Entre os dias 21 e 23 de junho de 2021, foi realizado o monitoramento da área do Projeto Piloto de Mitigação da Erosão Costeira no Balneário Araçá, de execução da Prefeitura Municipal de Ilha Comprida.
O projeto é fruto de uma parceria entre a Prefeitura (PMIC), Fundação Florestal (FF) e Instituto Geológico (IG) e se trata de uma medida experimental e emergencial que visa minimizar os riscos e danos ambientais e sociais provocados pela erosão e pelo avanço do mar na costa.
Para isso, estão sendo implantados bags (sacos) em trechos sequenciais ao longo de 1.300 metros de extensão, com cerca de 2,5 m³ de volume cada, preenchidos com areia de granulometria (tamanho do grão) média e vinda de fonte externa à praia, garantindo assim a permeabilidade da estrutura. Essa permeabilidade é importante para que a estrutura possa absorver os impactos provocado pelas ondas e amorteça a dinâmica de agressão das sobre as dunas, já que o uso de barreiras rígidas, à exemplo dos escombros deixados na Ponta Norte, acentuam ainda mais a erosão nos trechos subsequentes e não é aconselhado como medida eficaz para controle e mitigação da erosão costeira.
O objetivo da implantação dos bags, portanto é possibilitar que haja uma recuperação do sistema praia-duna e assim minimizar a erosão costeira que ocorre historicamente na região norte de Ilha Comprida agravada pela elevada intervenção humana que ali ocorre ao longo dos anos, somada com as causas naturais.
Os órgãos envolvidos acompanharão o comportamento da estrutura por meio de monitoramentos mensais da linha de costa pelo período de um ano na área de instalação da obra, tanto por meio de levantamentos topográficos como por medições dos perfis de praia, usando pontos de controle específicos, afim de entender toda a dinâmica e mudanças resultantes do projeto.
O primeiro monitoramento teve início no dia 21 de junho, estando presentes os representantes da PMIC, FF e IG, que se encontraram no local de implantação do projeto para que a Dra. Célia Regina de Gouveia Souza – pesquisadora do IG pertencente à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo – que trabalha há anos com a temática, capacitasse as equipes quanto aos métodos necessários para a execução do monitoramento, indicando os dados que devem ser coletados para manter o controle e entendimento do avanço do projeto, bem como aferir a efetividade do mesmo.
Após essa capacitação, os perfis de praia que servirão como controle foram definidos e os dados foram coletados de maneira conjunta pelas equipes durante os dias 22 e 23 de junho, além da realização do levantamento topográfico, realizado por equipe contratada pela PMIC.
Todo o projeto foi baseado na expertise dos técnicos envolvidos e em estudos acadêmicos e passará avaliação constante, já que é um modelo piloto e experimental, podendo ser ajustado conforme necessidade e/ou servir como base para outros projetos de contenção, servindo também como área de estudo e controle.
No dia 15 de junho a equipe da Área de Proteção Ambiental Marinha (APAM) do Litoral Sul, juntamente com as APAMs do Litoral Norte e Centro, participaram da Semana de Diálogos Interdisciplinares - PPGI Ecologia - ESALQ/USP em que foi apresentada e discutida a relação das ações de gestão das APAMs com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – os ODS.
A definição dos ODS se deu em setembro de 2015 quando a “Agenda 2030” foi aprovada em uma assembleia da ONU”, na qual os Estados participantes se comprometeram a adotar uma série de medidas que promovam o desenvolvimento sustentável até o ano de 2030. A agenda consiste em um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, na qual estão indicados 17 ODS que totalizam 169 metas.
As APAM do Litoral de São Paulo vêm estudando os ODS e suas respetivas metas e buscando correlacioná-los com as atividades desenvolvidas no cotidiano da gestão das Unidades de Conservação. Para isso, foram analisados os relatórios anuais de gestão, bem como com os Programas de Gestão que constam nos Planos de Manejo. Esta análise ainda está em fase inicial e a intenção é aprofundá-la gradualmente para que os ODS passem a ser internalizado em nosso dia-a-dia e ações de rotina.
