A história de Faro é muito antiga e marcada por várias civilizações, porque a cidade está num sítio estratégico, onde o mar, a ria e a terra se juntam. O que hoje é Faro começou, acredita‑se, a partir do século VIII a.C., quando os fenícios passaram por ali e criaram um povoado chamado Ossónoba, que servia como entreposto de comércio, a trocar sal, peixe, minérios e produtos agrícolas por outras mercadorias do Mediterrâneo. Isso já mostra que a cidade sempre teve uma ligação forte ao mar e ao comércio.
Com o tempo, a cidade passou por vários povos. Entre os séculos III a.C. e VIII d.C., esteve sob domínio romano, e depois visigótico, continuando a crescer como um centro de comércio e de atividade económica. Quando os romanos chegaram, Ossónoba tornou‑se uma cidade bastante desenvolvida, com casas de banho, templos, mosaicos e infraestruturas romanas, muitas das quais se percebem ainda através de vestígios arqueológicos espalhados pela cidade e arredores.
Em 713, os mouros conquistaram a cidade, fortificaram‑na e construíram muralhas e uma fortaleza, transformando‑a num ponto de defesa e de comércio importante no sul da península. Durante este período, o povoado manteve a importância estratégica, com a ortografia do nome a derivar da palavra árabe Harun (que acabaria por dar origem a “Faro”). A presença mourisca deixou marcas na arquitetura, nas ruas antigas e na forma como a cidade se organizou ao longo dos séculos.
No século XIII, durante a Reconquista portuguesa, Faro foi conquistada pelo rei D. Afonso III, em 1249, juntando o Algarve ao Reino de Portugal. A partir daí, a cidade começou a ser reconstruída segundo o padrão cristão e português: ergueu‑se a Sé Catedral de Faro, integrando estilos românico e gótico, e a cidade passou a ter uma forte função religiosa, administrativa e militar. Ao longo dos séculos seguintes, continuou a crescer em importância, sobretudo como centro de pesca, sal e comércio ligado à Ria Formosa e ao mar.
Nos tempos modernos, a história de Faro passou a ser também marcada por acontecimentos como o grande terramoto de 1755, que causou destruição na cidade, levando a uma fase de reconstrução, com casas mais baixas, arquitetura de cores suaves e uma nova configuração urbana adaptada ao território costeiro. Mais tarde, a cidade afirmou‑se como capital do Algarve e como porta‑de‑entrada turística, com aeroporto, marina, praias e muita gente a escolher a região para viver ou visitar.
Hoje, Faro é uma cidade que junta milénios de história ao turismo, ao mar e à vida costeira. As muralhas antigas, a Cidade Velha, o Arco da Vila, a Sé, a ria, o mar e as praias fazem de Faro uma cidade especial, com passado profundo, mas muito viva, no coração do sul de Portugal.