João (nome fictício), de 53 anos, relata ter trabalhado por décadas em condições análogas à escravidão em fazendas da região de Vila Rica (MT), próxima à divisa com o Pará. Desde o final dos anos 1980, ele viveu em situações degradantes, dormindo em barracas de lona no mato, usando redes improvisadas e bebendo água suja.João atuava como “badeco”, responsável por serviços gerais e pela alimentação dos trabalhadores. Ele trabalhava em derrubadas de mata para criação de pasto, muitas vezes sem autorização legal, o que caracteriza também crime ambiental. Seu relato evidencia a precariedade e exploração persistente no meio rural brasileiro, com violações graves dos direitos trabalhistas e humanos.