A arte mesopotâmica é uma expressão fascinante das civilizações antigas que floresceram nas terras entre os rios Tigre e Eufrates, conhecidas como Mesopotâmia. Esta região, amplamente considerada o berço da civilização, foi o lar de diversos povos ao longo dos milênios, cada um deixando sua marca única na história da arte.
Desde os sumérios, acádios, babilônios até os assírios, a Mesopotâmia testemunhou uma rica variedade de culturas, cada uma contribuindo para o desenvolvimento de uma arte distintamente mesopotâmica. Essas civilizações, impulsionadas por uma fertilidade natural única proporcionada pelos rios que a cercavam, deram origem a uma expressão artística profundamente enraizada em suas crenças religiosas, valores sociais e estruturas políticas.
Uma das características mais marcantes da arte mesopotâmica é a presença dominante de esculturas, especialmente aquelas representando deuses e governantes. Essas estátuas, muitas vezes encontradas em templos e locais de adoração, não apenas refletiam a beleza estética, mas também transmitiam poder e autoridade. Os governantes eram frequentemente retratados em poses de adoração, simbolizando sua conexão divina e seu papel como intermediários entre o povo e os deuses.
A escrita cuneiforme, uma das primeiras formas de escrita desenvolvidas pela humanidade, desempenhou um papel na arte Mesopotâmica. Utilizada para registrar eventos históricos, leis e orações, essa forma de escrita era frequentemente incorporada em obras de arte, como em inscrições em relevos e relevos.
Além das esculturas, a arte mesopotâmica também incluía outras formas de expressão, como cerâmica, joias e arquitetura. As cerâmicas decoradas com motivos simbólicos e os intricados trabalhos em metal refletem a habilidade artesanal e o gosto estético dos antigos mesopotâmicos.
A água, um recurso vital na região, era frequentemente representada em esculturas, simbolizando a fertilidade e a abundância proporcionadas pelos rios Tigre e Eufrates. Essas representações de água não apenas refletiam a importância prática do recurso, mas também seu significado simbólico na cosmologia
Mesopotâmica.
A arte mesopotâmica, um reflexo vívido das civilizações antigas entre os rios Tigre e Eufrates, revela um mundo intrincado de crenças religiosas, poder político e avanços culturais. No centro desse panorama está o zigurate, uma estrutura emblemática que servia como templo e centro administrativo.
Inicialmente concebido pelos Sumérios e posteriormente adotado por Acádios, Babilônios e Assírios, o zigurate era uma torre retangular que se elevava em degraus, culminando em uma cela onde uma escultura do deus regente da cidade era venerada. O zigurate não apenas representava um local de adoração, mas também era o centro da vida econômica e política da cidade.
Com sua estrutura em forma de pirâmide, o zigurate simbolizava a conexão entre a terra e o céu, facilitando a comunicação entre os deuses e os habitantes da cidade. Construído sobre uma elevação para evitar inundações dos rios Tigre e Eufrates, também servia como testemunho da engenhosidade mesopotâmica em lidar com os desafios naturais da região.
O templo, embora venerado como local de adoração, era também um centro administrativo, onde apenas os sacerdotes tinham acesso. Através dos sacerdotes, os deuses emprestavam aos camponeses animais, sementes e outros recursos agrícolas, o que gerava uma economia de oferendas e tributos que enriquecia o templo.
Um dos exemplos mais emblemáticos da arte mesopotâmica é o padrão de Ur-Nammu, uma série de esculturas que retratam uma narrativa esquemática da vida e das batalhas do povo mesopotâmico. Com suas representações simplificadas, as esculturas lembram uma história em quadrinhos, transmitindo de forma direta e impactante os feitos e conquistas desse antigo povo.
Além disso, as cores desempenhavam um papel importante na arte mesopotâmica, com o dourado simbolizando poder e divindade, enquanto o azul representava a influência celestial e a pedra lápis-lazúli era apreciada por sua cor azul profundo.
A escrita cuneiforme, considerada a primeira forma de escrita do homem, também desempenhava um papel fundamental na sociedade mesopotâmica. Utilizada inicialmente para registros contábeis e administrativos, essa forma de escrita se tornou um legado duradouro, influenciando não apenas a comunicação, mas também o desenvolvimento da matemática.
Os acádios, um segundo grupo étnico que desempenhou um papel significativo na região. Embora alguns possam considerar os acádios menos importantes, na realidade, cada povo absorveu e perpetuou as características culturais uns dos outros ao longo do tempo. Isso demonstra como a arte mesopotâmica é uma síntese das contribuições de várias civilizações.
Um marco significativo durante o período acádio foi o estabelecimento do primeiro império na Mesopotâmia. Isso representou uma mudança política fundamental, pois antes, a região era composta por cidades-Estado independentes. O rei Sargão da Acádia, notável por criar o primeiro império, é um exemplo marcante desse período. A "Estela de Naram-Sin" é uma representação visual impressionante desse momento histórico, com o rei ascendendo acima de seus súditos e sendo reconhecido até pelos deuses.
