Em certo momento de minha vida comecei a sofrer com crises que até pareciam problemas psíquicos-espirituais. Procurei médico, psicólogo, e não conseguia me libertar. Até me convenceram a buscar ajuda em lugar fora de minha religião. Certa vez uma pessoa amiga sugeriu à minha mãe que me levasse para frei Miguel. Fomos para uma Missa com ele. No tempo em que ele estava na sacristia, esperando para começar, fui até ele. Não disse nada. Só me ajoelhei. E ele me perguntou: “Está doente, minha filha”? Balancei a cabeça dizendo que sim. Ele pôs a mão em minha cabeça. Orou em silêncio. E fiquei curada. Este meu testemunho foi entregue com detalhes no Santuário São Judas Tadeu.
In: Padre Michelângelo Serafini, Magnifico Duono de Dio (p 93). Livro de Frei Egidio de Piccucci
Escreve que uma tia dela sofria de diabetes e estava muito preocupada com sua saúde. A coisa foi tão longe que o médico lhe deu dois meses de vida. Preocupada e assustada, ela foi à igreja dos Capuchinhos e rezou junto ao túmulo de Frei Miguel. Alguns dias depois voltou ao médico para um check-up. “O que aconteceu?” Ele perguntou a ela. “Houve um milagre aqui”. Ela está curada.
In: Padre Michelângelo Serafini, Magnifico Duono de Dio (p 94). Livro de Frei Egidio de Piccucci
A senhora Maria Cássia da Silva Brito, disse que tinha um cisto no ovário que lhe causava dores constantes na parte inferior do abdômen. A mãe a aconselhou a recomendar-se a frei Miguel; o que ela fez imediatamente, indo rezar no seu túmulo. Depois de alguns dias, enquanto estava em seu quarto, sentiu uma forte sensação de queimação na barriga; e "como se estivesse menstruada, com liberação de um líquido preto por alguns dias. Muito assustada e sem saber o que estava acontecendo, diz que temeu pelo pior. No dia seguinte estava curada.
Meu nome é Luciano, mais conhecido como Costa. Eu fui Frade capuchinho. Não cheguei a me ordenar sacerdote, mas fui frade e morei com frei Miguel. E o engraçado é que minha experiência de santidade com frei Miguel não foi no convento, foi fora do convento, pelo fato de ele sair muito e a gente não conseguia conviver muito com ele. Mas depois que eu saí do convento tive uma experiência muito forte com ele, aqui, dentro da sacristia, num dia de festa de são Judas. Eu não lembro ano.
Então, nesse dia 28 uma senhora trouxe um rapaz acamado, acamado, não, estava cadeirante, um senhor muito idoso, assim, já doente. E ele chegou com semblante muito pesado, raivoso, assim, ranzinza. Realmente uma fisionomia muito feia, de uma pessoa que estava muito infeliz, sofrendo muito. E frei Miguel também já estava na cadeira de rodas naquele momento. Frei Miguel foi trazido pela enfermeira que cuidava dele, na cadeira de rodas, ali, na sacristia. Frei Miguel entrou cheio de luz. E, gente, eu fiquei atônito. Porque quando frei Miguel entrou eu senti uma paz tão grande! Foi uma experiência espiritual tão grande, que eu passei um dia em êxtase, assim. Porque ele entrou e a esposa do cadeirante foi até ele, pediu a bênção, pediu que frei Miguel abençoasse. E eu não esqueço. Eu lembro como se fosse hoje. Frei Miguel olhou para a pessoa e disse: “ Deus te faça feliz”. E a sacristia se encheu de paz, de amor. Foi uma experiência muito grande. Para muitos pode parecer uma coisa muito simples. Mas, assim, gente, quem estava no local, na hora, percebeu: a sacristia se encheu de luz. Foi algo, assim, extraordinário, mesmo, quando frei Miguel entrou na sacristia. É puro sinal de santidade.
Tirado do livro:
Frei Miguel, o Santo de Aracaju. Frei Florêncio Pecorari, p. 88; 89; 90
Pensar em Frei Miguel é relembrar suas mãos. [...] E Frei Miguel foi instrumento de Deus por dezenas de anos para, através delas, aproximar em torno da bênção batismal. Não podemos imaginar quantas vidas passaram pelas orações, pelas bênçãos concedidas por suas mãos ou quantos foram observados pelo seu olhar. [...] Jamais esqueci do olhar, das mãos e da dedicação de Frei Miguel. [...] Ele deixa na memória dos irmãos da Igreja um exemplo a ser seguido. E deixa no coração dos fiéis a certeza que existem homens que podem ser chamados de anjos.
