Foto: Don DeBold/Creative Commons ACTUALIZAÇÃO: Censo nacional de pilrito-das-praias teve lugar em 2015/16 não estando previstas actividades complementares este ano. De entre as cerca de 10.000 espécies de aves existentes, há
uma ou duas dúzias quase globais sem ser por influência do Homem - o
pilrito-das-praias é uma delas. Por quase todas as praias do planeta, podemos
encontrar estes bandos frenéticos de aves brilhantes, como que produtos de uma
garrafa que se partiu em mil pedaços e se espalhou na areia varrida pela
ondulação. Um pilrito-das-praias é uma enorme quantidade energia e beleza concentrada em menos de 100g de massa. São seres superlativos em tanta coisa! Começa por não haver praticamente espécie de animal vertebrado cuja distribuição na época de reprodução seja tão radicalmente nórdica. Mesmo o sul da Gronelândia, a Islândia, ou o Cabo Norte na Noruega são demasiado meridionais para estes seres do alto Ártico, que só se encontram mesmo no topo do teto do mundo. Mas depois migram, e de que maneira! Espalham-se pelas praias de todos os continentes, até à Patagónia, à África do Sul, ou à Austrália. Espantosamente, pilritos-das-praias de uma mesma população, como a do norte da Gronelândia, podem invernar em locais tão díspares como a Dinamarca ou a Escócia, no norte, ou a Namíbia e a África do Sul, no sul. Sendo o Ártico uma das regiões onde se faz sentir mais acentuadamente os efeitos do aquecimento global em curso (em larga medida resultado das atividades humanas), o pilrito-das-praias é uma das espécies-chave a monitorizar, na nossa tentativa de compreender os impactos globais deste processo. Os pilritos-das-praias são relativamente fáceis de contar, mas curiosamente, como se concentram em zonas que não são normalmente cobertas pelos censos tradicionais de aves aquáticas, e não frequentam os grandes dormitórios de limícolas, pouco se sabe sobre os seus números ou a sua evolução populacional. Como muitos dos colaboradores do Projeto Arenaria certamente já se deram conta, os pilritos-das-praias são a limícola mais abundante do nosso litoral aberto à influência direta do oceano. Também por isso, e pelas razões apresentadas acima, decidimos este ano alargar o esforço do Projeto Arenaria, e aproveitar para realizar um censo nacional desta ave no Inverno. Assim, em complemento do Projeto Arenaria, serão efetuadas contagens em estuários, rias e lagoas costeiras, com o objetivo de apurar o melhor possível qual a população desta espécie. Trabalharemos em parceria com as equipas do Centro de Estudos de Migração e Proteção das Aves (CEMPA), do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e da sua rede de colaboradores, que normalmente contam as limícolas nas zonas estuarinas. Além disso, faremos um esforço dedicado complementar dirigido especialmente a esta espécie. Contamos pois com o apoio dos observadores de aves ativos em Portugal para este excitante projeto que será o Censo Nacional de Pilritos-das-praias! Organização e Metodologia dos censo dos pilritos-das-praias Projeto Arenaria Na orla marinha coberta pelo Projeto Arenaria, a metodologia a adotar é simplesmente a do Projeto Arenaria (ver metodologia aqui). Nas zonas estuarinas e lagunares costeiras, serão adotadas 2 metodologias complementares, com o objetivo de comparar e complementar resultados:
Contagens CEMPA-ICNF No âmbito dos censos nacionais coordenados pelo CEMPA-ICNF e respetiva rede de colaboradores, serão feitas as habituais contagens de limícolas nas zonas de refúgio de maré-alta. Saiba mais sobre estas contagens aqui. Quem desejar participar nestas contagens poderá contactar o seu Coordenador Nacional, Vítor Encarnação (vitorencarnacao@icnf.pt).
Contagens dirigidas a Pilritos-das-praias Serão feitas contagens complementares nas zonas estuarinas e lagunares costeiras, preferencialmente a meia-maré, que serão comparadas sempre que possível com outras contagens, complementando-as. Estas contagens serão exclusivamente dirigidas aos pilritos-das-praias. Foto: Andrew C./Creative Commons1) Grandes zonas húmidas As grandes zonas húmidas costeiras, como a Ria de Aveiro, o estuário do Tejo, o estuário do Sado e a Ria Formosa terão um Organizador Regional de Zona Húmida próprio, que se ocupará de todas as contagens dirigidas de Pilrito-das-praias da zona que coordena. - Organizadores Regionais de Zona Húmida: Ria de Aveiro: Pedro Moreira (plmoreira@gmail.com) Estuário do Tejo: Pedro Lourenço (p.m.g.lourenco@gmail.com) Estuário do Sado Alexandre Leitão (alexandrehespanhol@gmail.com) Ria Formosa – Thys Valkenburg (thysvalkenburg@hotmail.com) 2) Pequenas zonas húmidas As zonas húmidas costeiras mais pequenas serão preferencialmente (mas não obrigatoriamente) contadas pelos observadores voluntários que façam a quadrícula do Projeto Arenaria que as inclui (ou que seja adjacente). Os voluntários deverão pois coordenar essas actividades com os Organizadores Regionais do Litoral onde a zona húmida se inclui. · Conheça quais as zonas pequenas zonas húmidas a monitorizar:
Outros aspectos Enquanto a costa marinha está dividida em quadrículas regulares, tradicionalmente usadas no Projeto Arenaria (conheça a área de estudo aqui), para as grandes zonas húmidas costeiras não haverá uma divisão sistemática por setores. Assim, os voluntários deverão contactar o Organizador Regional de Zona Húmida relevante, e com ele discutir quais os setores que poderão cobrir. É aceitável que haja contagens repetidas dos mesmos setores, onde o número de voluntários o permita. Ao contrário das zonas de costa marinha, que são contadas em redor da maré-baixa, as grandes zonas húmidas costeiras deverão ser, quando possível, contadas a meia-maré. Para as pequenas zonas húmidas costeiras (pequenas lagoas ou estuários), o estado da maré durante a contagem é flexível, mas deverá ser evitado o pico de maré-alta. Pede-se ainda todos observadores que dêem especial atenção a pilritos-das-praias com anilhas coloridas, e que sempre que possível os fotografem ou leiam as combinações de cores, reportando-as juntamente com as contagens. Foto: Jean Jaques Boujot/Creative CommonsMateriais de Apoio Os observadores interessados em participar nas contagens dirigidas a pilrito-das-praias poderão descarregar abaixo os documentos necessários à realização do trabalho de campo - Ficha de campo e instruções de preenchimento e Ficha de Inserção de dados. Pede-se a todos os observadores que enviem, se possível, os dados em formato digital ao OR da sua região (no caso referente a pequenas zonas húmidas), e ao Organizador Regional de Zona Húmida (no caso da Ria de Aveiro/Estuários do Tejo e Sado e Ria Formosa). Este procedimento ajuda a poupar tempo e papel. Pode descarregar a ficha de inserção de dados (em formato Microsoft Office Excel) que se encontra disponível em baixo. |




