Sabemos que os ultraprocessados estão cada vez mais presentes nas prateleiras e nos pratos da população. Em geral, são produtos mais baratos e acessíveis do que alimentos frescos. Que mecanismos econômicos e políticos favorecem a hegemonia da indústria dos ultraprocessados? É possível fazer o enfrentamento? Como?
Sem dúvida, os ultraprocessados estão cada vez mais presentes e, de fato, historicamente, nos últimos anos, os preços vêm mudando de forma a torná-los mais acessíveis e baratos do que os alimentos frescos. Eles não só custam menos, como também estão mais disponíveis, mais facilmente acessíveis do que os alimentos in natura.
A gente tem vários mecanismos econômicos e políticos que favorecem esse cenário. Um deles, que eu gostaria de destacar, é o sistema tributário. Hoje, temos mecanismos de tributação que acabam beneficiando os ultraprocessados. Por isso, é tão importante o debate que está acontecendo no Brasil em torno da reforma tributária — principalmente no que diz respeito à criação de uma taxação diferenciada para esses produtos e, por outro lado, à isenção de tributos para alimentos in natura e minimamente processados, especialmente os que compõem a cesta básica.
Esse enfrentamento precisa acontecer, em parte, a partir da explicitação dessas distorções. Um exemplo muito evidente disso é a aberração que temos com os refrigerantes: os insumos usados na produção recebem subsídios por meio da Zona Franca de Manaus. Ou seja, independentemente de você consumir ou não refrigerante, os impostos que você paga ajudam a financiar essa indústria no Brasil.
Além da reforma tributária, há outro aspecto essencial: a forma como organizamos o abastecimento alimentar nas cidades. Recentemente foi aprovada a Política Nacional de Abastecimento Alimentar, e agora é fundamental dar consequência a ela — ou seja, fortalecer sua implementação. Essa política trata justamente desse elo da cadeia alimentar que é o abastecimento, especialmente nas grandes cidades, onde existem enormes bolsões de exclusão social e vulnerabilidade.