A partir dessa análise inicial, foi possível verificar que as ações de gestão da APAMLS se relacionam de forma direta ou indireta com pelo menos uma meta de 12 dos 17 ODS, de modo que as ações atualmente desenvolvidas já contemplam 24 das 169 metas.
Os ODS se relacionam de forma diversa com as ações da gestão da APAMLS, destacando-se os processos participativos que envolvem as comunidades, moradores e outros atores locais tais como as reuniões promovidas com Conselho Gestor, Câmaras Temáticas e Grupos de Trabalho, onde diversos atores do território tem voz e participam ativamente da tomada de decisões; a promoção de atividades de educação ambiental e comunicação social; ações de fiscalização e monitoramento ambiental; promoção de cursos de capacitação; execução de condicionantes exigidas através das atividades de licenciamento ambiental; valorização e fortalecimento dos costumes tradicionais e cultura local, como a pesca artesanal asseguradas pelo engajamento com as ações da UC; realização de mutirões de limpeza de praia; desenvolvimento de campanhas de sensibilização com diferentes públicos; entre outras.
Outras metas ainda necessitam de discussões e análises mais aprofundadas, tendo em vista de que as interpretações sobre a relação entre elas as ações da UC possuem certa subjetividade e ainda não existe uma metodologia única e considerada ideal para esse tipo de análise. Assim, esse exercício vem sendo desenvolvido, aperfeiçoado e está evoluindo ao longo do processo de gestão, mas já se mostra como uma oportunidade importante para possibilitar que da gestão da APAMLS identifique suas ações com base em uma abordagem em uma escala macro, confirmando a importância das nossas ações quando vistas sob uma perspectiva mundial da conservação.
A gravação da Mesa Redonda está disponível no Canal do YouTube “Semana de Diálogos Interdisciplinares - SALA A”, para assisti-lá é só clicar no vídeo abaixo:
Em nota divulgada pela revista "Brazilian Jounal of Aquatic Science and Tecnology”, foi relatado o primeiro avistamento de Baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) na Área de Proteção Marinha do Litoral Sul (APAMLS), no Estado de São Paulo. A observação de dois exemplares da espécie, ocorreu no dia 07 de dezembro de 2016, nas imediações da Ilha do Cardoso, na região costeira do município de Cananeia, durante uma expedição embarcada realizada pela equipe da APAMLS e parceiros, que tinha o objetivo de monitorar as condições ambientais do território desta Unidade de Conservação.
As Baleias-de-Bryde vivem em águas oceânicas quentes e têm como a principal característica, a presença de três quilhas no topo da cabeça. Elas possuem corpo esbelto e hidrodinâmico, apresentando coloração cinza-escura ou preta no dorso, tornando-se cinza-clara ou branca no ventre, chegando a medir de 12 a 15 metros de comprimento quando adultas. Essas baleias costumam viajar sozinhas ou em pares, porém podem reunir-se a grupos com até 20 baleias nas zonas de alimentação.
Os indivíduos avistados durante o monitoramento ambiental realizado pela equipe da APAMLS apresentavam comportamento de deslocamento, tendo sido identificados por meio do borrifo alto, que pode atingir até 4 metros de altura para esta espécie. As baleias foram observadas por alguns minutos, havendo pouca exposição do corpo à superfície da água enquanto nadavam.
A espécie se distribui ao longo de toda costa brasileira, desde o Maranhão até o Rio Grande do Sul, mas são avistadas principalmente nas regiões sudeste e sul durante o verão e o outono. Apesar de haver registros esporádicos na costa do Estado de São Paulo, a maior parte deles corresponde a eventos de encalhes em praia, sendo que ainda se conhece muito pouco sobre as populações dessa espécie em nosso litoral. Assim, de acordo como os autores da nota, apesar de pontual, o registro realizado é muito importante, pois se trata de uma informação inédita para o território, devendo ser considerado nas tomadas de decisões e elaboração de regramentos futuros para a conservação.
