Fonte da imagem de cabeçalho: https://rafaellopez.com/wp-content/uploads/2016/11/Image-5-3.jpg
Segunda da Turma
Autores: Ana Júlia Lopes da Cunha; Camilla Liberali da Silva Ramos; Gabriel Pegorini; Isabela Pretti Nogueira; Maria Vitória Felix Santos; Sofia Barral Lima Felipe da Silva.
Ano escolar: 6º ano - Ensino Fundamental
Duração: 25 aulas de 45 minutos (5 módulos) - 1 semestre letivo.
Apresentação:
Partindo do universo da Turma da Mônica, e da noção de intertextualidade, o objetivo desta sequência didática - intitulada “Segunda da Turma” - é aprofundar a capacidade de leitura e produção textual em múltiplas linguagens ao longo de um semestre letivo, começando com a exploração dos elementos das histórias em quadrinhos e depois abrindo espaço para produções que misturam linguagens, como no caso de memes ou então do longa-metragem baseado na Turma, Laços.
O ensino de outras linguagens, para além da verbal, nas aulas de Língua Portuguesa, é um tema bastante recente, e por isso fazemos a seguir uma breve contextualização.
Desde 1984, com a publicação do livro “O texto na sala de aula”, do professor João Wanderley Geraldi, as aulas de Língua Portuguesa passaram a tomar o texto como objeto central. Em 1998, a publicação dos Parâmetros Nacionais Curriculares (PCNs) acrescentou um importante elemento ao trabalho com o texto: os gêneros discursivos. Mais recentemente, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) trouxe ainda uma nova perspectiva a esse trabalho, enfatizando em diversos momentos a necessidade de ensinar ao aluno sobre as diferentes linguagens que consumimos e produzimos no mundo contemporâneo: “novos gêneros e textos cada vez mais multissemióticos e multimidiáticos” (BNCC, p. 68). Nos slides iniciais da sequência, foram destacadas as competências da BNCC - desde as gerais até as específicas de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental - que mencionam o tema.
Objetivo: Partindo do universo da Turma da Mônica e da noção de intertextualidade, esta sequência didática busca oferecer ferramentas para aprofundar a capacidade de leitura e produção textual em múltiplas linguagens. As habilidades da BNCC que pretendemos trabalhar são as seguintes: (EF67LP28) e (EF67LP30) do campo artístico-literário, e (EF67LP08) do campo jornalístico-midiático.
Justificativas: A escolha pela Turma da Mônica se deu, essencialmente, por dois motivos: 1) pesquisas mostram que a história em quadrinho é o gênero preferido de muitos jovens e adolescentes (MENDONÇA, 2010); 2) Turma da Mônica já é um universo presente em múltiplas linguagens (p. ex. verbal, visual, audiovisual), o que propicia seu uso neste trabalho.
Conteúdo:
As 25 aulas da sequência estão organizadas em 5 módulos, da seguinte forma:
Módulo I - Introdução à linguagem dos quadrinhos - 5 aulas
Módulo II - Narrativa e identidade - 3 aulas
Módulo III - Intertextualidade na Turma da Mônica - 7 aulas
Módulo IV - O gibi e a Maurício de Sousa Produções - 4 aulas
Módulo V - Gibi da turma! - 6 aulas
Do módulo 1 ao 4, as aulas foram pensadas para ocorrer uma vez por semana, às segundas-feiras, a fim de estimular a construção de uma relação saudável e divertida da criança com a escola no primeiro dia da semana, que costuma ser o menos preferido, e assim suscitar o amor pelo processo de aprendizagem. É possível e recomendável que o professor combine as aulas da sequência com outras atividades durante a semana.
As 6 aulas do último módulo devem acontecer durante uma semana corrida, pois se trata da produção de um gibi, e entendemos que seguir todas as etapas numa mesma semana facilitará a compreensão dos alunos e acelerará o processo.
Textos introdutórios por Camilla Liberali da Silva Ramos
MÓDULO I: Introdução aos elementos do quadrinho
Gabriel Pegorini
É importante refletir sobre a importância do ensino do quadrinho como gênero literário em sala de aula, já que por meio do estudo deste, o aluno pode captar e utilizar a subjetividade da língua em sala de aula e no dia a dia, além de ajudá-lo a entender as metáforas que a língua carrega. Por meio deste estudo também podemos aperfeiçoar a fluência do aluno em sua própria língua, de forma criativa e autônoma. Como dito pela professora nas aulas, isso vai além da gramática, ensinar os alunos a entender e se relacionar com a sua língua. Por meio do quadrinho o aluno entra em contato com a escrita criativa, e isso é muito visível na Turma da Mônica e em quadrinhos, já que o tempo todo o autor utiliza da língua para criar situações inesperadas, que podem gerar tanto conflitos quanto situações de comédia, e a leitura e entendimento destas histórias é extremamente benéfico ao ser adicionado ao repertório do aluno.
Por meio das metáforas visuais e das onomatopéias que são vistas na aula de número 3 do módulo 1, o aluno consegue entender como as imagens complementam e ajudam a contar a história junto dos balões de diálogo, além de enriquecer o modo como essa história pode ser contada. As aulas 4 e 5 também do módulo 1, em que os alunos passam de quadrinho para texto é bem significativa neste sentido, já que é interessante ver como o gênero quadrinho pode tornar aquela mesma narrativa mais cheia de vida, mais fluida e convidativa para os mais jovens.
Pensando em um contexto de pandemia, como EAD, as aulas 1, 2 e 3 do módulo 1 ficariam provavelmente iguais em um ambiente virtual, mas ao invés de projetar os exemplos ou mostrar em sala de aula, seriam demonstrados por meio digital, utilizando o Zoom ou o Meet para compartilhar a tela do professor. Os conceitos também seriam passados dessa forma, utilizando slides ou compartilhando a tela. Para ler a história a mesma coisa, mas com uma alternativa diferente, que seria mandar por e-mail as histórias que serão lidas, e na hora de ler dar tempo para que o aluno leia individualmente. Fazendo comentários depois para verificar o entendimento, as leituras também poderiam ser pedidas como lição de casa, mas o tempo que a leitura tomaria em sala teria que ser substituído por algo diferente, uma opção interessante seria alguma atividade individual mais trabalhada que verificasse o entendimento dos alunos de forma mais aprofundada.
MÓDULO I: Introdução aos elementos do quadrinho
Ana Júlia Lopes da Cunha
As aulas 4 e 5, que encerram o módulo I desta sequência didática, têm por objetivo verificar a apreensão da decodificação da linguagem visual ao passo que exercitam a competência narrativa do aluno.
No primeiro exercício, são apresentadas três tirinhas com as falas omitidas, as quais, espera-se que os alunos infiram a partir do contexto. Para tanto, é necessário articular os elementos já estudados: formato dos balões, expressão facial e corporal dos personagens, cenário dos quadrinhos, metáforas visuais e seu direcionamento, encadeamento sequencial dos quadrinhos na tirinha, além de acionar o acervo cultural prévio dos alunos. O professor pode adotar uma postura indutiva, caso a turma apresente dificuldades na compreensão da primeira tirinha - invocando os componentes constituintes da narrativa HQ supracitados - para que os alunos consigam reconstruir, ainda que de forma aproximada, a integridade do texto multimodal, completando os balõezinhos de fala de acordo com o enredo visual do texto.
Sugerimos que as tirinhas seguintes tenham suas falas inseridas pelos alunos individualmente e o resultado seja compartilhado oralmente para a classe. Mais uma vez, propomos uma postura indutiva do professor, de forma questionadora neste momento: “por que você pensou que a personagem falaria isso? Como chegou a essa conclusão?” A expectativa é que os alunos, ao articularem suas respostas, elenquem elementos constituintes da narrativa. Os alunos devem/podem ter encontrado adjetivos a partir das expressões das personagens, voz do narrador para contextualizar tempo e espaço, assim como descrição de ações das personagens etc.
A atividade seguinte será feita como lição de casa, em duas propostas de historinhas diferentes. A orientação é que o aluno passe o multimodal apresentado para unicamente verbal. Salientamos aqui que as aulas da Segunda da Turma podem ser uma espécie de âncora para o desenvolvimento da semana, e caso haja a necessidade de aulas que apresentem/reforcem elementos linguísticos necessários para a redação do texto, essa decisão deverá ficar a critério e avaliação do professor. Os alunos devem ser capazes de mobilizar, de acordo com sua faixa etária:
a. Verbos de elocução;
b. Uso do parágrafo;
c. Pontuação: dois pontos, travessão;
d. Uso do discurso direto e indireto;
e. Uso dos adjetivos.
Na aula 5, temos a reescrita da redação, após entrega pelos alunos e correção do professor. Nesse par de aulas buscamos instigar a escrita autoral dentro de um contexto específico, no qual o aluno deve ser capaz de identificar códigos enquanto revisita o que já estudamos sobre narrativas e HQ. Também tivemos a oportunidade de nos aproximarmos de competências linguísticas de maneira aplicada, objetivando o uso material da língua.
MÓDULO II: Narrativa e Identidade
Sofia Barral
O segundo módulo desta sequência didática, “Narrativa e Identidade”, se propõe a articular a noção de persona e identidade com a formação de personagens em narrativas de histórias em quadrinhos. Nesse sentido, além dos aspectos psicológicos, o conjunto de características visuais são fundamentais para que o leitor consiga compreender a função de cada personagem presente no enredo.
A primeira aula do módulo “O que é uma personagem?”, tem por objetivo auxiliar os alunos no reconhecimento dos já citados aspectos constitutivos da identidade de uma personagem. O ideal é que se lance mão de ferramentas audiovisuais para a condução da aula, mas não é estritamente necessário, podendo-se imprimir materiais, ou até mesmo, fazer uso de um gibi da Turma da Mônica.
Já em “Memória e registro da turma”, segunda aula do módulo, apresenta-se a história por trás da criação da Turma da Mônica, focalizando-se aspectos biográficos desse desenvolvimento ficcional. A ideia é que os alunos comecem a perceber que a literatura também pode ecoar o cotidiano e representar vivências reais. A proposta de tarefa de casa, nesse sentido, é que cada aluno busque em sua própria família histórias e possíveis personagens para a criação de sua própria narrativa.
Na aula seguinte, “Produção: novos personagens da Turma”, os alunos farão uma atividade lúdica que consiste no teste “Quem você seria se fosse uma personagem em quadrinhos?”. A partir dessa brincadeira, eles serão levados a rever as características necessárias para a composição de personagens, colocando essas noções em prática com os materiais trazidos de casa, a partir da tarefa de casa proposta na aula anterior.
A adaptação deste módulo para o regime de aulas remoto não deve ser um obstáculo, uma vez que os materiais necessários estão disponíveis nesta plataforma digital. Já a produção dos alunos pode ser feita em papel e fotografada para exposição em um blog da turma, por exemplo.
MÓDULO III: Intertextualidade (Aulas 01 a 03)
Maria Vitória Felix Santos
Nas aulas iniciais do módulo 3, apresentamos o que é a intertextualidade, conceitos relacionados a essa ideia e algumas relações de intertextualidade que podemos ter.
É importante frisar que trabalhamos a ideia de intertextualidade não somente direcionada a textos escritos, mas também a outros tipos de produção comunicacional, relacionando com o termo intericonicidade, como colocado por Jean-Jacques Courtine e destrinchado nas pesquisas “Intericonicidade: funcionamento discursivo da memória das imagens” de Nilton Milanes Correio e “Diálogo entre imagens: um caso de intericonicidade” de Audicéria Maria Paes, José Ribamar Mota e Raimundo Tocantins. É interessante falar que também existe esse termo, mas creio que para a faixa etária e série para a qual propusemos essa sequência didática, talvez não seja o momento ideal para apresentar dois conceitos tão similares e mais específicos. Também pensando que a intertextualidade costuma ser cobrada dessa forma mais geral tanto pelos professores nos outros anos do ensino fundamental e médio, escolhemos por mão conceituar e trabalhar a diferença entre ambos, mas focar no desenvolvimento da percepção e compreensão destes tipos de relação.
Na primeira aula do módulo (Aula 1), montada pela Isabela Pretti e revisada e apresentada por mim, apresentamos o conceito de intertextualidade a partir de algumas imagens, para iniciar esse processo de identificação do aluno sobre o que é a intertextualidade. Sendo assim, conceituamos a mesma e a apresentamos em três esferas: Na relação entre diferentes imagens com um diálogo entre si, na relação entre diferentes produções de quadrinhos com um diálogo entre si e na relação entre gêneros textuais, no conceito mais “clássico” da intertextualidade. Nessa aula, é importante frisar a diferença entre estes tipos e ir guiando o aluno por entre as esferas apresentadas, sempre tentando situá-los. Na lição de casa, propomos apresentar a intertextualidade no contexto publicitário, conversando com narrativas já existentes, e sugerimos que este tema seja desenvolvido na próxima aula de português, para que eles consigam entender o diálogo entre os personagens e narrativas apresentados e a propaganda, algo que não só está como item a ser trabalhado na BNCC como também é algo com o qual os alunos têm muito contato, desde propagandas na televisão, até anúncios na internet.
Na segunda aula do módulo (Aula 2), falamos sobre a intertextualidade entre produções não verbais, trabalhando especificamente com a relação e interpretação de pinturas. Diante do tema das multilinguagens, achei que seria interessante trabalhar uma forma de expressão que fosse não verbal, mas que tivesse referências em diversos trabalhos e que colaborasse também com o desenvolvimento da interpretação pelos alunos. Sendo assim, a linguagem artística fazia muito sentido e conversava com o restante da sequência didática que estávamos montando, em especial colaborando para a compreensão da relação entre autor e obra. Sendo assim, durante a aula, é muito positivo tentar trabalhar a percepção dos alunos em relação a questões de interpretação de pinturas e de trabalhos visuais num geral, sugerindo que eles trabalhem elementos como cores, texturas, intensidades, posicionamentos de figuras que aparecem, momento histórico e espaço, que podem voltar a ser usados em outros momentos do decorrer acadêmico dos alunos, além de serem elementos que podem ser aplicados e trabalhados também na interpretação do texto verbal, tanto em contos como em textos não-ficcionais. Nesta aula também é trabalhado o conceito de releitura e pensar em qual é a diferença entre a releitura e a intertextualidade que vinha sido vista até aquele momento. Após a finalização da aula, é recomendado que se mostrem outros exemplos de pinturas famosas que foram reproduzidas por Maurício de Souza, assim como falado na sequência didática. Este momento pode ampliar o repertório cultural dos alunos e trazer para os mesmos o conhecimento de artistas importantes dentro da arte, além de colaborar com o trabalho da questão da diversidade, mesmo que de forma indireta, já que ao mostrar Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Frida Kahlo, estamos apresentando o trabalho de mulheres e homens latinos e, no caso da Frida, deficientes.
Já na terceira aula do módulo (Aula 3), trabalhamos o gênero meme e a questão da interpretação do humor. Nesta aula em específico, a intertextualidade é trabalhada com a relação entre os memes e algumas narrativas das histórias da Turma da Mônica e os próprios personagens, assim como também é muito trabalhado a questão do contexto do humor e de como ele é um fator importante para a construção da intertextualidade dentro deste gênero em específico. Em relação às atividades propostas na sequência didática, é recomendável manter a dinâmica inicial proposta, pois ela foi pensada para engajar os alunos a partir das experiências dos mesmos, já que todos provavelmente terão um meme favorito e ficarão felizes em compartilhar em aula, e construir algumas das principais ideias em conjunto, guiando o aluno de acordo com as reflexões. Depois dessa conceituação inicial, o objetivo é trabalhar a construção e identificação do humor no meme, mas é importante lembrar o aluno de que ali também ocorre uma relação de intertextualidade, por estar se comunicando com o universo da Turma da Mônica. É válido perguntar se a caraterística ou narrativa dos personagens influencia em algum dos memes, para que se possa ajudar na reflexão em relação a intertextualidade e conectar com a temática da segunda da turma. Os Memes são um tema muito rico e que, caso seja de interesse do professor, também é possível trabalhar diversos outros temas com ele no decorrer da semana, como a linguagem informal e até mesmo a interpretação de texto, por exemplo, o que pode ser muito benéfico para o desenvolvimento do aluno e também para a organização do professor.
Para finalizar este comentário, gostaria de refletir um pouco sobre como adaptar estas aulas para a vida online que estamos tendo nesta pandemia. Acredito que estas aulas, em especial, não são muito complexas de se trazer para o online. Em relação às imagens, uma opção é fazer uma sequência de slides e apresentar para os alunos, assim podendo já colocar os conceitos que serão trabalhados no mesmo e ir apresentando aos poucos. Já em relação às discussões e conceituações em conjunto, é possível deixar um documento no word com o layout e informações como turma, número da aula e outros já pronto e apresentar o mesmo na tela durante a aula, para assim ir completando juntamente com os alunos. Outra opção é criar um documento compartilhado no google drive e pedir para que todos os alunos entrem nele durante a aula e, conforme a discussão vai decorrendo, pedir para que algum dos alunos digite o ponto que foi concluído. Como todos os alunos terão acesso ao documento, todos podem adicionar elementos, caso necessário, e todos poderão ver as alterações e conceituações, quase como uma lousa adaptada. Em relação aos textos que são apresentados, é possível colocá-los no slide ou enviar previamente o texto para os alunos e pedir para que abram e leiam somente no momento indicado, ou colocar o mesmo em um arquivo no google drive e enviar o link para que os mesmos possam ler somente no momento correto da aula, para evitar que alguém leia antes e possa influenciar nas discussões que serão colocadas ou na análise anterior à leitura do texto. Em relação às lições de casa, é possível tanto deixar que os mesmos a façam digitada, quanto que eles a façam à mão, como na aula presencial, e enviem uma foto da mesma preenchida. Dependendo das condições dos alunos da turma em meio a pandemia, fica a cargo do professor pensar qual é a melhor opção para a sua turma.
***
MÓDULO III: Intertextualidade (Aulas 04 a 07)
Sofia Barral
As aulas finais do módulo III (04 a 07) relacionam o tema da intertextualidade entre literatura (quadrinhos) e cinema. A partir da exibição do filme “Turma da Mônica - Laços”, pretende-se promover, de maneira prazerosa e imersiva, o gosto pela sétima arte. Além disso, procura-se orientar o olhar dos alunos, auxiliando-os a perceber na composição audiovisual aspectos de sua criação e produção. Ao passo que são introduzidos conceitos fundamentais como caracterização, enredo, fotografia e cenário, os estudantes poderão ampliar seu horizonte de análise. Por fim, a partir da observação de um exemplo e da discussão em grupo, é proposta uma atividade de redação de crítica de cinema.
A fim de adaptar essas últimas aulas para o ensino à distância, pode-se pedir que cada estudante assista ao filme com sua família individualmente. Em seguida, em encontro por meio de plataformas digitais (CMSP, Google Meet, Zoom etc.), as discussões podem ser feitas em grupo. A redação pode ser realizada individualmente e enviada por e-mail, ou feita em conjunto, por meio de um arquivo compartilhado em plataformas como o Google Docs ou Onedrive (a depender dos recursos disponíveis para os alunos).
MÓDULO IV: o gibi e a Maurício de Sousa Produções
Isabela Pretti Nogueira
O penúltimo módulo da sequência objetiva apresentar o gibi, veículo físico e tradicional de circulação das historinhas da Turma. A ideia é que, de uma maneira prática, os alunos tenham contato com a materialidade do gibi, compreendendo seu funcionamento lógico e compartimentado, e também vivenciando uma leitura continuada, compreendendo os diferentes tamanhos de historinha e as diferentes abordagens que podem aparecer num mesmo material (já que até agora, na sequência, só se trabalhou com historinhas isoladas).