Outra contribuição importante dos acádios foi o desenvolvimento dos selos cilíndricos, cilindros esculpidos que funcionavam como assinaturas ou marcas de propriedade. Esses selos eram usados para autenticar documentos, realizar transações comerciais e até mesmo como amuletos religiosos.
A cidade da Babilônia, famosa por seus períodos de prosperidade e influência política, destaca-se especialmente durante o reinado de Hammurabi. Hammurabi é conhecido por criar o primeiro código de leis escritas da história, conhecido como o Código de Hammurabi. Este código estabeleceu padrões legais e princípios de justiça, embora algumas de suas leis possam parecer severas aos olhos modernos.
A cidade da Babilônia, murada para garantir sua defesa contra invasões, floresceu especialmente durante o reinado de Nabucodonosor II. Sob seu governo, a cidade foi reconstruída e ampliada, tornando-se uma das maravilhas arquitetônicas da antiguidade. Os leões alados, símbolos de poder e proteção, adornavam as entradas da cidade, representando a força e a influência da Babilônia.
Além disso, a figura do sol, frequentemente representada nos relevos mesopotâmicos, era venerada como um importante deus na cultura mesopotâmica, simbolizando luz, calor e poder divino.
O povo Assírio, que surgiu na região do Rio Tigre e Eufrates, sucedendo os sumérios e acádios. Os assírios são conhecidos por sua reputação como um dos povos mais cruéis da história, com práticas de tortura e dominação. Sua sociedade valorizava a guerra e o poder material sobre questões espirituais, refletindo-se em sua arte.
A escultura assíria é marcada por uma expressão austera e soberana, retratando os reis com uma aura de autoridade e arrogância. A barba é representada de forma geométrica e angular, contrastando com as formas mais suaves das esculturas anteriores.
Os assírios eram mestres na arte do relevo, usando-o para retratar batalhas, caças e conquistas. As representações de leões eram comuns, simbolizando poder e vitória. As barbas dos reis eram cuidadosamente elaboradas, adornadas com ouro e perfumes.
Além disso, os assírios construíam palácios grandiosos e decoravam suas cidades com touros alados, símbolos de proteção e poder. A arte assíria reflete a mentalidade guerreira e materialista desse povo, destacando sua força e dominação.
Uma escultura particularmente impressionante retrata uma leoa ferida, lutando apesar da dor, simbolizando a resistência e determinação do povo assírio. Através da arte, podemos compreender não apenas a história, mas também a essência e os valores de uma civilização.
A arte mesopotâmica, florescendo nas margens dos rios Tigre e Eufrates, é uma rica tapeçaria de expressão cultural que reflete as contribuições únicas de cada um dos principais povos que habitaram a região. Contribuições artísticas dos sumérios, acádios, babilônios e assírios:
Os Pioneiros da Arte Mesopotâmica Os sumérios, considerados os primeiros habitantes da Mesopotâmia, estabeleceram as bases da arte mesopotâmica. Suas principais contribuições incluem:
Esculturas em Baixo-relevo: Os sumérios eram mestres na escultura em baixo-relevo, criando obras detalhadas que retratavam cenas da vida cotidiana, adoração aos deuses e narrativas mitológicas.
Zigurates: Construíram os primeiros zigurates, imponentes templos em forma de pirâmide, que serviam como centros religiosos e administrativos. Um exemplo notável é o Zigurate de Ur, localizado na atual província de Dhi Qar, no Iraque.
Cilindros Seladores: Desenvolveram os cilindros seladores, utilizados para marcar documentos e propriedades, apresentando intrincadas gravações que refletiam a identidade e status social.
A Fusão de Estilos e Culturas Os acádios, conquistadores da Suméria, deixaram sua marca na arte mesopotâmica através de:
Inovações Escultóricas: Introduziram elementos estilísticos próprios em suas esculturas, influenciando o desenvolvimento da arte na região.
Estelas e Monumentos: Ergueram estelas e monumentos para comemorar conquistas militares e registrar leis e decretos reais.
O Apogeu da Arte e Cultura Os babilônios, herdeiros das tradições sumérias e acádias, elevaram a arte mesopotâmica a novos patamares com:
Esculturas Monumentais: Criaram esculturas monumentais em pedra, retratando reis, deuses e figuras mitológicas em poses majestosas. Um exemplo notável é a “Rainha da Noite”, uma antiga deusa da Mesopotâmia.
Código de Hamurabi: Desenvolveram o famoso Código de Hamurabi, que foi registrado em uma estela de pedra e influenciou a arte e a cultura jurídica da região.
O Esplendor da Arte Militar Os assírios, conhecidos por sua brutalidade militar, deixaram um legado artístico marcado por:
Esculturas de Guerra: Produziram esculturas que retratavam cenas de batalhas, caça e poder real, enfatizando a força e autoridade do império assírio1.
