, Marina Almeida, Suely Trindade, Vitória Fagundes e Vitória Trombetta.
Ano escolar: 6º ano
Duração: 16 aulas
Apresentação: A sequência didática tem como objeto de estudo o livro O Pequeno Príncipe, de Antoine Saint-Exupéry, que será analisado a partir de aulas expositivas e discussões com a classe, tomando como referência as habilidades EF69LP44, EF69LP47 e EF67LP30 da BNCC.
Objetivos: Leitura, interpretação e análise do texto artístico-literário e de seus elementos constitutivos, levando em consideração o contexto em que foi escrito e relacionando-o com o contexto atual; Produção de textos autorais e releituras, colocando em prática os conceitos aprendidos.
Conteúdo:
Clássicos
Primeiras impressões e leitura conjunta
Personagens e ambientação
Descobrindo os adjetivos
Figuras de linguagem
Representação dos adultos e da infância
Roda conversa: relacionando com o mundo atual
Roda de leitura
Discurso direto e indireto
Gênero Carta
Enredo
Narrador
Adaptações e Releituras
Conclusão
Introdução à atividade de encerramento
Atividade de encerramento
Materiais de apoio: O material de apoio necessário para a condução das aulas e mencionado na sequência didática (ao final desta página).
Ferramentas e vídeos:
Áudio-book de "O Pequeno Príncipe" com recursos de acessibilidade (tradução em libras e legendas em português), YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=foMiwFlVHCc, canal: Acessibilidade em Bibliotecas Públicas.
Descobrindo os adjetivos, Kahoot, https://create.kahoot.it/details/e7e02102-f993-48df-91e4-46c7c709a701, autora: Marina Almeida
Mapa Mental Figuras de Linguagem, Miro, https://miro.com/app/board/o9J_lDwZQMI=/, autora: Suely Trindade
Atividade Extra - Coesão Textual, https://drive.google.com/file/d/1TMTcasN7U7vYEsKkGDKdxPURoi1sLXw0/view?usp=sharing, autora: Marina Almeida
Vídeo-chamada para a peça infantil "O Pequeno Príncipe Preto", Youtube, https://www.youtube.com/watch?v=HW5BNks1tmM&t=14s, canal: funart
Trailer do Filme "O Pequeno Príncipe", YouTube, https://www.youtube.com/watch?v=7WoO-luLshk, canal: ParisFilmes
Introdução
Vitória Trombetta
A escola, teoricamente estabelecida sob ciência e pesquisas éticas, tem como função informar, contribuindo com a formação de um sujeito atento para sua própria realidade, aptos à criticar e transformar seu meio visando o bem coletivo. Do ponto de vista do docente, o objetivo é que, durante todas as atividades, possamos aproximar modelos, termos de comparação, escala de valores, paradigmas de beleza e assim por diante. Também é importante pontuar que o estudante não está descolado do processo histórico em que se encontra e, portanto, não se trata de uma folha em branco a ser preenchida, sem qualquer experiência de mundo, percepção ou conhecimento.
A literatura clássica permite conhecer o outro e a si mesmo, falando de um e para um. Esse processo é importante para que, sabendo das realidades distintas e amenizando a possibilidade de estranhamentos que levem ao desinteresse, exclusão ou desconforto desnecessário. Pensando na aproximação entre aluno-livro, não podemos deixar de lado a acessibilidade e alternativas para estudantes que apresentam alguma deficiência. Atualmente, contamos com audiobooks, modelos tridimensionais para certas ilustrações, livro pop-up ou até mesmo recorrendo a massinhas para modelar, objetos como cubos e efeitos sonoros. Uma das dificuldades que pode ser enfrentada durante a leitura de qualquer livro é a impaciência, junto da inexperiência dos alunos em entender as instruções e, é claro, a inexperiência de vida e falta de lugares apropriados que estimulem a leitura; prezando sempre pela clareza e a exemplificação, sem que estas duvidem do processo de aprendizagem do estudante.
Para a constituição das aulas, pretendemos trabalhar diferentes formas de composições próprias de cada gênero e a escolha lexical apropriada, recursos coesivos que constroem a passagem do tempo, saber identificar o enredo e o foco narrativo, os efeitos de sentido que cada tempo verbal pode aparecer, caracterização dos espaços e tempos físicos e psicológicos, as diferentes vozes no texto (narrador, personagem, discurso direto ou indireto), pontuação expressiva e processos figurativos. Além disso, levantamentos e a retomada de conceitos ou da matéria em si seriam pontuais, geralmente no início de toda aula, com o cuidado para não deixar enfadonho para o aluno que está acompanhando regularmente.
Essa sequência didática tem como objetivo a leitura de um clássico da literatura infanto-juvenil mundial e, para tal, foi selecionado O Pequeno Príncipe. A obra apresenta características que nos levaram à essa escolha: o preço, acessibilidade para alunos com algum tipo de deficiência, material extra de diferentes tipos de mídia, quantidade de páginas, simbolismos e metáforas que permitem atividades interdisciplinares.
Ou seja, (I) o fato de estar em domínio público, facilitando a produção de atividades sem preocupação com direitos autorais e reduzindo o custo da compra, (II) o livro pode ser encontrado em formato de áudio até mesmo no Youtube, complementando atividades ou até mesmo sendo um dos caminhos para a acessibilidade de alunos, (III) é uma obra popular, o que acarreta em obras cinematográficas, gifs e desenhos animados, permitindo que o professor utilize das mais diversas formas de ilustrações para as dinâmicas dentro e fora da sala da aula, instigando a classe ; (IV) a média de 100 páginas a depender da edição que aumenta a possibilidade de ler durante um trimestre/semestre, (V) a narrativa é permeada por simbolismos, como o rei em alusão a um ditador, o que permite conversas, discussões e brechas para novos tópicos.