As aulas do módulo IV oferecem ao aluno a oportunidade de interagir com o novo material e, portanto, uma nova modalidade de leitura. É a oportunidade de expandir seu repertório: a introdução do gibi em sala de aula se relaciona com as competências específicas de língua portuguesa da BNCC, na medida em que introduz a linguagem dos quadrinhos e dos gibis como uma prática de linguagem, apresentando suas particularidades e oferecendo aos alunos a possibilidade de pensar a leitura de forma crítica, opinando sobre gostos e desgostos e refletindo sobre suas preferências.
O Módulo IV ainda propõe uma atividade de escrita que supõe um leitor externo, real, sugerindo que os alunos escrevam uma carta de sugestão de historinhas para o Maurício de Souza Produções. É uma maneira de introduzir ou rememorar as normas gramaticais e em que situações elas devem ser usadas.
MÓDULO V: gibi da (nossa) turma!
Isabela Pretti Nogueira
O último módulo da sequência convoca os alunos a se tornarem autores e editores de suas próprias historinhas, mobilizando para isso os conhecimentos adquiridos até então. A ideia é que os estudantes desenvolvam uma pequena narrativa com as características do gênero HQ e que seja coerente com as personagens estudadas, de forma a permitir a avaliação do professor.
A sugestão é que as aulas do módulo V aconteçam durante uma semana, para que o processo de criação ocorra de maneira contínua. Distribui-se um cronograma para orientar o planejamento e execução das historinhas. Para essa produção, a sala é dividida em grupos de 5 que durante a semana experimentarão, de forma lúdica, o papel de roteiristas, ilustradores, letristas etc. Ao final, as historinhas produzidas deverão ser reunidas num só gibi da turma, que poderá ser exposto virtualmente - esta produção também supõe um leitor externo, pois a divulgação do “gibi da turma” tem como público os próprios alunos e suas famílias.
Para que seja aplicado com facilidade no modo virtual, sugere-se que o projeto deste módulo seja individual: cada aluno deverá realizar sua própria tirinha, de casa - sugere-se que se estabeleça o limite de 3 quadrinhos, nesse caso. Para a produção, reservada para as aulas 2 a 6, o professor deve disponibilizar uma versão digital do cronograma e solicitar que os alunos estejam presentes na chamada da aula, para que se possa discutir as minúcias de cada etapa com os alunos e as dúvidas se resolvam mais prontamente. A ideia é concluir a sequência didática de maneira também virtual. Os alunos deverão fotografar suas tirinhas e enviar por e-mail para o professor.
Aula complementar - Módulo 3 - Intertextualidade
Maria Vitória Felix Santos
Durante o nosso processo de montagem da sequência didática, eu e a Isabela Pretti Nogueira montamos em conjunto uma aula sobre o gênero Podcast, ainda pensando na questão da intertextualidade. No planejamento final da nossa sequência didática, acreditamos que talvez ela saísse um pouco do desenvolvimento que a mesma estava levando, além de deixar a sequência muito longa, entretanto, decidimos por disponibilizar aqui, caso algum professor goste da ideia e deseje colocar esta proposta pros seus alunos. A ideia seria trabalhar o gênero podcast e, ao final da aula, fazer um pequeno trabalho em conjunto escrevendo uma resposta para o programa do Joca, pedindo por algum tema e falando sobre o episódio, assim como o mesmo sugere ao fim do podcast. Estes escritos seriam enviados ao podcast pela professora, no e-mail apresentado durante o programa.
AULA EXTRA - “SOMOS TODOS PODCASTERS”
Maria Vitória Felix Santos
Isabela Pretti Nogueira
Objetivo da aula: Apresentar o gênero e a linguagem do podcast; pensar a forma de relação com a narrativa e com a experiência pessoal; exercitar a percepção de linguagem (verbal e não verbal, sonora).
Pressuposto: Na semana anterior, o professor passou como tarefa ouvir o podcast do JOCA - projeto de um jornal infantil disponível em TODAS as plataformas (disponível no site do projeto, no Spotify e no Deezer).
Em aula:
Debata com a turma sobre como a experiência de ouvir o conteúdo (frisando que a matéria era apenas auditiva, e não visual). Conforme a discussão se desenrola, o professor deve ir introduzindo os conceitos básicos de podcast (o que é, como funciona, onde pode ser encontrado). Sugestões de perguntas:
O que vocês acham que vocês ouviram?