Ontem, dia 08 de outubro de 2021, em live da Fraternidade Monte Alverne, rezando um Terço pela Beatificação de Frei Miguel, eu, Ivo Mariano, fui testemunha de dois depoimentos que muito chamaram minha atenção. Um, o do Diácono José Augusto dos Santos. Outro, o de José Rafael Neves de Santana.
Disse o diácono José Augusto que certa vez, faz muitos anos, foi chamado por uma irmã de Fraternidade, Raimunda, para levar Frei Miguel ao Presídio de Aracaju a fim de ele celebrar a Missa. O hoje diácono lembrou que atendeu ao pedido; porém, de certo modo constrangido pelo fato de à época sua atividade profissional ser em setor da Segurança Pública; e teria de estar, naquela situação, em contato com detentos. Estando na capela da penitenciária logo chamou sua atenção o clima de respeito, de ‘veneração’, dos detentos para com a figura de Frei Miguel. Desde o observarem o caminhar dele, com a maleta contendo o kit viático, indo se paramentar à beira do modesto altar. A reverente atitude dos detentos era, disse a testemunha, mais do que as comumente vistas nas igrejas. Havia um algo mais. Dava, digo eu, uma atmosfera ‘densa’.
Já no depoimento de Rafael, chamou minha atenção ele dizer que certa vez, estando em ambiente sindical, no qual muitos são os diferentes credos, outros, até sem credo algum e, por isso, com costumeiras críticas à Igreja, alguém então falou de Frei Miguel. Um dos exaltados críticos da Igreja Católica disse: “Aquele ‘barbudinho’? Ah, aquele é muito diferente”! São relatos simples, mas que demonstram, de fato, na figura de Frei Miguel entre nós, para além da figura física, certa reverência.
Do livro, FREI MIGUEL O SANTO DE ARACAJU, de Frei Florêncio Pecorari, p. 101.
Quando Frei Miguel já tinha cem anos, todo primeiro sábado de cada mês ia celebrar no Presídio Feminino da Penitenciária do Bairro América. A senhora Raimunda, muito devota e amiga dele, levava-o com o seu carro, ele e seus ajudantes, que eram: eu, Messias, e o senhor Rubens do Apostolado da Oração. [...] Começava às 08:00h. O frei levava sua mala velhinha na mão. E ao chegar, dava trabalho para abrir. Ele levava dentro: o cálice, hóstias, vinho e água benta. Vestia a túnica branca, com cordão, estola por cima, e começava a Missa. Antes era numa mesinha antiga de TV que uma das detentas conseguia na sala da polícia. Forrava com pano branco, eu levava um pequeno crucifixo e a senhora Raimunda levava o Jornal da Missa dominical. As detentas se reuniam em roda, em pé. Uma lia a leitura do Jornal da Missa, outra o Salmo, e outra as preces.
O Frei Miguel, lia o Evangelho e fazia a homilia. Depois, na Comunhão, algumas que podiam comungar recebiam Jesus. No final, antes da gente ir embora, ele tirava do hábito o trocado de um real. Uma delas, não lembro o nome, levou uma foto para o frei ver. Eu vi a foto: ela criança, com padrinhos e o frei batizando. Ela começou a chorar e pediu que o frei perdoasse. Ele perdoou e disse: "Quem não obedece Papai e Mamãe do Céu e da terra, vem parar aqui". Eu não esqueço essas palavras de Frei Miguel. E até eu fiquei emocionado. Foi a última Missa dele ali, porque depois ele adoeceu e não teve mais condições de celebrar Missa no presídio.
Fonte: SE7 SEGUNDOS
https://www.7segundos.com.br/arapiraca/esportes/2013/01/10/404-milhares-de-fieis-acompanham-o-sepultamento-de-frei-miguel-em-se
“Sinto uma tristeza e pesar imensos pela perda, mas tenho certeza que Frei Miguel foi direto para o céu. A gente torce e reza para que esse homem santo seja beatificado. Um verdadeiro sinônimo de bondade e humanidade”, lamenta Albano Franco. O empresário, que conhecia o frade há 40 anos. E destaca a simplicidade do frade que fazia questão de visitar o povo a pé.