No planejamento temporal optou-se por aulas semanais voltadas para o livro e atividades correlacionadas, permitindo um tempo hábil para a leitura dos capítulos correspondentes. Uma segunda configuração da sequência é a independência de uma aula para o entendimento da seguinte, portanto, ainda que o estudante se ausente ele poderá acompanhar sem grandes dificuldades e preencher o portfólio, sem deixar que as aulas se transformem em uma peça solta ou sem qualquer conectividade. O portfólio faz parte de cada uma das aulas e com perguntas já formuladas, o intuito é de acompanhar o progresso da classe, as principais dificuldades, ideias compartilhadas e também a interpretação individual, além de compor a nota final e utilizar o arquivo como modo de avaliação.
Aula 1: Clássicos
Vitória Trombetta
A primeira aula, intitulada Clássicos, foi pensada para um período de 50 minutos. O contato com o professor-aluno ainda é realçado durante o processo de ensino/aprendizagem através de conversas e discussões, onde o objetivo é explorar o termo “clássico” e situar os alunos em um momento histórico-literário a fim de entender melhor a obra O Pequeno Príncipe. Se houver recursos para tanto, é possível a utilização de projetor, músicas, folha com imagens de quadros e demais referências que sejam comuns no “imaginário” das crianças, sempre lembrando que o aluno está preso ao seu momento histórico. Dessa forma, é de extrema importância que as obras ou expressões utilizadas façam parte de sua realidade. Exemplos que tem como parâmetro o professor corre o risco de pouca ou nenhuma identificação, causando estranhamento e desinteresse. Assim, se faz necessário um professor atento aos seus alunos: times de futebol que são comuns, hábitos e gostos compartilhados pela maioria, conteúdo apresentado nas outras disciplinas, etc. Nesta aula, dois caminhos são possíveis para a introdução do livro: pontuando os principais tópicos em voz alta, por escrito ou escrevendo na lousa. Independente da forma, é importante que exista uma fala/escuta de ambos os lados, bem como direcionamento por parte do professor.
Para o desenvolvimento desta aula, nos baseamos no texto Por que ler clássicos? de Ítalo Calvino. A partir da leitura, foi possível compor uma série de perguntas que o autor induz e/ou trabalha para o desenrolar de sua análise. Por exemplo: em cada país do mundo é lido um clássico diferente em maior ou menor número, sempre restando uma quantidade quase infinita de obras a serem lidas. Dentro do contexto brasileiro, é possível citar Machado de Assis, Monteiro Lobato, Clarice Lispector, etc. instigando o aluno a ter uma perspectiva maior de mundo e cultura, procurando entender que as diferenças de um país para os outros tem suas razões para ser, auxiliando em uma visão menos homogênea.
A própria opinião dos alunos perante o significado de “clássico” já é um pontapé inicial que pode mostrar a ideia geral da palavra como sinônimo para “antigo”, “chato” e outras ideias comuns. Também pode ser explorado quais livros, pinturas e filmes clássicos os alunos conhecem, trabalhando inclusive a palavra em expressões como “uma disputa clássica do futebol” ou nomes e referências que os alunos provavelmente já tenham se deparado anteriormente.
Um dos pontos abordados por Calvino é a questão dos diferentes livros clássicos lidos de um país para outro, levando à investigação de quais livros os alunos leram ou estão lendo e como tais obras são lidas (em casa, apenas na escola, durante o trajeto no transporte público, etc.). Outra forma de aproximação entre aluno-professor é o relato de como um livro o influenciou uma forma particular, questionando se alguém da sala passou por algo semelhante e qual a importância da literatura no percurso histórico da humanidade.
Precisa ser levado em consideração o fato de que alunos mais novos tendem a ter dificuldade durante a leitura de qualquer livro por não terem paciência ou então por receber qualquer proposta como uma obrigação. Essa ideia também implica em algo “chato”, “tedioso”, “sem sentido”. Alunos dessa faixa etária tendem a questionar o porquê de cada atividade, recomendamos então explicitar a contextualização e sua relevância para a interpretação de texto (seja em um texto de jornal, um conto ou até mesmo uma piada). Essas informações podem ter como origem a localização geográfica, histórica ou social, do período de quando a obra foi escrita/publicada. Sumarizando as ideias em perguntas como “quem foi o autor? Onde ele nasceu? Em que época? Ele já escreveu outros livros? ” e levando aos estudantes respostas para tal, indicando se é possível obter em uma pesquisa mais abrangente ou dentro do próprio texto.
A introdução do livro de uma forma instigante é de interesse para ambas as partes, desmistificando a ideia de que uma obra clássica não possui relevância ou qualquer informação que possa contribuir ou ainda que livros com desenhos, como é o caso d’O Pequeno Príncipe ilustrado pelo próprio autor, é para crianças muito novas e, portanto, inadequado e simples demais. Além das perguntas mais simples afim de entender se já ouviram falar do livro e o que conhecem, ativando memórias junto das imagens do livro ou citações mais conhecidas (as duas frases mais famosas são “o essencial é invisível aos olhos” ou “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”) e recolhendo as informações oferecidas pelos próprios estudantes.
O professor pode trabalhar entre dois ou cinco tópicos, citando, por exemplo: um escritor da Antiguidade Greco-latina, um autor de obra literária que já foi imitado (pensando, nesse caso, em paródias ou variações de uma mesma arte, como a Mona Lisa) e uma partida de futebol disputada por dois times importantes (Palmeiras vs. Corinthians é um clássico). Em contrapartida, também questionar o que será encontrado no livro, a qualidade e o impacto esperado, porquê é um clássico no brasil e mundial, quais são as representações (e o quão necessário elas são, por exemplo, a nacionalidade do narrador ou dos demais personagens é essencial para o desenvolvimento?), até que ponto os ensinamentos e as ideias de impacto de um livro são conceitos que se aplicam à realidade.
Outra forma de tornar o conteúdo acessível é compreender pelo próprio dicionário. Aqui, disponibilizamos trecho retirado pelo dicionário online Michaelis:
“1. Relativo à literatura, às artes e à cultura da Antiguidade greco-latina. 2. Que tem como referência a tradição de Antiguidade greco-latina. 3. Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de admiração 4. Que é autorizado por autores considerados modelares. 5. Que constitui modelo em belas-artes. 6. Que se opõe ao romantismo. 7. Que tem como base a tradição; tradicional. 8. COLOQ Que é habitual ou costumeiro: Não deixa de fumar o seu clássico cigarrinho após as refeições. 9. Que se caracteriza pela simplicidade e sobriedade: Para trabalhar, prefere terninhos clássicos. (...) 11. ESP Que obedece a certo padrão de técnica ou de estilo: Jogada clássica.”
Como material extra, temos como recomendações de filme A menina que roubava livros, A língua das mariposas e também Fahrenheit 451 disponível no Youtube. A seguir, é possível encontrar as principais informações de cada um.
1- A menina que roubava livros
Lançado no ano de 2013, pertence ao gênero dramático, tendo a segunda guerra como cenário. O longa de 2h15 foi dirigido por Brian Percival e é indicado para mais 10 anos de idade ou mais. O trailer oficial pode ser encontrado no Youtube, em https://www.youtube.com/watch?v=_RF-QslF_yI.
Sinopse do filme, baseado no best-seller de Markus Zusak: Durante a Segunda Guerra Mundial, uma jovem garota chamada Liesel Meminger sobrevive fora de Munique lendo os livros que ela rouba. Ajudada por seu pai adotivo, ela aprende a ler e partilhar livros com seus amigos, incluindo um judeu que vive na clandestinidade em sua casa. Enquanto não está lendo ou estudando, ela faz algumas tarefas para a mãe e brinca com o amigo Rudy.
2- A língua das mariposas
Dirigido por José Luis Cuerda e com 1h37, o drama espanhol foi lançado em setembro de 1999. O trailer oficial pode ser encontrado no Youtube, em https://www.youtube.com/watch?v=JSgUBrnRpAk. O filme também está disponibilizado, na integra, em https://www.youtube.com/watch?v=-FWpsPiXuTI com legenda em português. A classificação indicativa do filme é de 16 anos. Portanto, recomenda-se uma verificação das cenas que o professor julgar mais importantes ou desnecessárias.
Sinopse: O mundo do pequeno Moncho estava se transformando: começando na escola, vivia em tempo de fazer amigos e descobrir novas coisas, até o início da Guerra Civil Espanhola, quando ele conhecerá a dura realidade de seu país. Rebeldes fascistas abrem fogo contra o regime republicano e o povo se divide. O pai e o professor do menino são republicanos, mas os rebeldes ganham força, virando a vida do garoto de pernas para o ar.
3- Fahrenheit 452
A película original é de 1966, mas em 2018 temos um remake. A nova história conta com um personagem principal negro, interpretado por Michael B. Jordan e dirigido por Ramin Bahrani. O trailer pode ser visto em https://www.youtube.com/watch?v=cEuvJ8hYMlM.
Sinopse do filme: Em uma sociedade do futuro na qual livros são proibidos e queimados, um bombeiro começa a ler em segredo e descobre uma organização rebelde subterrânea engajada em proteger a literatura.
Aula 2: Primeiras impressões e leitura conjunta
Vitória Fagundes, Vitória Trombetta
A aula 02 (Primeiras Impressões e Leitura Conjunta) da sequência didática tem como objetivo aproximar os alunos do livro O Pequeno Príncipe, apresentando-os os elementos paratextuais e extratextuais, como curiosidades sobre o livro, seu contexto histórico-social e dados biográficos do autor, além de fazer um levantamento prévio de expectativas quanto à leitura. A aula também pretende iniciar a leitura da obra em conjunto, analisando a compreensão primária dos alunos, suas reações e as primeiras interpretações.
Geraldi, em O Texto na Sala de Aula, apresenta quatro possíveis posturas ante o texto, e a quarta postura diz respeito à “fruição do texto”, que recupera a ideia de prazer na leitura, “o ler por ler, gratuitamente” e vai contra a ideia de leitura como obrigação, que pretende render um produto final, um conhecimento utilitário: “O ‘para quê’ [buscar informações dentro do texto] tem resposta circular: informar-se para informar-se, pelo prazer gratuito de estar informado”. Diante da concepção de Geraldi, podemos lembrar do que o romancista irlandês C.S. Lewis traz no ensaio “Lírios que apodrecem” ao dizer que seu coração se aquece ao ver alguém lendo sem preocupações: “Pois aqui também eu deveria sentir que encontrei algo real, vivo e não fabricado; uma experiência literária verdadeira, espontânea e irresistível, desinteressada.”
Para Geraldi, o simples prazer pela leitura e a busca de “informação pela informação” está em falta nas escolas, sendo uma das funções do professor recuperar princípios para os alunos trilharem seu caminho literário de modo “real”, “verdadeiro”, e “não fabricado”, nas palavras de Lewis. Com isso, a proposta é que o professor utilize a primeira aula para instigar o gosto pela leitura nos alunos, mostrando que eles podem encontrar prazer na leitura em si, na descoberta de uma nova obra e em suas implicações interpretativas, contextuais, literárias, sociais, etc., para além das avaliações, “pois os prazeres verdadeiros devem ser espontâneos e sedutores, não visando a um fim remoto”.
A segunda aula foi pensada para um período de 50 minutos e com principal objetivo de aproximar e explorar a obra O Pequeno Príncipe por meio de conversas, induções e apontamentos. É importante que o aluno tenha espaço para falar, sugerir o que vê e compartilhar de suas impressões, enquanto o professor direciona os olhares e percepções, sem que a intervenção haja uma quebra da curiosidade ou de tentativa de expor seus conhecimentos. Durante essas mediações dos alunos é do interesse do professor que a participação seja ativa, evitando reforçar a ideia de que “o professor já sabe e eu não preciso responder” ou “nenhuma das informações que posso ter são de alguma forma úteis”.
