1. Dualismo de predicados
Monismo anômalo (D. Davidson) -- ver Fischborn (2014):
Argumento para o monismo:
P1. Interação causal: “ao menos alguns eventos mentais interagem causalmente com eventos físicos”.
P2. Caráter nomológico da causalidade: “eventos relacionados como causa e efeito caem sob leis deterministas estritas”.
P3. Anomalia do mental: “não há leis deterministas estritas com base nas quais eventos mentais possam ser previstos e explicados”.
C. Logo, todo evento mental é um evento físico [Pois: "Suponha que m, um evento mental, causou p, um evento físico [por P1]; então, sob alguma descrição m e p instanciam uma lei estrita [por P2]. Essa lei só pode ser física, de acordo com o último parágrafo [no qual P3 é defendida]. Mas se m cai sob uma lei física, ele tem uma descrição física. O que equivale a dizer que é um evento físico [monismo]. (Davidson 1970, p. 224)]
Argumento para a anomalia do mental:
O uso dos predicados mentais é regido por princípios de racionalidade: "Não há leis psicofísicas estritas devido aos diferentes compromissos dos esquemas mental e físico. É uma característica da realidade física que uma mudança física pode ser explicada por leis que a conectam com outras mudanças e condições fisicamente descritas. É uma característica do mental que a atribuição de fenômenos mentais tem de ser sensível ao pano de fundo de razões, crenças e intenções do indivíduo. Não pode haver conexões estreitas entre os domínios se for para cada um permanecer fiel à sua própria fonte de evidência. [. . .] [Q]uando usamos os conceitos de crença, desejo e demais, temos de estar preparados, conforme a evidência se acumula, para ajustar nossa teoria à luz de considerações de cogência global: o ideal constitutivo de racionalidade controla parcialmente cada fase na evolução do que tem de ser uma teoria em desenvolvimento." (Davidson 1970, p. 222-3)
2. Dualismo de propriedades
O 'argumento do conhecimento' contra o fisicalismo : o que Mary não sabia?
Consciência da qualidade de um estado subjetivo (qualia): o gosto do pêssego, a cor de uma maçã, o sentimento de apaixonar-se. (Ver Nagel, "Como é ser um morcego?")
Duas versões do argumento (extraído daqui):
(V1) Versão fraca (epistêmica):
(1a) Mary tem conhecimento físico completo dos fatos concernentes à percepção humana de cores antes de ser solta.
(2a) Mas há um tipo de conhecimento de fatos sobre a percepção humana de cores que ela não tem antes de ser solta.
Portanto
(3a) Há um tipo de conhecimento de fatos sobre a percepção humana de cores que é não físico.
--> Essa conclusão é compatível com o fisicalismo.
(V2) Versão forte (ontológica):
(1b) Mary conhece todos os fatos físicos concernentes à percepção humana de cores antes de ser solta.
(2b) Mas há alguns fatos sobre a percepção humana de cores que Mary não conhece antes de ser solta.
Portanto
(3b) Há fatos não físicos concernentes à percepção humana de cores.
-->Essa conclusão é incompatível com o fisicalismo.
Três estágios possíveis (Mariana):
1. Mariana nunca viu nada colorido.
2. Mariana vê cores diversas no laboratório e forma conceitos feonomenais, mas não sabe associar esses conceitos aos nomes de cores (verde, azul, vermelho etc.).
3. Mariana sai do laboratório e aprende a associar vermelho com a palavra "vermelho" etc.
Objeções: