Nossa tabela foi inspirada no livro A tabela periódica de Primo Levi, publicado em 1975 na Itália.
Nossa tabela não é convencional. Nela você também encontrará elementos que participam de histórias narradas por Levi em seu livro. Entre números atômicos e pontos de ebulição, há sentimentos, amigos, trabalho, prisão.
Zinco - A Tabela Periódica
A outra matéria-prima, o partner do zinco, isto é, o ácido sulfúrico, não era preciso que Caselli me desse: havia em abundância por todo o lado. Concentrado, naturalmente: e deve-se diluí-lo em água; mas atenção, está escrito em todos os tratados, é preciso operar às avessas, quer dizer, verter o ácido na água e não o contrário, senão aquele líquido oleoso de aspecto tão inócuo está sujeito a iras furibundas: sabem-no até os meninos do ginásio. Em seguida põe-se o zinco no ácido diluído.
Nas anotações estava escrito um pormenor que à primeira vista me escapara, ou seja, que o zinco, tão terno, delicado e dócil diante dos ácidos, que o corroem imediatamente, comporta-se porém de modo muito diferente quando é muito puro: então resiste obstinadamente ao ataque. Daí se podiam extrair duas consequências filosóficas contrastantes: o elogio da pureza, que protege contra o mal como uma couraça; o elogio da impureza, que propicia as mudanças, isto é, a vida. Descartei a primeira, desagradavelmente moralista, e me detive na consideração da segunda, que me era mais afim.
Cério - A Tabela Periódica
Havia feito várias tentativas no laboratório. Roubara algumas centenas de gramas de ácidos graxos, trabalhosamente obtidos por oxidação da parafina por algum colega meu do outro lado da barricada: comera a metade deles, e verdadeiramente saciavam a fome, mas tinham um sabor tão desagradável que renunciei a vender o resto. Tentara fazer fritura com algodão hidrófilo, que apertava contra a chapa de um pequeno forno elétrico; possuíam um vago sabor de açúcar queimado, mas se apresentavam tão mal que não as considerei comerciáveis: quanto a vender diretamente o algodão na enfermaria do Lager, tentei uma vez, mas era difícil de carregar e pouco cotado. Também me esforcei por ingerir e digerir a glicerina, baseando-me no raciocínio simplista de que, sendo esta um produto da cisão dos graxos, deve ser metabolizada e fornecer calorias de algum modo; e talvez fornecesse, mas à custa de desagradáveis efeitos secundários.