A atividade de um levantamento prévio não só permite que o pedagogo compreenda quais são as novas informações necessárias para a continuidade da sequência didática, como também iniciar uma expectativa em função dos textos da capa, ilustrações e nomes. De um simples folhear das páginas, é possível iniciar uma conversa sobre a formatação do gênero (aqui, a prosa), interpretar a capa (onde está o nome do autor, se houve tradução, etc.) e, por fim, antecipar o tema ou a ideia principal a partir dos elementos paratextuais, como título, subtítulos, epígrafes, prefácios, sumário. Para a construção da ideia principal não é preciso mais do que o próprio livro, material para anotar (tanto para o professor como para o aluno) e a apresentação do portfólio ao final da sala. Essa conversa pode surgir em uma roda de conversa, onde os alunos podem se ver de frente, ou não, a depender da turma ou da infraestrutura.
Algumas das perguntas que podem auxiliar a conversa são:
1. Sobre o que vocês acham que é a história?
2. O título dá a sensação de algo simples, quase infantil. A frase está definida: teriam outros príncipes e princesas na história?
3. Podemos supor a existência de um rei e de uma rainha no enredo?
4. Qual o nome do autor? É um nome brasileiro?
5. Qual a ilustração da capa?
6. Qual a roupa do pequeno príncipe? São roupas comuns ou de “realeza”?
7. Podemos extrair alguma outra informação da capa?
8. Os desenhos são todos do autor. Será que isso faz parte da história? Será que está do “jeitinho” que ele pensou? Qual o tipo desse estilo?
9. Folheando o livro temos muitas ilustrações de tamanhos diferentes. Quais são elas? Tem legenda?
10. Reparamos que o livro não apresenta índice ou sumário.
11. Os capítulos estão em números romanos e são curtos, quase todos com alguma gravura
12. Após abrir o livro, vemos a dedicatória.
13. Entregar o portfólio para a turma que, a depender do tempo e também do docente, já pode ser explicado e preenchido.
No caso, O Pequeno Príncipe foi publicado em 1943. Na década de 40, a França, comandada pelo marechal Philippe Pétain, entrou em uma política colaboracionista com a Alemanha (cooperação com a Alemanha nazista, sua inimiga até então). Desta forma, com a invasão nazista em algumas regiões francesas, Saint-Exupéry foi para os Estados Unidos, onde escreveu O Pequeno Príncipe. Assim como o personagem, Saint-Exupéry também tentou levar adiante o trabalho artístico, estudando arquitetura na Escola de Belas Artes, o que não prosseguiu. Porém, em O Pequeno Príncipe, o autor deixa registrada sua iniciativa artística ao ilustrar o livro com suas aquarelas.
Após a introdução do livro e também da concepção de “clássico”, é o momento de unir os dois assuntos, amarrando uma concepção à outra. Junto das perguntas e respostas, é possível ter um parâmetro melhor dos conhecimentos compartilhados pela turma e informar, portanto, que o livro O Pequeno Príncipe é considerado um clássico; pois predomina a atualidade e não necessariamente porque é antigo, antiquado ou “velho”. É interessante que, após as considerações dos estudos, o educado apresente, então, os pontos de vista já pautados pela academia, incluindo os apontamentos de Ítalo Calvino.
Aula 3: Personagens e Ambientação
Marina Almeida
Como a sequência foi planejada a partir de um cronograma em que os alunos leriam três capítulos por semana, designamos a aula 3 para a discussão acerca da caracterização das personagens e da ambientação, visto que as principais personagens (o pequeno príncipe, o piloto e a flor) já teriam sido apresentados no livro, bem como os planetas onde vivem.
Segundo Candido (1968), os recursos utilizados para a caracterização das personagens são, necessariamente, articulados de modo que “se entrosem na composição geral e sugiram a totalidade dum modo-de-ser, duma existência” (Ibid., p. 75). Desse modo, a aula 3, bem como outras que abordam elementos da narrativa (aulas 6, 7, 11 e 12), foi elaborada com o intuito de direcionar o estudo dos aspectos formais do romance para a construção do sentido do texto, portanto, chama atenção para que significados as descrições e definições das personagens e do espaço podem atribuir à obra.
Assim, em um primeiro momento, o professor conduzirá uma conversa com a turma: o que aconteceu no livro até o capítulo 9, quem são as personagens apresentadas, qual sua opinião sobre elas e onde a história se passa. Em seguida, sugerimos uma atividade diagnóstica, para verificar se eles conseguem identificar em quais momentos a caracterização dessas personagens é dada, fazendo distinção entre características físicas e psicológicas, para que percebam os diferentes recursos utilizados para sua construção.
Depois, eles podem comentar sobre o que responderam e, a partir disso, o professor vai levantar questões sobre como cada personagem é descrito e sobre a ambientação, sempre refletindo sobre como isso contribui para a construção do sentido. É imprescindível que os alunos notem, por exemplo, que o narrador não conheceu a flor, por isso só pode descrevê-la a partir do que o pequeno príncipe lhe contou. Como só temos acesso a sua versão, vale questionar se ele está narrando exatamente como ouviu ou se está nos dando sua opinião sobre ela. No último caso, a caracterização do narrador, que também é personagem, muda completamente.
Quanto à ambientação, esperamos que os alunos percebam que os lugares são descritos a partir do que as personagens fazem lá, de como cuidam desses lugares e dos laços que ali criaram. Por isso, sabemos tudo o que havia no planeta do pequeno príncipe, pois ele revolvia seus vulcões, retirava os baobás, assistia ao pôr-do-sol, cuidava de sua rosa. O deserto, no entanto, quase não é descrito, já que não era habitado. Esse critério é importante para a compreensão da história, pois é utilizado para as demais personagens e para outros temas presentes no livro, abordados nas aulas 6 e 7.
Por isso, usando-o como base, propomos uma produção de texto que coloque em prática as formas de caracterização trabalhadas em aula e, ao mesmo tempo, aproxime os alunos da história por meio da identificação, gerada a partir da percepção de que o que caracteriza o pequeno príncipe não são suas características físicas, mas as psicológicas, dadas por suas atitudes em relação ao mundo e às pessoas com quem se importa.
