Esta seção enfoca a experiência traumática de Primo Levi no complexo de campos de concentração de Auschwitz, localizado na Polônia. Ao testemunhar sua experiência no livro É isto um homem? (1947), Levi faz várias referências ao Inferno (1472) do escritor italiano Dante Alighieri (1265-1321), como a expressão "Lasciate ogni speranza".
Auschwitz era um dos maquinários monstruosos de desumanização do nazismo
"A viagem durou três dias. Creio que não é necessário descrever uma viagem de três dias num vagão lacrado: frio, sede, cansaço, insônia e, sobretudo, pavor. [...] Nenhum de nós conhecia o significado daquele nome: Auschwitz. Fizeram-nos descer dos vagões e nos interrogaram rapidamente: 'É saudável? Pode trabalhar?'. Com base nas respostas e num exame extremamente sumário, dividiram-nos em três grupos: 96 homens aptos (eu entre eles); 29 mulheres aptas e todos os demais. [...] Dos incapacitados para o trabalho, não retornou ninguém. Eram idosos, doentes, crianças e mães que não quiseram abandonar seus filhos. Soubemos muito tempo depois; foram amontoados nas câmaras de gás e queimados nos crematórios. Para isso existia Auschwitz, para isso servia Auschwitz. Assim, de 650, regressamos catorze."
Primo LeviVestimenta híbrida
Metade jaleco de químico, metade uniforme de prisioneiro
IG-Farbenwerke Auschwitz
Bundesarchiv, Bild 146-2007-0056. Licença CC BY-SA 3.0 DE. Fonte: Wikimedia Commons
Primo Levi trabalhou em um laboratório de borracha sintética da IG Farben em Monowitz-Buna, um dos campos de Auschwitz.
"Sobrevivi graças à combinação de acasos raros [...], nos últimos meses pude me prevalecer de minha qualidade de químico e trabalhar num laboratório da fábrica imensa. em vez de ficar na lama e na neve: além disso, sabia um pouco de alemão e me esforcei por aprender essa língua [...]."
Primo LeviDesumanização nº 174517: este foi o número tatuado no braço de Primo Levi.
"Ao que parece, esta é a verdadeira iniciação: só "mostrando o número" recebem-se o pão e a sopa. Necessitamos de vários dias e de muitos socos e bofetadas, até criarmos o hábito de mostrar prontamente o número, de modo a não atrapalhar as cotidianas operações de distribuição de víveres [...]."
Primo LeviPercurso de Auschwitz até Turim
1955-1986
"Quando todos entravam na câmara de gás, as portas eram fechadas [...] e, pelas válvulas do teto, soltava-se um preparado químico em forma de pó grosseiro, de cor cinza-azulada, contido em latas, cujo rótulo especificava 'Zyklon B — Para a destruição de todos os parasitas animais' e apresentava a marca de uma fábrica de Hamburgo. Tratava-se de um preparado de cianureto, que se evaporava a determinada temperatura."
Leonardo De Benedetti e Primo Levi