Mas Era Primavera
Veio a primavera...
E veio com ela o fim da promessa
Que segurava a esperança em meio ao fogo
O que afastava do homem tolo o seu próprio sufoco
A noite se erguera,
E com ela, ergueram-se as vozes de mil fantasmas
Criaturas canhestras, vindas das profundezas do ‘’eu’’
O inferno dos infernos, a agonia das agonias
E o homem olhou para a sua escolha,
E viu que havia se traído
Sorriu para o espelho...
Havia acabado de provar para si mesmo mais uma vez:
Era um insano
Os fantasmas uivavam...
A primavera chorava...
O homem caiu em silêncio,
A alma aos prantos
Ele havia perdido em seu próprio jogo,
A terra em que arara lhe traíra
O que tinha agora?
Tudo, nada...
A vida que tinha,
A vida que não tinha...
Pobre coitado,
Não passava de um pobre coitado
Mas era primavera...
(Lucas Eugênio)