Para introduzir a atividade, sugerimos o vídeo indicado na sequência didática, para mostrar que todos podem ser protagonistas desta narrativa e incentivar a diversidade, promovendo a valorização de cada um enquanto sujeitos. Assim, o objetivo é que os alunos se desenhem e escrevam um texto como se fossem o pequeno príncipe (ou pequena princesa, ou o que melhor lhes aprouver), como se estivessem se apresentando pro piloto, usando suas próprias características físicas e psicológicas, e que criem seu próprio planeta baseado no lugar onde vivem. Esperamos, então, que eles utilizem os recursos discutidos em aula e levem em consideração o que é importante: o cuidado e os laços que eles têm com sua comunidade.
Aulas 6 e 7: Representação dos adultos e da infância e roda de conversa
Marina Almeida
As aulas 6 e 7 têm o intuito de analisar a representação não convencional das personagens adultas e da infância a partir do ponto de vista das personagens, refletindo sobre que sentido isso atribui à obra em seu contexto, seja ele interno, como o fato do livro ser narrado em primeira pessoa, ou externo, como ter sido escrito durante a Segunda Guerra Mundial.
Para isso, tomamos como referência a metodologia proposta por Geraldi (1984, p. 43), em que “a leitura é o processo de interlocução entre leitor e autor mediado pelo texto”. Assim, o professor busca mostrar caminhos para que os alunos estabeleçam um diálogo com o livro (forma e conteúdo) e com o autor, dando-lhes os meios para que construam suas próprias interpretações, de modo que se percebam e atuem como agentes na construção do sentido da obra.
Ao decorrer do livro, percebe-se que tanto o narrador quanto o Pequeno Príncipe têm determinada opinião em relação aos adultos e às crianças, para a qual a narrativa tenta direcionar o leitor, nem sempre de forma explícita. O objetivo das discussões propostas nessas aulas é chamar atenção para as informações dadas nas entrelinhas, que argumentam a favor da ideia que o narrador quer transmitir.
Para isso, primeiro levantamos a discussão acerca do que está explícito no livro: como adultos e crianças se relacionam, como o narrador os descreve, como fala sobre eles. O esperado é que os alunos notem que ele considera os adultos menos desenvolvidos que as crianças, no que diz respeito à sua maneira de ver de estar no mundo, pois estão sempre preocupados com poder, posse e produtividade, mas não entendem o que realmente importa, como cuidado, carinho e amizade. A ideia é que, ao colocarmos essas questões em pauta, os alunos busquem os recursos usados para corroborar isso no texto, que é, sobretudo, o contraste entre as atitudes desses dois grupos. Ao fazer isso, o narrador também deixa implícito que essa categorização não é feita necessariamente por idade, uma vez que, na maior parte do livro, suas próprias ações são mais próximas daquelas atribuídas ao comportamento infantil em sua narração.
Depois, propomos uma reflexão sobre como a infância é vista no mundo real, para que os alunos possam relacionar isso com o que é sugerido no livro. Esperamos, então, que eles percebam que o conceito de infância dado pelo narrador não condiz com o que é comumente adotado na nossa sociedade, mas pode ser sustentado pelo comportamento dos adultos reais, que é, muitas vezes, semelhante aos observados na ficção. Em seguida, resgatamos o contexto histórico em que a obra foi escrita, apresentado na aula 1, e convidamos os alunos a analisarem o comportamento das personagens adultas, para que identifiquem características que possam ser relacionadas à Segunda Guerra Mundial.
Assim, a proposta é que o professor apresente as hipóteses de interpretação, mostrando como elas se sustentam a partir de elementos internos e externos ao texto, deixando claro que essas são interpretações possíveis, não necessariamente as verdadeiras. O intuito é lhes dar base para que construam sua própria interpretação, que pode ou não coincidir com as apresentadas, partindo do mesmo princípio. Desse modo, na atividade de produção textual, espera-se que eles consigam defender qualquer uma que adotarem de forma coerente, conversando com o texto e com o contexto do autor.
A aula 7, por sua vez, visa discutir as hipóteses de interpretação levantadas na aula 6 e nas produções textuais dos alunos. As questões direcionadas às hipóteses levantadas em classe, sugeridas na sequência didática, buscam provocar uma reflexão acerca das intenções do autor e questionar se os significados atribuídos à obra perduram até os dias atuais, pensando em como a obra dialoga com eles enquanto leitores. Quanto às interpretações dos alunos, a ideia é que eles compartilhem suas produções com a classe e que os argumentos utilizados sejam discutidos, cabendo ao professor verificar se os alunos percorreram um caminho coerente para chegar nelas.
Aula 8: Roda de Leitura
Vitória Fagundes
A aula 08, por sua vez, tem como objetivo a criação de um momento para que os alunos possam realizar a leitura do capítulo 21 de O Pequeno Príncipe em conjunto e em voz alta, a fim de estimular a discussão sobre o capítulo, direcionando o olhar dos alunos à progressão da estrutura narrativa, à interpretação do capítulo e sua relação com o todo da narrativa, retomando, também, alguns conteúdos das aulas anteriores.
A aula será dividida em quatro principais momentos. Antes de tudo, seria interessante se o professor sondasse a interação dos alunos e suas percepções de leitura, procurando saber como está sendo essa experiência, com perguntas que o chamem para uma conversa. Em um primeiro momento, propomos que o professor verifique a compreensão dos alunos a partir da citação das frases mais conhecidas do capítulo: “O que essas frases significam para vocês?''.
