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Óleo e água não se misturam

postado em 6 de jan de 2017 11:40 por Road Garage

Com a chegada do verão, é notório um aumento na quantidade de motos transitando pelas ruas das cidades. Se o tempo está bom e não há previsão de chuva, muita gente anima em tirá-las da garagem para um rolezinho, ou até ir trabalhar. Você chega no trabalho com sol, mas na hora de ir embora, o tempo pode ter virado.

Essa época do ano é conhecida pelas pancadas de chuvas no final da tarde, justamente quando termina o expediente, ou na volta do rolé. 

Alguns ficarão tentados em acelerar para fugir da chuva. Péssima decisão! Como já não chove a um tempo, há muita sujeira e óleo acumulados na via, que agora molhada, se torna extremamente perigosa!

Veja a espuma (óleo + água) que se forma com uma chuva rápida:

(Motociclista acelerando com pista molhada - Praça da Bandeira - Rio de Janeiro - Brasil)


A redução de atrito entre os pneus e o asfalto pode facilmente te levar ao chão, se você não redobrar o cuidado ao pilotar! 

Tampas de bueiro (metal), faixas de sinalização (tinta ou elastoplástico laminado) reduzem ainda mais o atrito e aumentam a chance de perda de controle da motocicleta. (Não podemos esquecer da aquaplanagem nos bolsões dágua e dos buracos submersos!)

É necessária uma boa chuva para que o óleo escorra totalmente e limpe a via:

(Óleo na pista - Praça da Bandeira - Rio de Janeiro - Brasil


Não dê margem ao azar: se começar a chover, diminua a velocidade! 
É melhor chegar molhado ao invés de chegar ralado, ou simplesmente não chegar...

Ride safe!

Pneu da carro em moto: Pirelli Phantom

postado em 19 de abr de 2016 04:17 por Road Garage

Chega ao fim o pneu Maxxis Victra 205/45-r17 de carro que estava usando na moto, e entra o Pirelli Phantom 205/50-r17 para a Moto Expedição Alasca:



Pude felizmente constatar o que previa: o pneu de carro e uma boa opção para viagens de longa distância, onde se mantém a moto mais na vertical que apoiada nas bandas laterais. O pneu teve o twi atingido ao mesmo tempo que as laterais apresentaram sinal de desgaste.

Rodamos 19kkm com esse pneu, o que deu uma autonomia 3kkm maior que a melhor opção até então, o pneu de moto Michelin Commander 2.

Pode parecer pouco, mas para o roteiro sugerido, irei trocar o pneu apenas uma vez, ao invés de duas. Já é uma diferença, além de poder achar esse pneu perfil 200 de carro mais facilmente que o de moto em qualquer lugar.

Comparando os dois pneus, o Pirelli passa mais conforto ao piloto por conta do maior perfil, e promete durar mais de acordo c seu índice de carga, largura e profundidade dos sulcos.

Quanto a pilotagem, depois de abaulado nas curvas iniciais, se mostra bem amigável em curvas de baixa, média e alta, e extremamente estável na reta, inclusive com a opção de travar a roda traseira em frenagens, o que pode ser uma dor de cabeça com pneu de moto, pela menor aderência. Melhor na chuva, pior nos asfaltos irregulares, continuamos adentrando o lado negro da força.

Welcome to the darkside!

Softail: Troca dos rolamentos da roda

postado em 14 de abr de 2016 10:32 por Road Garage

A alguns anos atrás, coloquei rodas de liga na Ruanita, assim como rolamentos zerados:


Na época utilizei o bom e velho martelo de madeira, e coloquei os rolamentos sem maiores dificuldades. Agora, cerca de 50kkm depois, hora de trocar os rolamentos de roda, e para sacá-los, somente com ferramenta apropriada. Sendo assim, nova ferramenta chega a garagem:

(Sacando rolamento da roda dianteira Harley Davidson FXST Softail)

Como era de se esperar, depois de usar a moto próximo a praia (e até na praia como foi na Viagem Nordeste) e ter sofrido com a recente enchente, o rolamento da roda traseira abriu o bico e enferrujou, inclusive passando oxidação para o espaçador:

(Sacando rolamento e espaçador da roda traseira Harley Davidson FXST Softail)


Troquei os quatro, pelos da marca SKF, e depois de limpar a ferrugem, instalei com bastante graxa azul:


Nova ferramenta aprovada!