“Meu nome é Gilson. Eu tenho 56 anos. Nesse período, nessa comunidade, eu tive algumas experiências com relação ao frei Miguel. Uma delas diz respeito à unidade. Eu durante algum período, aqui, na comunidade tinha dificuldade de entender algumas coisas, foi quando um dia pela manhã, como ele celebrava a missa 6 horas, ele durante a leitura do evangelho parou do lado do altar. Tinha um buquê de flores muito sortido, muito bonito, por sinal, um buquê fantástico. Nesse buquê tinha uma diversidade de cores, com variedade de flores. E ele celebrava de uma forma simples, botava uma mão em cima da bancada, né, do altar, e com a outra mão ele voltada ele apontava para o buquê e dizia: "É assim, rindo, né, daquele jeito, né, é assim que a igreja, como essas flores, como esse buquê de flores, com essa diversidade de cores, de formato. Mas tudo unido, junto, formando esse buquê. Isso para mim foi um ensinamento fantástico; que até hoje me emociona muitoo, um ensinamento para a vida, né. A igreja é assim; é assim que ele quis me dizer, que estava dizendo para aquela assembleia:a igreja é assim, nessa diversidade de cores, essa diversidade de formato, de cheiro, mas unida tem um úni co nome: igreja. Quando a gente entender isso, era assim que ele dizia, quando a gente entender a igreja, assim, com essa diversidade de cores, de formato. Mas unida a gente vai resolver muitas coisas. Um ensinamento fantástico!
O SR. IRAN BARBOSA PT-SE pronuncia o seguinte discurso:
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é com muita felicidade e extrema alegria que ocupo a tribuna desta Casa para trazer-lhes a história de um religioso de fé inquebrantável, humilde e benevolente, de um ser humano, acima de tudo, de uma figura das mais notáveis. Trata-se do frei italiano Miguelângelo de Cíngole — para nós, sergipanos, Frei Miguel.
Dificilmente encontraremos em Aracaju, ou mesmo em Sergipe, alguém que não reconheça a figura do Frei, com suas vestes típicas dos franciscanos, a longa barba branca, o corpo curvado pelo peso dos anos, a peregrinar pelas ruas da Capital, visitando doentes, dando força aos carentes, assistindo os desamparados, levando fé aos fracos de espírito e esperança aos marginalizados.
Às portas de completar seu centenário de vida, no próximo dia 30 de outubro, é preciso deixar nos Anais desta Casa o registro de sua bela e inspiradora história, a fim de que ela sirva de lição para as gerações futuras. E essa é uma das razões de eu ocupar a tribuna para lembrar essa figura notável, um exemplo de ser humano. Se Frei Miguel não tivesse sofrido um derrame, certamente ainda hoje estaria fazendo suas peregrinações diárias pelas ruas de Aracaju. Mas sua força espiritual e humana é tal que, mesmo próximo de completar seus 100 anos, às 6 horas ele já está celebrando a primeira missa do dia, na Igreja São Judas Tadeu, no Bairro América, na Capital sergipana. E ainda hoje ouve as confissões de quem vai até ele.
Sua história é longa e rica. [...] A comunidade do Bairro América e a comunidade aracajuana sentem-se imensamente agradecidas pela presença viva de Frei Miguel. Veem nele muito mais do que um exemplo de humildade, caridade e solidariedade. Veem nele um grande exemplo de vida, de homem simples que jamais distingue as pessoas por sua classe social, de sabedoria ímpar, vinda da experiência, da leitura e da oração. Por isso, são muitos os seus fiéis. Estes e quem mais o procure serão sempre recebidos com um sorriso e terão à disposição a mão amiga, o conforto na hora mais dura, o perdão. São incontáveis os números de confissão, batismo, extrema-unção e casamento que ele já realizou na cidade.
Em sua paróquia, na Igreja São Judas Tadeu, funciona um centro de assistência social, comandado por ele durante muitos anos, onde acolhe aqueles que precisam, sempre com muito carinho e espírito fraterno. Acolher e ajudar o próximo, essa é a sua missão.
Para nossa satisfação, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, essa figura singular e emblemática de Frei Miguel, próxima de completar 100 anos de vida, goza ainda de boa saúde, de bom humor contagiante, de boa memória e de incrível serenidade. Como ele mesmo diz, o importante é ter saúde no coração; é saber servir e não dizer não.
FONTE: Sessão: 238.2.53.O; Hora: 14:08; Data: 14/10/2008;
Fase: PE
https://www.camara.leg.br/internet/plenario/notas/ordinari/2008/10/V141008.pdf