No segundo e terceiro momentos, o professor entregará cópias do capítulo e pedirá a leitura individual; e, após, pedirá para que os alunos se reúnam para uma rodada de leitura em conjunto e em voz alta. Essas rodadas de leitura (prevista, também, para serem feitas em casa, em um o momento anterior à aula) podem ser pensadas como uma forma de amadurecer o olhar do aluno diante do texto, remodelando suas compreensões e interpretações e o direcionando ao início da condição de “leitor maduro”, que é, como Lajolo, explica, “aquele para quem cada nova leitura desloca e altera o significado de tudo o que ele já leu, tornando mais profunda sua compreensão dos livros, das gentes e da vida”. Já em um quarto momento, propomos um levantamento das impressões da leitura que os alunos acabaram de fazer, os direcionando à interpretação com perguntas que o façam colher as informações (temáticas, narrativas, interpretativas, etc.) do capítulo, entendendo sua relação com o todo da narrativa.
Para esse último momento, o professor pode observar a primeira postura ante o texto, “busca de informações”, apresentada por Geraldi, que propõe duas formas que orientam a busca de informações: a busca com um roteiro elaborado pelo leitor, que, no nosso caso é o aluno; e um roteiro elaborado por outro, que, no nosso caso, é o professor. Em nossa sequência, apresentamos a segunda opção na qual o professor direciona, com perguntas e comentários, a extração das informações do capítulo; porém, o aluno pode ser motivado a elaborar um roteiro com questões (mesmo que perguntando espontaneamente para os colegas e o professor) para buscar as informações a fim de responder suas indagações.
A atividade da aula será para casa, em que o aluno poderá empregar o conteúdo gramatical já aprendido anteriormente e, assim, produzir um texto mais intimista para que ele possa aproximar o capítulo lido às suas próprias experiências e relações, de modo que a leitura se mostre significativa em sua própria realidade e não apenas um texto inexpressivo.
Aulas 11 e 12: Enredo e Narrador
Marina Almeida
De acordo com Antonio Candido (1968, p. 51-52), “enredo e personagem exprimem, ligados, os intuitos do romance, a visão da vida que decorre dele, os significados e valores que o animam”. Portanto, como foi dito nas considerações a respeito das aulas 3, não é possível dissociar esses elementos do sentido do texto, ou mesmo uns dos outros, pois só adquirem significado em conjunto. Assim, para interpretar o romance como um todo, é necessário que seja levado em conta a organização do enredo, que é dada pelo narrador.
Por isso, as aulas 11 e 12 foram pensadas para que se complementassem, de modo que, ao final da aula 12, os alunos percebam que é o narrador quem constrói o enredo, e que existe um motivo para que ele o organize da forma como faz no livro.
Na aula 11, esperamos que os alunos já tenham finalizado a leitura e já possuam uma visão geral do enredo. Então, em um primeiro momento, propomos uma atividade dinâmica para verificar sua compreensão dos eventos. A partir disso, sugerimos que o professor conduza uma explicação sobre a organização não-linear do enredo e sobre sua estrutura narrativa, ressaltando que o narrador conta a história em duas linhas temporais: a parte do pequeno príncipe com o narrador, que foi a que ele viveu, e a parte da história do pequeno príncipe antes de conhece-lo, da qual ele só sabe o que lhe foi contado. No entanto, ambas narrativas desembocam no mesmo clímax, que é quando o protagonista é picado pela serpente.
Depois, propomos duas atividades de reconstrução do enredo: a primeira pede para que os alunos reorganizem os acontecimentos listados na lousa em ordem cronológica, para que consigam visualizar a diferença entre como aconteceu e como foi contado; a segunda, para que identifiquem onde esses acontecimentos se encaixam na estrutura narrativa, para verificar se eles entenderam a construção do enredo.
O que foi discutido na aula 11 busca incitar os alunos a questionarem o que levou o narrador a fazer essas escolhas ao contar a história, seguindo, então, para a aula 12, cuja atividade consiste em uma discussão sobre como essas escolhas contribuíram para a construção do sentido.
Na aula 12, sugerimos que o professor aproveite a discussão sobre a disposição dos acontecimentos e questione por que a narrativa é construída dessa forma e quem é o responsável por essa organização. Quanto a isso, esperamos que os alunos percebam que, no livro, o narrador conta algo que aconteceu no passado, ou seja, está lembrando uma história e, por isso, conta os acontecimentos fora de ordem e dá muitas voltas para chegar a um assunto. Ao direcionar a discussão, aconselhamos que o professor os faça refletir sobre seu próprio modo de contar histórias que aconteceram há muito tempo, para que percebam que fazem algo semelhante.
Em seguida, o professor pode questionar como esse tipo de narração afeta a história. Considerando o que foi visto nas aulas anteriores, esperamos que os alunos notem que, como a história é contada em primeira pessoa, só temos o ponto de vista do narrador. A partir disso, o professor pode apresentar diferentes focos narrativos e tipos de narrador, comparando os trechos selecionados, inseridos na sequência didática, apontando as diferenças entre o narrador-personagem e o narrador onisciente, como a descrição detalhada ao narrar algo que aconteceu há muito tempo e o pensamento das personagens, já que em “O Pequeno Príncipe” o narrador admite a possibilite de ser impreciso, por conta de sua memória, e não narra os pensamentos de ninguém além dele.
Como o objetivo é chamar atenção para como esse tipo de narração influencia na construção do sentido, os tópicos selecionados para a discussão buscam provocar uma reflexão sobre opiniões do narrador podem ter alterado sua interpretação, como, por exemplo, o final dúbio do protagonista.
Aula 13: Adaptações e Releituras
Vitória Fagundes
A aula 13 da sequência tem como objetivo a apresentação dos conceitos de “adaptação” e “releitura”, a fim de que os alunos tenham um novo olhar para a obra e possam trabalhar com outros tipos de gêneros, além de mobilizar a discussão sobre diversidade e novas maneiras de pensar um clássico e a sua recepção. Aqui, o professor pode observar a terceira postura diante do texto proposta por Geraldi, em que o texto-objeto pode servir de pretexto para a produção de outros textos em outras formas, com novos olhares e interpretações. Geraldi, por sua vez, assente que “é preciso retirar os textos dos sacrários, dessacralizando-os com nossas leituras, ainda que venham marcadas por pretextos”, o que permite aos alunos um novo olhar sobre o clássico, que, ao sair do pedestal inacessível e distante, pode servir de base e inspiração, além de trazer identificação.