Rodas prontas para mais um rolézinho. Bora pro Alasca?



Softail: Troca do rolamento da balança

postado em 12 de abr de 2016 08:40 por Road Garage   [ 12 de abr de 2016 08:44 atualizado‎(s)‎ ]

As vezes há males que vem para o bem. Difícil crer nisso, mas tive que desmontar meia moto para tirar o arranque, e por esse motivo acabei descobrindo que o rolamento da balança estava estourado:

(Eixo da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Não, não sentia a moto jogar de lado, e se não fosse o relato da garupa que escutava um barulho estranho quando passávamos em quebra-molas, por mim estava tudo ok.

Bora trocar por um paralelo Drag Specialities, que o par custa menos da metade do preço de apenas um rolamento novo na cc HD Rio!

Não tenho o que falar mal do rolamento original, que apesar de ser livre de manutenção, durou 107kkm na minha moto, as vezes em condições adversas rs Mas sustentar Dealer não é minha praia.

Vamos ao que interessa, com uma chave 16/17" e o cano-quebra-torque de auxílio, aliviamos a porca que prende o eixo da balança, enquanto a pedaleira do garupa dá uma ajudinha segurando a chave de engenheiro do outro lado:

(Retirando o eixo da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Depois do eixo aliviado, com uma chave de boca 3/4" tiramos os parafusos que prendem os amortecedores na balança:

(Retirando os amoretecedores da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Apesar dos espaçadores serem iguais, mantive a ordem. Hora de retirar a balança:

(Eixo da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Com a balança fora do quadro, retiramos o grampo metálico de retenção do rolamento:

(Retirando rolamento da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Enganou-se quem achou que era só dar umas porradas com um rolamento encaixado na lateral e substituir o antigo pelo novo. O rolamento aqui entra sob pressão e com chave especial. Nada de martelo de madeira ou de borracha...

Como eu não tenho a chave especial, tive que engatilhar a chave para trocar rolamento de roda (nova aquisição da RoadGarage). Funcionou perfeitamente:

(Retirando rolamento da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Comparação entre o par de rolamentos novos Drag Specialities e o par original usado:

(Comparação entre os rolamentos da balanda Drag Specialities X Harley Davidson - Troca do rolamento da balança Softail FXST)

Na hora de colocar os novos, outra gambiarra:

(Instalando rolamento da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Como o kit para instalar rolamento de roda é grande demais para a balança, tive que espaçar com algumas peças e rolamentos, mas deu certo. Com graxa azul e anel de retenção original, rolamentos novos instalados:

(Rolamento da balança traseira da Harley Davidson Softail FXST - Troca do rolamento da balança)

Hora de devolver a balança e o eixo traseiro a moto, sem esquecer do trava rosca na porca e nos parafusos dos amortecedores:

(Trava rosca nos parafusos dos amortecedores e porca do eixo)

Apertar no torque recomendado pelo manual!


Água na transmissão e limpeza do arranque

postado em 8 de abr de 2016 09:41 por Road Garage

Próximo item a ser checado depois da inundação, foi a transmissão, que pensava ser completamente fechada. Ledo engano, tem um suspiro na parte superior, com um cano de borracha de 1/4":


E obviamente, entrou água. Saca a cor do óleo que saiu:


Comecei com as repetidas trocas para retirar o máximo de água que consegui, pois o certo aqui seria abrir a transmissão e lavar todas as engrenagens com diesel ou querosene. Não tenho esse tempo. De qualquer forma, estou colocando um óleo bem em conta para poder trocar diversas vezes:


Na terceira troca, levantei a roda traseira, joguei o restante do flush pra dentro da transmissão, liguei a moto, acelerei engatando todas as marchas. Reduzi e voltei a subir marcha, até 100km/h, dentro da garagem, no meu "dinamômetro" adaptado:


Drenei óleo novamente, e coloquei um novo.

Resolvido um problema, aparece outro. Na primeira foto, do suspiro, apareceu o nosso querido "arranque". Será que entrou água? Tem suspiro?

Parti para retirar o arranque, que também tem suspiro, e provavelmente também entrou água...

