A história de Lisboa é muito longa e marcada por sucessivas ocupações, destruições e reinvenções. A cidade nasceu junto ao estuário do Tejo, numa posição estratégica para o comércio e para a defesa, o que sempre a tornou um local de grande importância. Acredita‑se que os primeiros povos a deixar marcas importantes foram os fenícios, que terão fundado um pequeno porto com o nome de Alis Ubbo (“porto seguro”), usado como escala em rotas de comércio marítimo mediterrânico, há cerca de 2800 anos.
Com o tempo, outros povos passaram por ali, como os gregos e os cartagineses. Depois vêm os romanos, que firmam definitivamente a presença de uma cidade organizada. Os romanos chamam‑lhe Olisipo ou Olissipo e fazem dela um importante centro administrativo e comercial, ligado às rotas marítimas da sua vasta rede imperial. Vivem nela comerciantes, artesãos e agricultores, que aproveitam o solo fértil e a posição no mar. Quando o Império Romano enfraquece, Lisboa é invadida e governada por vários povos germânicos, até chegar a época muçulmana, por volta do século VIII.
Durante o domínio muçulmano, Lisboa chama‑se Al‑Ushbuna e é um centro de relevo, com castelo, muralhas e bairro urbano, ligado à vasta rede de cidades islâmicas da Península Ibérica. Cresce em população e em riqueza, com comércio, artesanato e uma estrutura urbana mais desenvolvida. A partir do século XII, com a Expansão Cristã da Península, a cidade passa a ser alvo de sucessivas tentativas de conquista pelos reis cristãos. Em 1147, com o apoio de cruzados que se dirigiam para a Terra Santa, Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, consegue finalmente a conquista definitiva de Lisboa, integrando a cidade no reino português.
Nos séculos seguintes, Lisboa afirma‑se como uma das principais cidades do reino. É declarada capital por Afonso III, em 1256, substituindo Coimbra, devido à sua posição estratégica no Tejo e à sua importância económica. Crescem o comércio, a navegação e o peso político da cidade, que se torna centro de instituições, conventos e edifícios religiosos. O período dos Descobrimentos, a partir do século XV, transforma Lisboa numa das mais importantes capitais do mundo marítimo: é aqui que se organizam as viagens para África, Índia, Brasil e outras paragens, enchendo‑se a cidade de riqueza, escravos, mercadorias e diversidade cultural.
No século XVI, Lisboa vive o auge do seu poder marítimo e comercial, mas, a partir de 1580, o país entra na União Ibérica, ficando sob o domínio da Coroa de Espanha até 1640, altura em que Portugal volta a ter rei próprio. No século XVIII, a cidade sofre uma das maiores catástrofes da sua história: o terramoto de 1755, que é seguido por um tsunami e por violentos incêndios, destruindo grande parte da Baixa e destruindo a velha Ribeira Palaciana. O Marquês de Pombal responde com um grande plano de reconstrução urbanística, dando origem à Baixa Pombalina, com ruas regulares, edifícios de resistência reforçada e um desenho de cidade moderna para a altura.
Nos séculos XIX e XX, Lisboa continua a crescer, com o industrialismo, a chegada do caminho‑de‑ferro, a expansão da cidade além das antigas muralhas e o aparecimento de novos bairros, como a zona oriental. Vive a implantação da República em 1910, a ditadura do Estado Novo, o fim da Guerra Colonial e, por fim, a democratização a partir de 1974. Hoje, Lisboa é uma cidade europeia, moderna, turística, mas ainda carregada de marcas da sua longa história, com castelos, igrejas, azulejos, bairros antigos e praças que contam, em cada esquina, pedaços do passado.