A aula será dividida em quatro principais momentos. Em um primeiro momento, a proposta é que o professor apresente livros que foram adaptados para o cinema, trazendo, logo no primeiro momento, uma proximidade com o dia a dia dos alunos para que eles compreendam melhor os conceitos e suas práticas identificando-se com eles. Em um segundo momento, o professor explica o conceito de “adaptação”, com exemplos de filmes; e, no terceiro, explica o conceito de “releitura”, com exemplos de obras de artes. Por fim, a aula propõe a apresentação de algumas adaptações e releituras feitas de O Pequeno Príncipe em forma de peça teatral, conto, poema, história em quadrinhos e animação cinematográfica. A atividade da aula pretende propor a produção de adaptações e releituras de O Pequeno Príncipe, tendo como inspiração as produções já apresentadas em aula, como, por exemplo, a adaptação O Pequeno Príncipe Preto, de Marcelo Serralva, que levanta um novo olhar e mobiliza formas de representatividade.
Aula 14: Conclusão
Fernanda Portela
A aula 14 - Conclusão é uma aula preparada com o intuito de ser feita uma roda de conversa com os alunos de forma bastante dinâmica. Essa aula também foi pensada para ser feita durante uma aula de 50 minutos. A roda de conversa será guiada pelo professor a partir de perguntas que serão apresentadas mais adiante. Contudo, essas perguntas são uma parte de um processo de avaliação final dos alunos e do desenvolvimento deles ao longo de todo o trabalho com a obra O pequeno príncipe. Assim, o professor, ao final dessa sequência, terá os aparatos necessários tanto para avaliar os alunos como para analisar em quais pontos o seu trabalho pode desenvolver melhor.
A proposta também considera que todos os alunos participem, de forma que todos tenham a sua vez de falar e manifestar suas opiniões. No entanto, caso não seja possível que todos os alunos participem, seja por questões de tempo ou outras, será pedido que os alunos respondam as perguntas faltantes em casa. Essa tarefa pode ser feita tanto escrita, gravada em áudio ou vídeo. O que importa neste caso é a reflexão dos alunos.
O objetivo desta aula é sumarizar os conteúdos trabalhados e estudados durante as aulas anteriores e, assim estimular a participação dos alunos na produção de conhecimento a partir da rememoração dos acontecimentos. Essa atividade é essencial para o desenvolvimento dos alunos, pois ao realizá-la os alunos terão a autonomia de trabalhar com o professor para a delimitação de um feedback geral, considerando tudo que foi aprendendo até o momento e para que aquilo foi bom e/ou ruim.
Essa atividade tem o foco em ampliar a avaliação para além das provas e tarefas, pois, ao serem feitas, muitas vezes o feedback se encerra aos alunos receberem as notas. No entanto, uma aula dedicada ao feedback depois de serem feitas as devidas avaliações, dão a oportunidade de reflexão aos alunos e, assim, a fixação do conteúdo não se encerra com as notas.
Contudo, outra consideração acerca da importância dessas atividades para todo o processo de avaliação dos alunos, é que eles se desapeguem de provas conteudistas, isto é, desvencilhar o aprendizado do decorar a matéria. Dessa forma, os alunos poderão ver o aprendizado como algo que eles realmente aprendam e desenvolvam, não apenas como “decoreba” para passar em uma prova.
No que diz respeito ao desenvolvimento, no início da aula, iremos perguntar aos alunos o que foi estudado durante as aulas sobre o livro O pequeno príncipe e, a partir disso, questionar sobre alguns dos assuntos abordados e suas respectivas impressões, assim, o professor terá os retornos necessários para investigar se houve uma produção de conhecimento ou apenas a reprodução deste.
As perguntas aos alunos para guiar a discussão são as seguintes:
1) O que tanto foi aprendido ao longo das últimas aulas (em relação aos temas das aulas);
2) Questionar sobre o impacto da obra e o que eles aprenderam com isso;
3) Ao final do livro, o que eles pensam sobre o personagem do pequeno príncipe, e qual o personagem com quem eles mais se identificam?;
4) O que eles não gostaram na obra? E com qual/quais personagens eles menos se identificaram?;
5) Os alunos gostariam de viver no mundo do pequeno príncipe, se sim, ou não, por quê?;
6) Quais foram suas maiores dificuldades de entendimento no livro? E quais foram as suas maiores dificuldades de entendimento nas aulas (em relação ao conteúdo)?;
7) Os alunos concordam com a definição de “clássico” da obra? por que?;
8) De que forma a leitura desse clássico e os temas estudados ajudam na interpretação de outras obras literárias?;
9) O que vocês acharam do final do livro? Esperavam um final diferente? Mudariam algo?
Em seguida, será feita uma pesquisa de opinião com os alunos para que eles avaliem como foi passada essa sequência didática e como essa sequência os ajudou a aprender melhor e/ou o que poderia melhorar. Com isso, visamos trabalhar com os alunos a importância que a voz deles tem em sala de aula, uma vez que, um dos principais objetivos do professor é de que o alunos entenda aquilo que está sendo ensinado e, o professor, ao escutar a opinião dos alunos, pode trabalhar em cima das atividades e dinâmicas que os alunos acharam mais interessantes, produtivas, de fácil assimilação e etc.
Então, após a primeira roda de conversa com os alunos será feita a seguinte pesquisa de opinião:
1) De que forma as atividades para casa ajudaram na compreensão do texto?
2) Vocês leriam novamente o livro do pequeno príncipe? recomendariam para alguém?
3) A leitura do livro foi útil? se sim, ou não, por que?
4) Você acredita que esse livro de alguma forma mudou seu relacionamento com a leitura?