Primeiramente tentei tira-lo sem remover o tanque de óleo: retirei bateria, o cabo do positivo que liga direto na carcaça do arranque, e até cortei e adaptei uma chave allen:


Apesar das chaves encaixarem, seria um exercício de paciência tirar um parafuso desse tamanho girando apenas 1/8 de volta, pois não há espaço suficiente para o serviço:



E para retirar o arranque pelo outro lado, deveria me virar com o pouco espaço entre as fiações e o duto de óleo... Enfim, não percam tempo e retirem logo o tanque de óleo, fica a dica:


Retirei protetor da correia, roda traseira, tanque de óleo, sensor de tombamento... E depois de desmontar metade da moto, o parto foi bem sucedido e o bebê nasceu:



Eu não arrisquei abri-lo, levei para um mecânico da rua Ceará fazer a limpeza. Será que precisava?


Não tinha água, porque o suspiro é por baixo (vai entender os engenheiros da Harley Davidson), entretanto estava bem sujo, principalmente as escovas. Depois de um banho de querosene, pronto pra voltar pra moto:


Aproveitei e fiz uma limpeza no berço da criança:


Muito WD pra limpar toda essa sujeira...


Mas o que é aquilo ali no eixo da balança?

Cenas do próximo capítulo..... 

Biópsia do filtro de óleo e primária

postado em 6 de abr de 2016 02:20 por Road Garage   [ 6 de abr de 2016 02:25 atualizado‎(s)‎ ]

Depois de sucessivas trocas de óleo para carrear a água, tirei definitivamente o filtro de óleo e troquei pela primeira vez por um filtro paralelo. Provisóriamente, pois o objetivo é rodar pouco com ele (menos de 500km) e já retornar o filtro original HD, que tem filtragem garantida de 5microns, enquantos os outros começam em 10microns.

Procedimento para retirar filtro de óleo: Softail: Troca do filtro de óleo

Vamos a biópsia, makita nele:


Já fiquei feliz pela cor do óleo que "sangrou". Tirei o "escalpo" com a esmerilhadeira e tive acesso ao elemento filtrante:


Aparentemente sem algo filtrado que possa ter danificado o motor, como limalha, pedra ou areia de menor granularidade. Acessando as outras camadas:


Uma de papel, outra de nilon e uma grade de metal, as camadas se mostravam íntegras, e boas, considerando a condição que o óleo se submeteu. E serviu para ratificar a ótima opção de filtro de óleo que venho usando na moto, o original HD premium 5microns.

Vez de abrir a primária, pela derby cover percebi que o nível de óleo estava normal, assim como a coloração negra, indicando troca pela km, e não por contaminação pela água:


Procedimento para troca do óleo da primária: Softail: Troca do óleo da primária e ajustes da Embreagem

Pelo visto a primária e totalmente vedada, e não tivemos contaminação nessa câmara.

Vamos drenar a transmissão...


Água no motor e elétrica

postado em 27 de mar de 2016 19:27 por Road Garage

O dia seguinte a inundação é de trabalho:

(Resgatando a moto após a enchente - água no motor da moto)

Obrigado ao brother do JR Reboque que saiu da Zona Oeste para resgatar Ruanita no centro. Reboque muito bem bolado!

O principal após o alagamento, é não tentar ligar a moto. Como o motor ficou submerso, provavelmente entrou água por alguma das válvulas. A probabilidade do motor ter parado com as 4 válvulas fechadas e bem pequena e é muito provável que alguma das duas câmaras de combustão esteja cheia de água e ocorrer um calço hidráulico ao tentar acionar o motor!

Moto prestes a ser rebocada. Marca da água:

(Resgatando a moto após a enchente - o que fazer com motor alagado)

A primeira providência é tirar as velas. Com uma chave 11/16 ( ou 5/8) retiramos a vela dianteira seca, e a traseira, molhada:

(Retirando as velas para evitar o calço hidraulico - Liganto a moto após a enchente)

Sem o filtro de ar, e com a moto suspensa, pode-se engatar uma marcha alta e girar a roda traseira, com isso girando o motor e expulsando a água pelo orifício da vela. A segunda opção, desconectar a mangueira de combustível e dar start no motor. Entretanto, para ser feito dessa forma, devemos garantir que a parte elétrica esta ok.

