A Parte 2 do JAA (que necessita que se tenha jogado a parte 1, mas pode ser jogada independentemente da parte 3) pode ser utilizada para desenvolver conhecimentos e competências relacionados com a conjugação dos tipos de motivação e estratégia de aprendizagem com que se contactou na Parte 1 (as abordagens à aprendizagem). Acresce a possibilidade de conhecer e desenvolver competências relativas, sobretudo, a outros dois elementos importantes da aprendizagem: a concepção de aprendizagem e a qualidade do produto de aprendizagem.
Considerando a conjugação entre motivação e estratégia de aprendizagem, normalmente, a motivação instrumental conjuga-se com a estratégia superficial. Daqui configura-se uma abordagem superficial à aprendizagem. Por sua vez, a motivação intrínseca conjuga-se com a estratégia profunda. Daqui forma-se uma abordagem profunda à aprendizagem.
Para além disso, a abordagem superficial à aprendizagem tende a conjugar-se com uma concepção de aprendizagem quantitativa (ou seja, noção da aprendizagem como o acumular de informação) e a um produto de aprendizagem de qualidade mais reduzida (ou seja, com ausência de informação ou informação não inter-relacionada). Por outro lado, a abordagem profunda à aprendizagem costuma conjugar-se com uma concepção de aprendizagem qualitativa (ou seja, noção da aprendizagem como compreensão) e com um produto de aprendizagem de qualidade mais elevada (ou seja, informação inter-relacionada e/ou relacionada com outros contextos).
O conhecimento, pelo estudante, das conjugações entre tipos de motivações e estratégias em abordagens e desta com tipos de concepções e produtos poderá favorecer a autorregulação da abordagem à aprendizagem (desenvolvida na Parte 3 do JAA), no sentido da utilização de uma abordagem profunda à aprendizagem.
Objectivos
A Parte 2 do JAA tem por objectivo desenvolver competências e conhecimentos relacionados com a conjugação entre a motivação e a estratégia de aprendizagem (em abordagens à aprendizagem). Pretende-se, também, promover competências e conhecimentos relativos à conjugação destas abordagens com a concepção e o produto de aprendizagem, face às tarefas de aprendizagem.
Quando jogado em grupo, a Parte 2 do JAA pode igualmente desenvolver a meta-aprendizagem colaborativa dessas conjugações.
Regras
A Parte 2 do JAA pode ser jogada individualmente ou entre “oponentes” (individuais ou grupais).
Antes do jogo propriamente dito, prevê-se a introdução da conjugação entre motivação e estratégia de aprendizagem (em abordagens à aprendizagem) e destas com a concepção e produto de aprendizagem, através da leitura e discussão de uma Banda-Desenhada (ver BD - Parte 2). Para uma análise mais controlada da BD (por exemplo, com grupos maiores), cada jogador/grupo de jogadores pode tentar caracterizar sinteticamente cada tipo de abordagem à aprendizagem apresentado e respectivas conjugações com a concepção de aprendizagem e o produto de aprendizagem. Para dinamizar a discussão é possível questionar sobre: o que acham da caracterização das conjugações apresentadas; o grau em que se identificam com cada uma delas; algo mais que queiram dizer.
A Parte 2 do JAA joga-se com as cartas de Motivação e Estratégia da Parte 1 do JAA (ou seja cartas 1 a 16) e com as cartas 17 a 40 (ver Cartas - Parte 2). Especificamente:
Concepção (8 cartas - 4 de Concepção Quantitativa e 4 de Concepção Qualitativa; cartas 17 a 24);
Produto (8 cartas - 4 de Produto de Qualidade Reduzida e 4 de Produto de Qualidade Elevada ; cartas 25 a 32);
Tarefa (8 cartas; cartas 33 a 40).
Existem duas opções de jogo:
-Opção 1
No início do jogo, cada “oponente” recebe um baralho, que é de seguida baralhado. O objectivo do jogo é que cada “oponente” organize as cartas do seu baralho em 8 conjuntos de 5 cartas: cada conjunto deverá conter 1 carta de Tarefa, 1 carta de Concepção, 1 carta de Motivação, 1 carta de Estratégia e 1 carta de Produto, que se combinem de acordo com as conjugações ilustradas na Banda Desenhada introduzida.
Note-se que as cartas de Tarefa são “neutras”, podendo combinar-se com qualquer agrupamento das restantes quatro cartas (no sentido em que, face a qualquer tarefa de aprendizagem, é possível utilizar qualquer das abordagens à aprendizagem).