Segundo a nota, as principais ameaças para a espécie na região da APAMLS são captura acidental por artefatos de pesca, a diminuição dos recursos alimentares devido à sobrepesca e a poluição sonora produzida por embarcações. Porém, como o litoral sul de São Paulo ainda é bastante preservado e possui baixa incidência de atividades antrópicas de larga escala, tais como portos e grandes indústrias, as demais ameaças relacionadas a esses animais como o risco de colisão com grandes embarcações, a contaminação por poluentes químicos e o turismo desordenado, entre outros, não são tão presentes no território, o que pode favorecer a presença desses animais.
A APAMLS, protege cerca de 368 mil hectares do mar territorial paulista, incluindo a região costeira de Cananeia, Ilha Comprida e Iguape, tendo o objetivo de proteger, ordenar, garantir e disciplinar o uso racional dos recursos ambientais, visando promover o desenvolvimento sustentável da região. Deste modo, este registro de ocorrência da Baleia-de-Bryde, reforça a importância desta Unidade de Conservação para proteção do ecossistema e da vida marinha.
Para ler a nota na integra, acesse: Revista Brazilian Jounal of Aquatic Science and Tecnology
O Conselho gestor da APA Marinha do Litoral Sul e ARIE do Guará, comemora neste mês de outubro, 10 anos de muito trabalho.
Apesar da pouca idade, o Conselho já conta com um total de 75 reuniões, além de 103 reuniões das Câmaras Temáticas de Pesca, Planejamento e Gestão e ARIE do Guará. Algum dos principais resultados obtidos ao longo desses anos, incluíram: Proibição da pesca de Parelhas; diagnóstico da Pesca Amadora; proposta de ajuste na norma federal do emalhe motorizado na 1ª milha náutica; elaboração do Plano de Recuperação do Bagre; proposta de alterações na norma da pesca da Tainha; articulação para a realização dos Cursos da Marinha para POP; análises e elaboração de manifestações técnicas em processos de licenciamento; proposta de ordenamento dos usos na Ilha do Bom Abrigo; elaboração do Plano de Manejo da APAMLS; vistorias e monitoramentos para avaliar as condições ambientais; entre outras ações.
Para comemorar os ganhos, estão sendo realizadas ao longo deste mês, atividades e vivências que buscam aproximar os conselheiros dos usos e trabalhos desenvolvidos no território da APAMLS. O Conselho teve a oportunidade de conhecer os resultados de 10 anos de Gestão Compartilhada, as experiências da Comunidade da Enseada da Baleia na valorização dos saberes tradicionais para geração de renda, a vivência dos pescadores sobre as artes de pesca realizadas na APAMLS, o Centro de Reabilitação da Fauna Marinha do IPeC e o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP). Para encerrar as comemorações, será realizada uma visita técnica à Área de Manejo Especial da Ilha do Bom Abrigo.
O conselheiro da APAMLS e ARIEG, Levi P. Machado, concedeu uma entrevista com o tema "O futuro do alimento, insetos, carne vegetal e algas?" para o Programa Cidades & Soluções, exibido no dia 18 de março 03 de 2018.
O Especialista discute sobre a realidade e o futuro, demanda e mercado e todo potencial a ser desenvolvido.
"As macroalgas marinhas são um recurso pesqueiro dotado de elevados valores tanto nutricional quanto de mercado. O Brasil mesmo com 8.000 Km de litoral ainda importa esses produtos, mesmo possuindo espécies nativas e potencial de produção. Estamos falando de um mercado bilionário no qual a produção consiste de tecnologias limpas e sustentáveis que melhoram a qualidade ambiental. Esse é um dos ramos de atuação da Engenharia de Pesca que desenvolvemos na UNESP de Registro e no litoral sul de São Paulo."
Para conhecer um pouco mais desse mundo de sabores e oportunidades, acesse: Globo News