Quais as histórias que vocês ouviram?
Vocês aprenderam coisas novas ouvindo isso?
Foi usada com mais frequência a linguagem formal ou informal?
A fala humana, como registrada no podcast, é linguagem verbal ou não-verbal?
2. Divida a turma em grupos e peça para que reflitam sobre as histórias trazidas pelos depoimentos do podcast, enfatizando como a Turma da Mônica impactou tantas vidas de forma tão diferente; peça para que, em seguida, cada aluno pense em uma história significativa para eles (pode ser série, filme, livro, etc). Ao final, os grupos serão convidados a dividir as reflexões com a turma.
3. Relembre os alunos de que o podcast do JOCA se encerra com um convite: os ouvintes são convidados a enviar e-mails para o jornal, contando mais sobre sua experiência com a Turma da Mônica. Diga que será feita uma atividade parecida: numa folha, os alunos deverão escrever um e-mail de um parágrafo relatando suas reflexões, gostos e desgostos a respeito de determinada história.
Acho importante pontuar algumas observações em relação à aula apresentada. A primeira é a importância de efetivamente ter conceituado o que é um podcast ao fim da primeira parte da aula. Caso isso não tenha ocorrido naturalmente, é importante uma intervenção do professor para que esta definição e conceito sejam colocados. Outro ponto importante de se ter em mente, e que seria interessante passar aos alunos, é a relação do leitor com o gênero podcast. De acordo com o site Rock Content e as nossas discussões sobre o gênero:
“O leitor vê no podcast um momento de lazer e desconferência, como se as pessoas estivessem sendo impactadas por diversos estímulos. Sendo assim, muitos vêem o momento de ouvir um podcast como algo para descontrair, fazendo com que o conteúdo tenha a função de ousar, entreter e informar, com um conteúdo mais denso e uma linguagem mais descontraída.”
Em relação ao e-mail em si, caso a aula esteja sendo dada de forma online, peça para que os alunos coloquem o e-mail no drive da sala ou que enviem diretamente para a professora responsável, já na estrutura de um e-mail.
Referências bibliográficas
BOSCARIOL, Matheus. Podcast: o que é, para que serve e como fazer um podcast. 2019. Disponível em: https://comunidade.rockcontent.com/o-que-e-podcast/. Acesso em: 15 jul. 2021.
CORREIO, Nilton Milanez. Intericonicidade: funcionamento discursivo da memória das imagens - doi. Acta Scientiarum. Language And Culture, [S.L.], v. 35, n. 4, p. 345-355, 24 set. 2013. Universidade Estadual de Maringa. http://dx.doi.org/10.4025/actascilangcult.v35i4.20232. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciLangCult/article/download/20232/pdf/. Acesso em: 15 jul. 2021.
KOBAYASHI, Sérgio Mikio. Entre o meme e a campanha: representação e ação na cultura digital, São Paulo, p. 12-140, out. 2018. Universidade de São Paulo, Agência USP de Gestão da Informação Académica (AGUIA). http://dx.doi.org/10.11606/d.8.2019.tde-28022019-133545. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-28022019-133545/publico/2018_SergioMikioKobayashi_VCorr.pdf. Acesso em: 15 jul. 2021.
PAES, Audicéria Maria de Souza et al. Diálogo entre imagens: um caso de intericonicidade. Revista Anagrama: Revista Científica Interdisciplinar da Graduação, São Paulo, v. 2, n. 9, p. 1-17, jul. 2015. Revista da Universidade de São Paulo. E-mail: anagrama@usp.br. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/anagrama/article/download/100247/98909/174877#:~:text=A%20intericonicidade%20sup%C3%B5e%20a%20rela%C3%A7%C3%A3o,impress%C3%B5es%20visuais%20armazenadas%20pelo%20indiv%C3%ADduo.. Acesso em: 15 jul. 2021.
TECMUNDO. O que é Podcast?. [S. l.], 2008. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/internet/1252-o-que-e-podcast-.htm. Acesso em: 20 maio 2021.
Clique nos links abaixo para acessar os anexos das aulas