Relevos Palacianos: Decoraram os palácios com relevos impressionantes, que documentavam as conquistas militares e a pompa da corte rea1.
Arquitetura Fortificada: Construíram fortalezas e muralhas ornamentadas com relevos e inscrições, demonstrando o poder e a grandiosidade do impéri.
A moda na antiga Mesopotâmia era bastante elaborada e colorida, com roupas feitas de lã, linho e couro. Os homens usavam saias longas e camisas com mangas curtas, enquanto as mulheres usavam vestidos longos com mangas largas e véus para cobrir o cabelo. Os tecidos eram tingidos com corantes naturais, como açafrão, índigo e romã.
A literatura mesopotâmica se destacou com a criação de poemas e narrativas épicas, como a “Epopeia de Gilgamesh”, inspiradora da descrição do dilúvio em Acádio. A literatura mesopotâmica antiga desenvolveu-se por volta de 2.600 a.C., depois que os escribas, que anteriormente eram mantenedores de registros, começaram a compor obras originais na região da Suméria. Acredita-se que a literatura da antiga Mesopotâmia tenha influenciado as obras de outras civilizações, incluindo as do Egito, do Levante, da Grécia e de Roma.
Uso de Barro e Tijolos: O barro formado às margens dos rios Tigre e Eufrates era a principal matéria-prima da arquitetura mesopotâmica. As construções eram feitas de tijolos de barro secos ao sol ou cozidos em forno.
Paredes Grossas: As paredes das construções eram grossas, o que era necessário devido ao uso de tijolos de barro. Isso também proporcionava isolamento térmico.
Grandiosidade das Formas: As construções arquitetônicas foram marcadas pela grandiosidade nas quais incluíam arcos, pinturas murais, esculturas e decorações em baixo relevo, sobretudo nos templos e palácios.
Zigurates: Os Zigurates, templos em forma de pirâmide, são uma das características mais distintivas da arquitetura mesopotâmica. Eles eram considerados edifícios religiosos e serviam como centros cerimoniais e administrativos das cidades mesopotâmicas.
Decoração e Baixo-relevo: As paredes dos palácios e templos eram frequentemente decoradas com esculturas em baixo-relevo, que retratavam cenas de batalhas, rituais religiosos e a vida cotidiana.
Uso de Materiais Diversos: Além do barro e dos tijolos, os mesopotâmicos também utilizavam pedra (como diorito, basalto, alabastro e granito), madeira (principalmente de palmeira e salgueiro), e até mesmo betume para impermeabilização e aderência.
A arte mesopotâmica refletia as crenças religiosas, valores sociais e preocupações do cotidiano. Cenas de adoração aos deuses, homenagens aos governantes e representações da vida urbana e rural eram temas frequentes nas obras de arte.
Os principais materiais utilizados para a produção da arte mesopotâmica eram a argila, o adobe, a terracota, a cerâmica, o cobre, o bronze, o basalto, o ouro, a prata, o estanho, o alabastro, o junco, o marfim e ainda, diversas pedras preciosas.
Grandes murais, artigos utilitários e de adorno foram desenvolvidos pelos mesopotâmicos. Muitas pinturas eram produzidas para adornarem os templos e palácios como os murais. Utilizavam diversas cores (com maior incidência do preto, branco, vermelho e amarelo) e mosaicos para retratar sobretudo, cenas cotidiano, de guerra, rituais, cerimônias, deuses e também a história desses povos.
Muitas esculturas tinham o objetivo de ornar os grandes espaços arquitetônicos, tal qual as pinturas, e seguiam padrões naturalistas e/ou realistas. Tinham como principal característica a ausência de movimento, constituindo assim, esculturas rijas e estáticas. Ainda que algumas esculturas foram produzidas em pedra, a maioria delas eram feitas em argila, as quais retratavam seres humanos, mitológicos, animais e deuses de maneira frontal, seja em pé ou sentados.
Os antigos mesopotâmicos usavam ferramentas para uma variedade de propósitos. Plantações, construções, esculturas e até mesmo a escrita exigia diferentes instrumentos. Os mesopotâmicos aprenderam como usar ferramentas feitas de uma variedade de materiais com o objetivo de completar suas tarefas. As ferramentas mais comuns incluíam pedras, ossos e metais.
Ferramentas de Pedra: Na antiga Mesopotâmia, pessoas usavam pedras para vários propósitos. Escultores usavam uma variedade de ferramentas feitas de pedra para desbastar as esculturas. Operários usavam pedras como brocas para os projetos.
Ferramentas de Ossos: Ossos eram comuns na antiga Mesopotâmia. Ossos de animais eram frequentemente usados para várias ferramentas. Os mais largos como os de ovelhas e cabras eram usados como furadores para trabalhos em couro.
Ferramentas de Metal: Muitas ferramentas de metal eram usadas na antiga Mesopotâmia. Em alguns assentamentos, arqueólogos encontraram machados de cobre, formões, furadores e lâminas de faca.