Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 14 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante o Rock in Rio 2024. A ação envolveu auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho do Rio de Janeiro e procuradores do Ministério Público do Trabalho da 1ª Região. Os trabalhadores foram contratados por uma empresa terceirizada responsável por atividades operacionais para a organizadora do evento.
Eles atuavam principalmente na montagem de estruturas, carregando materiais como grades, painéis de LED, barricadas e bebidas, além de executarem serviços de limpeza durante o festival. Contratados sob a promessa de receber entre R$ 90 e R$ 150 por diária, muitos não receberam o valor integral e precisaram trabalhar por jornadas exaustivas, chegando a atuar por até 21 horas seguidas, com apenas três horas de descanso.
A operação foi desencadeada após indícios de que esses trabalhadores estavam dormindo no próprio local de trabalho, dentro da Arena de Tênis do Parque Olímpico. Durante a fiscalização, 14 deles foram encontrados dormindo sobre papelões, sacos plásticos e lonas, evidenciando um planejamento para que permanecessem ali durante a noite. Algumas trabalhadoras relataram que, por falta de chuveiros, improvisavam banhos de canequinha no banheiro do escritório, removendo a maçaneta da porta para garantir privacidade.
Os trabalhadores permaneciam no local após o fim das escalas para iniciar novas jornadas com intervalos mínimos entre os turnos. A fiscalização constatou também que os banheiros apresentavam condições precárias de higiene, com roupas espalhadas, urina no chão e falta de manutenção. Segundo os auditores, o estado de exaustão dos trabalhadores era visível, sendo difícil até acordá-los para as entrevistas.