Tiramos a bateria, limpeza nos bornes e carga lenta. Limpeza da caixa de fuzíveis e relés e desconectando os principais plugs para verificar a situação. Os conectores da Harley Davidson são excelentes quanto a vedação, a maioria com 3 camadas de borracha, impedindo a água de acessar a fiação. O restante do trabalho de secagem dos fios foi feito com um secador de cabelo, e a limpeza com bastante WD. Apesar de ter removido o aquário-lanterna para secagem, a humidade acabou por queimar a lâmpada do freio:

(Revisão, secagem e lubrificação da parte elétrica)

É pra secar mesmo! Trabalho de paciência...

Depois de garantir a parte elétrica, voltemos ao start:

(Expulsando a água do motor da moto Harley Davidson FXST Softail)

Além de cuspir bastante água pelo orifício da vela (recomenda-se manter distância, pois o jato d'água sai sob pressão), saiu também pelo escapamento traseiro, confirmando o alagamento do cilindro.

Depois de expulsar toda a água do cilindro, hora de drenar completamente todo o óleo contaminado do motor:

(Drenando óleo contaminado por água - Trocas sucessivas ajudam a carrear a água)

Além de drenar o tanque de óleo, pela primeira vez tirei também o parafuso do carter:

(Retirando o parafuso do carter da Harley Davidson Softail FXST - Não confundir com o parafuso do dreno do tanque de óleo)

Óleo bastante leitoso, mas não tem jeito, somente as sucessivas trocas de óleo ajudarão a carrear a água e eliminá-la por completo. O filtro de óleo também deve ser removido entre as trocas de óleo e trocado para melhor eficácia.

Troquei de óleo 4 vezes, apenas dando start no motor por menos de 1 minuto.

O quinto óleo estava em condições de rodar, apenas 30 km e foi drenado utilizando um solvente hidrocarboneto alifático:

(Fazendo a limpeza do motor com Flush após alagamento)

O solvente não ajuda a carrear a água, mas sim limpar qualquer borra ou sujeira que tenha ficado no motor. Quinto óleo do flush drenado e filtro de óleo trocado:

(Drenando óleo do Flush do motor)

Obviamente não utilizei o óleo Motul que uso regularmente, mas sim óleo de motores a diesel recomendado no manual da Harley. Saiu bem em conta a litragem, para poder trocar mais vezes.

Já está bem melhor! Vamos fazer mais trocas e renovar o Militec!

Enquanto isso, vamos fazer uma biópsia do filtro de óleo...

Naufrágio da Ruanita

postado em 16 de mar de 2016 06:21 por Road Garage   [ 16 de mar de 2016 06:22 atualizado‎(s)‎ ]

Na primeira viagem de moto relatada aqui no blog (Viagem Ur/Ar) passei pelo vilarejo de Cabo Polonio, no Uruguai:


Na época estava procurando um nome para minha Sportster, e quando bati o olho no batismo desse barco, pensei que tinha achado. Entretanto a viagem, meu estilo de pilotagem e a moto se revelaram incompatíveis, assim, decidi me desfazer da Sportster e guardar o nome para a escolhida. HD FXST 2008, a Ruanita, com a qual terminei de conhecer alguns outros países próximos e percorrer algumas das melhores estradas da América do Sul.

Agora, exatamente 1Mes5Dias para a jornada mais longa, intitulada Moto Expedição Alasca, Ruanita "naufragou".

Estava parada na Praça da Bandeira, próximo a Rua Ceará, berço do motociclismo carioca. Uma chuva fortíssima caiu, e em minutos, o asfalto virou mar:


Diferente do barco La Juanita, a Ruanita não pode flutuar. Quando a água baixou, fui ao seu encontro. A marca na parede revela que o nível da água cobriu seu motor:


Dentre os males, o menor. Não cobriu o tanque, e como paro a moto com pneu traseiro colado no meio-fio, a água não conseguiu tombá-la. Teria apenas que me virar com a água... Motor? Transmissão? Elétrica? Primária? Fluidos? Rolamentos?... Seria caso de PT? Talvez a maioria ache que sim, a admito que cheguei a pensar na hipótese.

Sem poder ligá-la, deixei a moto lá e fui pensar no assunto.

Dia seguinte pela manhã chamei o reboque, e enquanto esperava, fui a rua Ceará. Helmut estava incansavelmente "kickando" sua Velhinha, uma Flathead que a água encobriu o tanque.

