Uma trabalhadora doméstica foi resgatada de uma situação análoga à escravidão em Além Paraíba, Minas Gerais. A operação foi realizada pela equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com apoio da Gerência Regional do Trabalho de Juiz de Fora, de auditores de Conselheiro Lafaiete, além da colaboração do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
A mulher trabalhava como empregada doméstica desde 1996 em uma residência no centro da cidade, sem receber salários, férias ou 13º salário. Embora sua carteira tenha sido assinada em 2009, ela foi falsamente dispensada em 2015, pouco antes da ampliação dos direitos da categoria com a Lei das Domésticas. Mesmo com a carteira assinada, ela não recebeu remuneração e teve apenas cerca de três anos de contribuição ao INSS. Após 2015, permaneceu sem qualquer registro formal ou recolhimento previdenciário.
A fiscalização também verificou que a trabalhadora não tinha um quarto próprio e, nos últimos meses, acumulava as tarefas domésticas com os cuidados noturnos de um dos patrões enfermos, sendo forçada a dormir no mesmo quarto que ele. Em maio, foi registrada como cuidadora de idosos, mas sem receber os direitos correspondentes. Seus únicos pertences, após quase três décadas de trabalho, eram algumas roupas simples, itens de higiene, um cobertor e um espelho.