Por fim, essa aula, por ter o intuito de instigar os alunos à participação ativa na produção de conhecimento, poderá ter trabalhado nesses aspectos com os alunos a partir das rodas de conversa. Dito isto, os alunos, ao terem o espaço para compartilhar seus conhecimentos desenvolvem tanto a autonomia dentro de sala de aula, quanto a liberdade de expressar seus conhecimentos e questionamentos com a turma.
Aula 15: Introdução à atividade de encerramento
Fernanda Portela
Nesta aula será feita a introdução da atividade de encerramento, que tem a proposta de desenvolver uma atividade de encenação com os alunos.
Este trabalho será desenvolvido pelos alunos com a seguinte proposta: trabalhar em um projeto de encenação de apenas uma cena do livro O pequeno príncipe. Este projeto deverá ser pensado como um projeto de adaptação de uma cena, da escolha dos alunos, para que eles encenem na aula seguinte. Está adaptação deverá partir da ideia de uma reinterpretação, tema que os alunos estudaram em aulas anteriores, e então, eles terão que pensar em como e qual será o foco dessa interpretação.
Tendo em vista que esta atividade depende das condições de estrutura e disponibilidade da escola, a ideia geral é de que os alunos representem apenas uma cena do livro, que eles julguem mais marcantes e/ou necessitem de uma releitura para a atualidade. O projeto dessa releitura deve ser feito pelos alunos e não projetos prontos desenvolvidos apenas pelo professor.
No entanto, a proposta conta com apenas uma cena para que assim, os alunos não precisem de tanto tempo, como seria o caso de um interpretação de um capítulo inteiro da obra, bem como na disposição de figurino, cenário e mais participantes. Dessa forma, os alunos, ao apresentarem somente uma cena, não precisarão de tantos recursos externos.
Para esta atividade o professor irá separar a turma em pequenos grupos grupos e trabalhará com os grupos, em sala de aula, as propostas para a atividade de encenação. este trabalho está previsto para ser feito em aula para os alunos trabalharem com o auxílio do professor e tentar, ao máximo, evitar que os alunos cheguem no dia da apresentação com um trabalho mal estruturado e/ou mal desenvolvido.
O objetivo dessa atividade é desenvolver a prática da autonomia dos alunos em sala (pensamento de projetos autônomos para a atividade dramática) em também, de desenvolver com os alunos projetos de releitura crítica da obra estudada. Dessa forma, o projeto visa ampliar o espaço de discussão e desenvolvimento crítico dos alunos com base nas questões que foram apresentadas durante as aulas. Também, busca estimular os alunos à produção autônoma e independente, para que, assim, possam ser estimulados a essas práticas dentro do ambiente escolar.
A atividade dramática deverá ser desenvolvida com uma releitura pensando na realidade dos alunos ou em uma realidade brasileira. E, para isso, o professor deverá separar os alunos em pequenos grupos para o planejamento da releitura da obra. Esta atividade será trabalhada em sala de aula, para que os alunos possam discutir suas ideias com o professor e desenvolvê-las de acordo com a proposta da atividade. Por fim, os alunos devem responder às seguintes perguntas numa folha e entregá-la no dia da apresentação.
Direcionamento para os alunos:
1) Qual o objetivo dessa releitura?
2) Qual mensagem vocês desejam passar?
3) Qual o contraste dessa releitura com o livro?
4) Qual cena vocês irão representar?
5) Quais elementos narrativos e/ou dramatúrgicos serão utilizados?
6) Qual a justificativa para a escolha da cena?
7) Qual a justificativa para a escolha da releitura?
Esse questionário tem como objetivo a compreensão da atividade por parte dos alunos, assim, com essas reflexões eles poderão entender qual a utilidade dessa atividade para o processo de assimilação deles na matéria. Pois, muitas vezes, os alunos desenvolvem o sentimento de inutilidade para as atividades e com esse tipo de questionário, eles poderão começar um processo de entender o porquê das atividades e dos trabalhos, bem como entender o que eles querem produzir a partir dessas atividades e trabalhos.
Aula 16: Atividade de encerramento
Fernanda Portela
Por último, temos a atividade de encerramento, que tem como proposta ser o dia da apresentação do trabalho final dessa sequência didática. Nesta aula os alunos deverão fazer a apresentação da cena dramática de acordo com o desenvolvimento do projeto de cada grupo e, também, deverão entregar a tarefa da última aula. Ao final desta aula, espera-se que os alunos tenham consolidado os aprendizados em sala de aula, bem como tenham desenvolvido práticas de participação na construção de seu próprio conhecimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base nacional comum curricular. Brasília, DF: MEC, 2015. Disponível em: <https://bityli.com/8b4EU>. Acesso: 17/04/2021.
CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Tradução: Nilson Moulin. 2a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 9-17.
CANDIDO, Antonio. A personagem do romance. In: A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1968, pp. 51-80.
DUBET, F. Quando o sociólogo quer saber o que é ser professor? In: Revista Brasileira de Educação, n. 5-6, mai.-dez./1997, p. 222-231.
FREIRE, P. Papel da educação na humanização. In: Revista da FAEEBA Salvador, ano 6, n.7, p. 9-32, jan./jun. 1997.
GERALDI, João Wanderley et al. O texto na sala de aula. Cascavel: Assoeste, 1984.
LEWIS, C.S. “Lírios que apodrecem”. In: A última noite do mundo. 1ª ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.
POSSENTI, Sírio. Existe a leitura errada? Entrevista concedida a CARVALHO, J. M. T. de; MARINHO, M. Presença pedagógica, v. 7, n. 40, p. 5-18, 2001.
SAINT-EXUPÉRY. Antoine. O Pequeno Príncipe. Tradução: Dom Marcos Barbosa. Obra de domínio público. Disponível em: <https://5ca0e999-de9a-47e0-9b77-7e3eeab0592c.usrfiles.com/ugd/5ca0e9_4f0dc25362284aa6b917c93a1e1708ba.pdf>. Acesso: 17/04/2021.