E isso é o que um verdadeiro rider faria, não abandonaria seu cavalo. Um verdadeiro biker não abandona sua moto:

(Rua Ceará inundada em 1950 e em 2016 - Riders e Bikers)

Talvez alguns não estejam entendendo a relação entre cavalos e motos. Talvez alguns não entendam porque decidi salvar a Ruanita.

Se eu tiver que explicar, você não entenderia:


Ruanita no estaleiro.

Feliz dia das mulheres

postado em 8 de mar de 2016 07:04 por Road Garage

Felicidades para aquelas que apoiam nossos sonhos, nos motivam, compartilham nossas paixões e rodam junto conosco:


Só quem roda junto sabe a parceria e cumplicidade que se desenvolve.

Se vocês ainda não rodam, dê esse presente a ela, que também ama andar de moto, mas ainda não sabe. Mostre a ela!

E quem sabe um dia, ela não deixe de ser sua garupa e comece a pilotar sua própria moto ao seu lado?

Feliz dia das mulheres!

Ride to Work, Work to Ride or die.

postado em 15 de fev de 2016 14:12 por Road Garage   [ 16 de fev de 2016 02:40 atualizado‎(s)‎ ]

Como os amigos puderam perceber, final do ano passado e começo desse ano, estive sumido, sem tempo para fazer postagens aqui no blog e responder os emails.

Desde que cogitei a hipótese da Moto Expedição Alasca, divido o tempo entre acertar a documentação (vistos, passaporte, seguros, etc... ), acertar a moto e a bagagem, estudar o roteiro, etc...  E claro, tenho trabalhado bastante, tentando fazer dinheiro e horas extras para que a viagem aconteça. 

Numa dessas, precisei receber um pagamento dentro da favela do Jacarezinho, uma das maiores e mais perigosas. Agora com a implantação da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), e com a promessa de mais segurança na área, topei o desafio de entrar na favela de moto, já que a Dilminha guerrilheira (Sportster), vermelha comunista, não se deixaria abater.

Mesmo avistando alguns policiais, a poucos metros da UPP, o lugar não deixou de ser perigoso. Maloquei a grana rapidamente, e sai com a moto sob olhares atentos. Cheguei na garagem, hora de contar o dinheiro, a surpresa:


Na mesma semana, intenso tiroteio entre polícia e bandidos, resultando em dois policiais mortos. De lá pra cá, pipocaram noticias nos jornais sobre trocas de tiro na favela, e concomitante aumento de violência nos bairros vizinhos. Assaltos, assassinatos e sequestros.

Só posso achar que "deu ruim" na "marcação" das notas.

Agradecendo a Deus todos os dias por estar vivo, um dia indo trabalhar com a Ruanita (FXST), precisei abastecer. Dessa vez não me surpreendi com a quantidade de gasolina que entrou no tanque:


Como vcs já sabem meus amigos, o tanque da Softail tem capacidade volumétrica máxima de 18,9 litros. Já tive pane seca no Acre e no Uruguai, e as duas vezes com tanque seco, entraram 19,15L, erro que considero aceitável. Mas aqui é diferente, o golpe é, mais uma vez (Problemas com a lei: Bomba baixa), a bomba baixa.

O curioso, vale ressaltar, que dessa vez ao alertar o frentista que a bomba estava alterada, ele disse: "É verdade, ela está com problema... Olha!" E a bomba mesmo em descanso, incrementava de 50 em 50 centavos a cada 10 segundos, mais ou menos.

Mais curioso ainda, é o selo do INMETRO do ano de 2016 colado na bomba! Ou seja, esse ano ela já foi "aferida" (???)

Então, quando os amigos comentam sobre a Moto Expedição Alasca:

"Você não tem medo da polícia do México?"
"E a violência na Guatemala?"
"Fica esperto, vão te passar a perna em El Salvador..."
"Cara, cuidado com as FARCs (rs), Colombia é sinistro"
"A gasolina nos EUA é muito cara!"
"Se liga, o mundo tá muito perigoso"

Eu respondo:

Nós Brasileiros ganhamos de todos eles, talvez seja mais tranquilo ir até o Alasca que até a esquina.

(Esse fds um homem foi assassinado com um tiro no rosto, na esquina da minha rua, porque demorou a entregar a chave do carro numa tentativa de assalto. RIP...)

Se as coisas estão ruins, eu vou andar de moto, ainda tem lugares por ai que valem o rolé:

(Praia da Reserva - Rio de Janeiro - Brasil)


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