Na primeira jogada, cada “oponente” retira as primeiras 5 cartas do seu baralho, e verifica se é possível serem agrupadas da forma pretendida. Em cada nova jogada, vai retirando a primeira carta do seu baralho individual, procurando agrupá-la numa sequência já iniciada ou começando uma nova. Deverá continuar este procedimento até conseguir formar os 8 conjuntos estabelecidos.
No final do jogo (quando todas as cartas do baralho forem organizadas pelos jogadores em agrupamentos pretendidos), verifica-se, em conjunto e com discussão, a correcção da conjugação de cada conjunto de cartas, para depois a ratificar com a Folha 2.1 e corrigir eventuais incorrecções.
A apresentação das anteriores regras deve envolver a exemplificação da sua aplicação com a constituição de um conjunto estabelecido.
A prática da Parte 2 do JAA deve ser monitorizada pelo dinamizador(a), permitindo-lhe apoiar o/a(s) jogador/a(es/as).
Após o jogo, dinamizar uma discussão reflexiva sobre a experiência ocorrida.
-Opção 2
No início do jogo, os “oponentes” recebem um só baralho, que é de seguida baralhado. O objectivo é que cada “oponente” organize as cartas que vai receber desse baralho em conjuntos de 5 cartas: cada conjunto deverá conter 1 carta de Tarefa, 1 carta de Concepção, 1 carta de Motivação, 1 carta de Estratégia e 1 carta de Produto, que se combinem de acordo com as conjugações ilustradas na Banda Desenhada introduzida.
Note-se que as cartas de Tarefa são “neutras”, podendo combinar-se com qualquer agrupamento das restantes quatro cartas (no sentido em que, face a qualquer tarefa de aprendizagem, é possível utilizar qualquer das abordagens à aprendizagem).
Na primeira jogada, cada jogador recebe aleatoriamente 5 cartas do baralho. De seguida, cada jogador analisa o seu conjunto inicial de cartas, e verifica se é possível serem agrupadas da forma pretendida. Em cada jogada, cada “oponente” pode solicitar ao(s) outro(s) 1 carta para constituir um agrupamento pretendido. Todos os jogadores devem corresponder ao pedido feito caso tenham a carta solicitada. Por exemplo, tendo um conjunto com 1 carta de Concepção Quantitativa, de Motivação Instrumental, de Estratégia Profunda, de Produto de Qualidade Reduzida (e de Tarefa de Leitura), um jogador ganhará em solicitar uma carta de Estratégia Superficial ao(s) restante(s). Caso receba cartas, o jogador tem direito a fazer novo pedido de cartas, até não receber nenhuma. No caso de o jogador não receber nenhuma carta do(s) oponente(s), deverá retirar aleatoriamente 1 nova carta do baralho e passar a sua vez. Sempre que um jogador constitua um agrupamento pretendido, deverá colocá-lo de parte. Cada jogador deve ter sempre na sua posse um mínimo de 5 cartas – em caso de necessidade, deve retirar aleatoriamente cartas do baralho até perfazer este número. O jogo termina quando todas as cartas do baralho forem organizadas pelos jogadores em agrupamentos pretendidos.
No final do jogo, verifica-se, em conjunto e com discussão, a correcção da conjugação de cada conjunto de cartas, para depois a ratificar com a Folha 2.1 e corrigir eventuais incorrecções.
A apresentação das anteriores regras deve envolver a exemplificação da sua aplicação com a constituição de um conjunto estabelecido.
A prática da Parte 2 do JAA deve ser monitorizada pelo dinamizador(a), permitindo-lhe apoiar o/a(s) jogador/a(es/as).
Após o jogo, dinamizar uma discussão reflexiva sobre a experiência ocorrida.
No final da utilização da Parte 2 do JAA, poderá ainda apresentar-se aos/às participantes (sobretudo de níveis de ensino mais avançados) que a componente estratégica de cada uma das abordagens à aprendizagem pode manifestar-se de forma mais ou menos organizada, em função de uma motivação alternativa, mais ou menos orientada para o sucesso. Ou seja, que a conjugação de uma Motivação de Realização, de procura do sucesso, com uma Estratégia Superficial ou, em alternativa, com uma Estratégia Profunda, configura uma terceira abordagem, de Organização. É possível ainda referir que esta Abordagem de Organização tende a relacionar-se com uma Concepção Institucional de aprendizagem (a identificação da aprendizagem com o reconhecimento pelas classificações) e com um produto de aprendizagem de qualidade variável (em função do que se percepciona como mais valorizado pelo contexto de aprendizagem).